Arquivos de maio 13th, 2009
Você está procurando arquivos em SexoCult - Sexo e Cultura Arquivadas no blog para quarta-feira, maio 13th, 2009.
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Laura, 31 anos, vive em São Francisco (Califórnia), onde produz vídeos de lésbicas que se abraçam, se tocam, se acariciam, se olham e se amam… Nostalgia de um paraíso perdido?
Laura criou o site twilightwomen.com em 2005, com o único objetivo de mostrar as primeiras emoções de jovens mulheres e o amor lesbiano “romântico”.

“Tudo começou a partir de um filme de vampiros com cenas de nudez”, explica ela.
“Ele me chamou tanto a atenção que decidi fazer o mesmo. O estilo de sexo que nós mostramos é explicito mas corresponde a uma fórmula específica (e muito rentável financeiramente), que não tem nada a ver com a pornografia. Nós não nos mostramos da mesma forma que certos vídeos. Mas Certamente, produzimos o mesmo efeito. Nossos vídeos são feitos para excitar, mas de uma maneira diferente. Nos esforçamos para mostrar o desejo, a resistência de uma mulher submissa que sucumbe. Nós mostramos o conflito, o flerte, a estratégia, o jogo da sedução e tudo o que precede o ato sexual propriamente dito, e que lhe dá realmente valor. Pessoalmente, eu acho que este momento é o mais excitante.”
Seus vídeos se inscrevem na contra-corrente da produção lésbica atual. Ainda que, em todo o mundo, as mulheres portem uma camêra para filmar cenas de sexo extremamente enérgicas, o site perpetua o mito de uma sexualidade feminina doce e gentil, da qual o vibrador está totalmente excluído.
“O vibrador é muito agressivo” (direto), diz Laura. “Nós usamos apenas os dedos, boca, carinhos, porque queremos deixar falar os sentimentos: quando uma mulher tem medo e quero tocá-la, quando ela espera, quando ela tem vergonha e seu coração bate.”
As atrizes do twilightwomen.com são exclusivamente classificadas na categoria “beleza natural e amadora” (nada contra as damas experientes ou as estudantes).

Nada de piercing e - se possível - nada de tatuagens. Quanto ao vestuário, eles são dignos de uma série dos anos 70. A decoração em si é deliberadamente “démodé” (para não dizer nostálgica), para recordar “a bendita” época em que as mulheres ainda tinham cabelos e seios naturais e tabus.
“Nosso produtor e câmera número 1, Div For´e, tem quase 70 anos”, explica Laura. “É um historiador americano que cultiva uma verdadeira paixão pelos primeiros filmes do gênero, quando era ilegal filmar a nudez… Em homenagem a este período do pós-guerra, Div For´e, realiza muitas coberturas de livro e de fotos dos anos 40 e 50. Elas guardam uma espécie de tensão dramática, ligada a uma atmosfera de segredo e culpa que marcam as imagens eróticas destes anos. Após a revolução sexual, quando as jovens têm maior liberdade de costumes, perde-se esta noção de “drama”. Não tenho nada contra a corrente cultural que gera uma vida sexual muito melhor do que antes, mas isso não corresponde às minhas fantasias.”
Laura cresceu assistindo Little House na televisão. A imagem que ela tem da sexualidade lésbica corresponde certamente a de muitas outras mulheres, ainda nos dias de hoje… as mulheres que amam a doçura de seus corpos e seus sentimentos. Mulheres que acham que os homens são brutos, opostos delas que sã tão delicadas e suaves… Mas é também uma imagem construída para (e pelos) héteros. Tal como um espelho refletor, o site atrai principalmente os homens: a maioria de seus assinantes são, de fato, do sexo masculino. O tipo de homem que toma as mulheres por obscuras e misteriosas criaturas, somente capazes de serem tocadas com músicas afetuosas e românticas.
Texto de Agnés Giard, traduzido livremente do francês por Julia Tenório. In: La lesbienne gentille est de retour.
Imagens do site: Twilightwomen.
O sexo é menos importante que o trabalho ou que o casamento?

Em Sexo e Utopia (recentemente publicado pela editora Musardine, em francês) Pat Califia, terapeuta e transexual, ao escrever sobre alegria e gozo, desenvolve uma divertida lista de 42 coisas para fazer em favor do corpo e para ”libertar o sexo extremo dentro de você”.
Aqui estão algumas partes dessa lista indispensável para conferir a nossos prazeres, fantasmas e desejos o lugar que eles merecem em nossa curta existência:
“Faça um anúncio de natureza sexual.”
“Quando você ler no jornal que a polícia está combatendo a prostituição, chame-os e diga que você não gosta que gastem o seu dinheiro para perseguir as prostitutas. Depois escreva ao jornal e diga a mesma coisa. Condene o governo que discrimina a prostituição. Ninguém deveria ir para a prisão porque está tentando ganhar a vida.”
“Estude sobre sexo.”
“Vote.”
“Dê prazer.”
“Encontre uma nova fantasia.”
“Se um comércio ou rua está sendo bloqueado por manifestantes porque vende revistas para adultos, entre e compre uma revista. Diga ao gerente que você apóia sua decisão de vender artigos necessários e solicitados pelos consumidores.”
“Escreva uma carta de amor a uma parte de seu corpo que você não gosta muito.”
“Lembre-se de examinar seus testículos ou seios regularmente.”
“Aprenda com alguém a desfrutar e ter prazer com um preservativo.”
“Se em sua cidade ou bairro reprimirem casas de sexo noturnas ou clubes de swing, escreva para o governador ou prefeito e envie uma cópia para o jornal local. Diga aos que estão no poder que você deseja um lugar próprio e limpo onde se possa fazer encontros animados com estranhos excitados. Não se esqueça de dizer que é mais seguro ter relações sexuais em local público protegido do que ter relações sexuais desprotegidas na privacidade de seu quarto.”
“Eleve ao nível moral suas reivindicações. Seja autêntico e acredite na sua própria indignação.”
“Se alguém tentar proibir um livro sobre sexo em uma escola ou biblioteca, não ignore. Você ficaria surpreso como é fácil ganhar essas batalhas com apenas alguns argumentos. Sugira livros que falem de sexo nas bibliotecas, é mais importante do que em lojas, porque eles são gratuitos e mais pessoas poderão ler (particularmente os jovens).”
“Assista filmes de sexo.”
“Saiba tudo sobre a educação sexual nas escolas de sua cidade. Se você achar que o conteúdo é inadequado, expresse sua preocupação aos responsáveis. Não é necessário ser um pai para isso. Todos pagamos impostos para a educação, temos todo o direito de moldar as políticas públicas. Os jovens precisam ouvir sobre controle de natalidade, sexo seguro e homossexualidade.”
“Não se envergonhe ou se subjugue por medo.”
“Se na sua farmácia guardam os preservativos no balcão, peça-lhes que os coloquem lá onde as pessoas possam pegá-los e pagá-los sem precisar pedir a alguém. Diga ao farmacêutico que ele venderá muito mais se evitar que o cliente passe por este embaraço. Peça folhetos sobre AIDS e sexo seguro.”
“Travista-se.”
“Converse com profissionais do sexo, transexuais, solteiros, sado masoquistas, heterossexuais e com pessoas de orientação sexual diferente da sua.”
“Masturbe-se para ocupar, ou passar, o tempo.”
“Pare de tentar controlar os gostos sexuais dos outros. Você terá mais tempo para cuidar dos seus.”
“Fabrique ou compre um vibrador.”
“Seja voluntário em um centro de ajuda para vítimas de estupro; em um refúgio para mulheres que sofreram agressões, ou em um call center sobre AIDS.”
“Organize patrulhas de bairro, faça saber aos estupradores e agressores de merda que não irão tolerar ódio e violência em seu território.”
“Vivamos assim por muito tempo! Nossa passagem na terra deve ser como a “rocha firme” e não “a impressão de já estarmos mortos”.
Sexe et Utopie, Ed. L´Attrape-Corps, La Musardine.
Texto traduzido livremente do francês por Julia Tenório. In: Choses à faire pour l’avenir du sexe.