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17 jun 2009

A sociedade secreta das belles filles

Existe, uma vez por ano, um encontro de meninas que não são nem manequins intocáveis, nem modelos de agências. Eles vão com seus books, a procura de um fotógrafo erótico. Elas não fazem nú total, mas elas posam de maneira sexy, com suas fantasias, pelo simples prazer de se sentirem estrelas. Elas são chamadas de “modelos alternativos”. O último grande encontro que tiveram foi em 7 de Dezembro de 2008.

kumi_monster

A priori, elas são meninas normais. Estudantes, jornalistas, vendedoras, que usam o tempo livre para posar para fotógrafos, metade nua e em trajes sexy, porque elas desejam realizar seus sonhos eróticos. Essas fotos são colocadas em sites na Internet, normalmente intitulado <<moi.com>>… Egocentrismo? Não é verdade: estes sites são registrados em nome de uma criatura virtual. Kumi Monster, Cyber Doll, O aka Estigmata, Bloody Cherry, Dominique La Mer, Fleur de mortis … São nomes artísticos, porque aquelas que os portam fazem arte criando um duplo sensual delas mesmas. Avatares sem tabus que flertam com toda sorte de fantasias: dominadoras, princesas, tanques-girl, vampiras ou damas em perigo.

O truque é a sua arma de sedução.  É isso, aos meus olhos, que faz superiores às manequins de magazines femininos ou masculinos que a natureza dotou de uma beleza perfeita; Há pouco mérito de ter nascido bonita e eu sempre achei injusto que alguns vejam nisso uma qualidade. É apenas uma vantagem (e ainda, a julgar pelo tipo de homem que atrai as mulheres bonitas, não vejo mais do que uma desvantagem).

Com as modelos alternativos a beleza não é dada no início. As meninas são “normais”, ou seja, um pouco grandes, ou muito pequenas, muito magras, muito redondas ou muito tatuadas…Mas elas transmitem muito mais charme, porque – segundo a lição de Baudelaire que elevou o princípio estético – elas decidiram ser maiores que a natureza, rainhas de um universo barroco da libido…

Kumi Monster, por exemplo. Ela não tem cabelos, mais tem uma coleção astronômica de perucas que lhe conferem sempre rostos diferentes. Metade irlandesa e metade coreana, kumi Monster vive nos Estados Unidos. Mas ela viaja com tanta frequência (dez meses por ano), que parece vir de outro planeta. Ela fala francês, sabe xingar em grego e dizer “sirva-me um uísque” em pelo menos seis línguas diferentes. Com a cabeça raspada ou usando perucas, esta incrível extra-terrestre adquiriu a parte de leão da sociedade secreta das belas meninas: ela faz parte das quatro primeiras fetish-modelos do monde. “Com Dita, Bianca Beauchamp e Emily Marilyn, eu faço parte das raras que podem ganhar a vida através de fotografias”. Explica ela.

No entanto sua anatomia é insuficiente. Quando perguntamos como ela é, Kumi Monster responde: “Eu tenho as nádegas flácidas e facilmente ganho barriga”. Mas eu gosto me passar de uma maneira irresistível e se você me perguntar sobre a história ou a economia, eu posso responder. Eu não sou uma puta.”

Kumi é parte de um verdadeiro movimento de agitadores, petulantes e destrutivas, que reivindicam o direito de se mostrar nuas (ou em látex, ainda mais emocionante) e enviar para os que se perturbam com isso. Organizadas em tribos através da Internet, as “belas meninas” auto-proclamadas colocam sua existência em um pedestal, e, consequentemente suas bundas. Algumas fazem parte do “suicide girls” (meninas suicidas). Outras buscam melhores fetiches. Outras ainda criam comunidades góticas. Criam assim um forte sentimento de identificação com suas aparências e seu louco desejo de serem livres, elas geram espontaneamente uma nova forma de feminismo: pró-sexo.

Por quê? porque o sexo é uma arma. A melhor maneira de prosperar, para afirmar-se, para ser feliz. E como para compartilhar esta mensagem tão simples quanto revolucionária, essas feministas de uma nova espécie, tiram uma foto e, em seguida, difundem as imagens disponíveis gratuitamente na Internet. A maioria dos seus sites não é para pagantes. A Internet para elas é apenas uma oportunidade para se passar por vedetes: tornar-se heroínas de suas próprias vidas, do romance que desempenham diariamente… Elas se exibem. Elas se orgulham. E às vezes (quando os sites são pagantes) elas vivem de sua paixão, se oferecendo o luxo – como Kumi Monster – de viajar pelo planeta justamente para multiplicar as sessões de fotos e os amantes.

Quer participar deste encontro de fotógrafos e modelos? O último encontro foi em Dezembro, mas pode gravar o site do Fetish Casting, e ficar aguardando o próximo encontro, até lá vá juntando o dinheiro para a viagem.

Última coisa: a influência destas meninas é tanta que os homens também se passam por modelos. Eles também aparecem em trajes eróticos e bizarros, em sites que põem em causa a imagem tradicional que fazemos de um homem. Eles aparecem como objetos de desejo. E isso funciona: As meninas adoram os rapazes que sabem se dar valor.

Artigo de Agnès Giard, traduzido livremente para português por Julia Tenório. Original em: Les 400 culs.

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Tags: Bizarro, books, erótico, fetiche, modelos_alternativos, sociedade_secreta

Esta postagem foi colocada quarta-feira, junho 17th, 2009 às 1:57 am e está arquivado na categoria Curiosidades/Notícias . Você pode seguir todas as respostas a esta entrada atravé da saída RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackback de seu próprio site.

One Response para “A sociedade secreta das belles filles”

  1. Fique por dentro Cultura » Blog Archive » A sociedade secreta das belles filles | SexoCult - Sexo e Cultura disse:
    2009/06/17 às 9:02 am

    [...] erótico. Elas não fazem nú total, mas elas posam de maneira sexy, … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]

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