Arquivos de junho 10th, 2009
Você está procurando arquivos em SexoCult – Sexo e Cultura Arquivadas no blog para quarta-feira, junho 10th, 2009.
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As prostitutas não são obrigatoriamente vítimas da violência ou de estupro. Muitas exercem sua profissão livremente e reivindicam o orgulho de ser “puta”: “Prefiro vender meu corpo para a massa que vender minha alma para um patrão.”

Jean-Michel Carré, produziu um documentário militante em Março deste ano intitulado “Os trabalhadores do sexo”. Para o diretor é tempo de contestar a imagem que as pessoas têm das prostitutas. “Elas não são todas escravas, vítimas do mercado e do tráfico da carne humana. Algumas delas lutam, depois de muitos anos, para poder exercer o que elas consideram uma verdadeira carreira.”, diz o diretor.
Para ele é injusto que aquelas que vendem seu “charme”, sejam insultados enquanto no “mundo do trabalho” os trabalhadores são explorados de forma muito mais baixa. E questiona: “Seu trabalho vai permitir que ele se desenvolva? Pergunte a si mesmo antes de atirar a primeira pedra (…). Para mim os trabalhadores do sexo foi um filme positivo, conclui Jean-Michel Carré, um filme feito com pessoas que se assumem. ”
Se no Brasil temos manifestações como a Parada Gay, que este ano começa no dia 14 deste mês, na frança em Março deste ano as “putas” de Paris organizaram um passeio “de orgulho para todos os trabalhadores do sexo”, o “Pute Pride”, que teve como um dos principais objetivos defender os direitos das prostitutas e combater a famosa lei LSI (Lei Sarkozy). Eles reivindicam, entre outras coisas, o direito ao seguro social. O evento foi organizado pela associação Les Putes, criada em novembro de 2005.
Na página oficial da associação Les Putes, em francês, chama-nos atenção o seguinte texto:
“Para você, assistente social ou psicólogo, sou uma puta e você me confere, como se fosse natural, que eu tive uma infância infeliz preenchida com pobreza e violência e eu te digo “merde” (ou nada). Sou uma puta e para você médico e especialista de todo as coisas, sou um objeto à se limpar, à se desintoxicar. Você que deseja me curar, me re-inserir na sociedade. Agora, mais uma vez eu te digo “merde” (ou nada).
A luta pelas prostitutas por direitos trabalhistas ocorre em todo o mundo, como já vimos algumas tentativas de lei aqui no Brasil. Isso levanta uma importante questão em torno da vida das prostitutas. Ser “puta” é ser livre, ser uma trabalhadora ou é ser escrava? Aliás, Prostituição é trabalho?