Arquivos de junho, 2009
Você está procurando arquivos na categoria SexoCult – Sexo e Cultura Arquivadas no blog para junho, 2009.
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Existe, uma vez por ano, um encontro de meninas que não são nem manequins intocáveis, nem modelos de agências. Eles vão com seus books, a procura de um fotógrafo erótico. Elas não fazem nú total, mas elas posam de maneira sexy, com suas fantasias, pelo simples prazer de se sentirem estrelas. Elas são chamadas de “modelos alternativos”. O último grande encontro que tiveram foi em 7 de Dezembro de 2008.

A priori, elas são meninas normais. Estudantes, jornalistas, vendedoras, que usam o tempo livre para posar para fotógrafos, metade nua e em trajes sexy, porque elas desejam realizar seus sonhos eróticos. Essas fotos são colocadas em sites na Internet, normalmente intitulado <<moi.com>>… Egocentrismo? Não é verdade: estes sites são registrados em nome de uma criatura virtual. Kumi Monster, Cyber Doll, O aka Estigmata, Bloody Cherry, Dominique La Mer, Fleur de mortis … São nomes artísticos, porque aquelas que os portam fazem arte criando um duplo sensual delas mesmas. Avatares sem tabus que flertam com toda sorte de fantasias: dominadoras, princesas, tanques-girl, vampiras ou damas em perigo.
O truque é a sua arma de sedução. É isso, aos meus olhos, que faz superiores às manequins de magazines femininos ou masculinos que a natureza dotou de uma beleza perfeita; Há pouco mérito de ter nascido bonita e eu sempre achei injusto que alguns vejam nisso uma qualidade. É apenas uma vantagem (e ainda, a julgar pelo tipo de homem que atrai as mulheres bonitas, não vejo mais do que uma desvantagem).
Com as modelos alternativos a beleza não é dada no início. As meninas são “normais”, ou seja, um pouco grandes, ou muito pequenas, muito magras, muito redondas ou muito tatuadas…Mas elas transmitem muito mais charme, porque – segundo a lição de Baudelaire que elevou o princípio estético – elas decidiram ser maiores que a natureza, rainhas de um universo barroco da libido…
Kumi Monster, por exemplo. Ela não tem cabelos, mais tem uma coleção astronômica de perucas que lhe conferem sempre rostos diferentes. Metade irlandesa e metade coreana, kumi Monster vive nos Estados Unidos. Mas ela viaja com tanta frequência (dez meses por ano), que parece vir de outro planeta. Ela fala francês, sabe xingar em grego e dizer “sirva-me um uísque” em pelo menos seis línguas diferentes. Com a cabeça raspada ou usando perucas, esta incrível extra-terrestre adquiriu a parte de leão da sociedade secreta das belas meninas: ela faz parte das quatro primeiras fetish-modelos do monde. “Com Dita, Bianca Beauchamp e Emily Marilyn, eu faço parte das raras que podem ganhar a vida através de fotografias”. Explica ela.
Paul Laffoley, arquiteto americano, pretendia criar um templo extraterrestre sobre o “Ground Zero“, para substituir as Torres Gêmeas. Seu projeto não foi aceito. Nem o projeto do “motor do orgone” (energia sexual)…
Em 1992, Wilhem Reich, o mais brilhante aluno de Freud, seu primeiro assistente na Policlínica Psicanalítica de Viena, descobriu que o orgasmo libera uma energia que deixa feliz e dá força. Nós chamamos isso de prazer. Ele chamou de “orgone”.

A partir de 1933, a sua investigação sobre o orgone tomou todo o seu tempo e o obrigou a encerrar a sua prática particular da medicina. Reich colocou na cabeça que esta energia, a orgone, não é liberada unicamente durante o orgasmo, mas que ele representa uma força vital que sustenta o conjunto da criação – uma espécie de força cósmica, invisível e onipresente, constituindo o fundamento mesmo da existência. Sua teoria é que todos os males humanos resultam de bloqueios no fluxo dessa força. Em conseqüência ele concentra seus trabalhos sobre uma maneira de captar, utilizar, desenvolver e de um modo geral, de manipular o orgone.
Apesar de seus problemas com os nazistas que queimaram seus livros e com cientistas de todos os países que o consideravam um louco, Wilhelm insiste: ele desejava por em funcionamento a máquina do orgone, capaz de captar essa energia vital e libidinosa para depois a liberar em forma de raios. Refugiado nos Estados Unidos (em 1939), Wilhelm Reich chega a desenvolver acumuladores de orgones que ele diz serem capazes de curar o câncer e provocar trovoadas. A CIA desejava financiar seu trabalho… Então ele é acusado de loucura profunda, preso e seus escritos destruídos… Wilhem Reich morreu na prisão em 1957.
A máquina Orgone existe ainda hoje. Dezenas de pessoas ainda estão trabalhando nisso. A maior parte dessas pessoas são gurus manipuladores. O resto são artistas. Paul Laffoley por exemplo. Paul Laffoley nasceu em uma família irlandesa em Massachusetts em 1940. Ele disse sua primeira palavra <<Constantinopla>> com seis meses de idade e depois ficou em silêncio até os 4 anos – diagnosticado como autista leve. Adolescente, para tratar uma tendência para a catatonia, recebeu oito tratamentos de eletro choque. Um mês depois, em Julho de 1961, realizou seu primeiro sonho lúcido. Um sonho com cores incríveis, que ele repetirá sempre em suas pinturas.

As prostitutas não são obrigatoriamente vítimas da violência ou de estupro. Muitas exercem sua profissão livremente e reivindicam o orgulho de ser “puta”: “Prefiro vender meu corpo para a massa que vender minha alma para um patrão.”

Jean-Michel Carré, produziu um documentário militante em Março deste ano intitulado “Os trabalhadores do sexo”. Para o diretor é tempo de contestar a imagem que as pessoas têm das prostitutas. “Elas não são todas escravas, vítimas do mercado e do tráfico da carne humana. Algumas delas lutam, depois de muitos anos, para poder exercer o que elas consideram uma verdadeira carreira.”, diz o diretor.
Para ele é injusto que aquelas que vendem seu “charme”, sejam insultados enquanto no “mundo do trabalho” os trabalhadores são explorados de forma muito mais baixa. E questiona: “Seu trabalho vai permitir que ele se desenvolva? Pergunte a si mesmo antes de atirar a primeira pedra (…). Para mim os trabalhadores do sexo foi um filme positivo, conclui Jean-Michel Carré, um filme feito com pessoas que se assumem. ”
Se no Brasil temos manifestações como a Parada Gay, que este ano começa no dia 14 deste mês, na frança em Março deste ano as “putas” de Paris organizaram um passeio “de orgulho para todos os trabalhadores do sexo”, o “Pute Pride”, que teve como um dos principais objetivos defender os direitos das prostitutas e combater a famosa lei LSI (Lei Sarkozy). Eles reivindicam, entre outras coisas, o direito ao seguro social. O evento foi organizado pela associação Les Putes, criada em novembro de 2005.
Na página oficial da associação Les Putes, em francês, chama-nos atenção o seguinte texto:
“Para você, assistente social ou psicólogo, sou uma puta e você me confere, como se fosse natural, que eu tive uma infância infeliz preenchida com pobreza e violência e eu te digo “merde” (ou nada). Sou uma puta e para você médico e especialista de todo as coisas, sou um objeto à se limpar, à se desintoxicar. Você que deseja me curar, me re-inserir na sociedade. Agora, mais uma vez eu te digo “merde” (ou nada).
A luta pelas prostitutas por direitos trabalhistas ocorre em todo o mundo, como já vimos algumas tentativas de lei aqui no Brasil. Isso levanta uma importante questão em torno da vida das prostitutas. Ser “puta” é ser livre, ser uma trabalhadora ou é ser escrava? Aliás, Prostituição é trabalho?
Para aqueles que ainda não conhecem ou não tiveram acesso aos textos e obra de Michel Foucault, considerando a importância de seus estudos sobre a sexualidade, trazemos alguma citações para “acender o desejo” de nossos leitores em conhecer o que este autor têm a nos dizer sobre a sexualidade e a sociedade.

(…) a civilização ocidental, em todo caso, há séculos, quase nada conheceu da arte erótica; ela amarrou as relações de poder, do prazer e da verdade, sobre uma outra forma: uma “ciência do sexo”. Tipo de saber onde o que é analisado é menos o prazer do que o desejo, onde o mestre não tem a função de iniciar, mas de interrogar, de escutar, de decifrar, onde o processo não tem por fim uma majoração do prazer, mas uma modificação do sujeito (que se encontra perdoado ou reconciliado, curado ou liberto). (Michel Foucault - “L’Occident et la vérité du sexe”, Le Monde, n. 9885, 5 novembre 1976, p. 24, Traduzido por Wanderson Flor do Nascimento.)
(…) o jogo do S/M é muito interessante porque, enquanto relação estratégica, é sempre fluida. Há papeis, é claro, mas qualquer um sabe bem que esses papéis podem ser invertidos. Às vezes, quando o jogo começa, um é o mestre e, no fim, este que é escravo pode tornar-se mestre. Ou mesmo quando os papéis são estáveis, os protagonistas sabem muito bem que isso se trata de um jogo: ou as regras são transgredidas ou há um acordo, explícito ou tácito, que define certas fronteiras. Este jogo é muito interessante enquanto fonte de prazer físico. Mas eu não diria que ele reproduz, no interior da relação erótica, a estrutura do poder. É uma encenação de estruturas do poder em um jogo estratégico, capaz de procurar um prazer sexual ou físico. (Michel Foucault, an Interview: Sex, Power and the Politics of Identity; entrevista com B. Gallagher e A. Wilson, Toronto, junho de 1982; The Advocate, n. 400, 7 de agosto de 1984, pp. 26-30 e 58. Esta entrevista estava destinada à revista canadense Body Politic. Tradução de wanderson flor do nascimento.)
“O comportamento sexual não é, como muito se costuma supor, a superposição, por um lado de desejos oriundos de instintos naturais e, por outro, de leis permissivas e restritivas que ditam o que se deve e o que não se deve fazer. O comportamento sexual é mais que isso. É também a consciência do que se faz, a maneira que se vê a experiência, o valor que se a atribui. É, neste sentido, creio eu, que o conceito de gay contribui para uma apreciação positiva – mais que puramente negativa – de uma consciência na qual o afeto, o amor, o desejo, as relações sexuais são valorizadas.” (Michel Foucault - Escolha sexual, ato sexual , 1982)
Como não tenho conhecimento das obras de Michel Foucault, tendo lido coisas aqui e ali, não posso fazer um relato seguro a cerca do que este autor fala em sua “História da Sexualidade”. Finalizo então com trecho final da leitura de Lara Haje:
“Michel Foucault constrói, portanto, uma nova hipótese acerca da sexualidade humana, segundo a qual esta não deve ser concebida como um dado da natureza que o poder tenta reprimir. Deve, sim, ser encarada como produto do encadeamento da estimulação dos corpos, da intensificação dos prazeres, da incitação ao discurso, da formação dos conhecimentos, do reforço dos controles e das resistências. As sexualidades são, assim, socialmente construídas. Assim como a hipótese repressiva, é uma explicação que funciona. Cada um que aceite a verdade que mais lhe convém. Ou invente novas verdades.”
Referências:
Artigos completos, e conhecer um pouco da obra de Michel Foucault em português visite Espaço Michel Foucault
Em inglês há também um site bastante completo sobre o autor The Foucault Pages at CSUN
Lara Haje. Foucault, Michel. A História da Sexualidade.
História da Sexualidade: a vontade de saber. vol. 1
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Existe um site que permite a você ver e gerenciar suas atividades sexuais.
Em BedPosted.com, seria possível gravar, ao longo da vida, cada vez que fizemos amor, com quem, quando, como, se foi bom ou se foi tempo completamente perdido.

Não há mais necessidade de colocar post-it com em sua agenda pessoal. Com Bedpost agora você pode manter a conta exata de seus orgasmos, com etiquetas indicando a sua frequência, duração e detalhes importantes como os nome dos seus parceiros e as posições. O site é privado, é claro, mas libera você para dar acesso àqueles que você quer deixar com desejo, ciúmes… ou àquele que você sinta que é digno de suas confidências. Se você quiser desenhar gráficos com porcentagens mensais, ou para provar o seu amor em números puros, você poderá cadastrar no site e manter os dados em sigilo para mostrá-lo depois ao seu parceiro. Atualmente, oferece aos seus usuários uma versão Beta privada que eu ainda não consigo acessar… mas paciência! ”Você receberá um convite em breve”. Talvez seja uma enorme farsa?!
Curiosamente, a imprensa e blogs já estão falando sobre este fenômeno.
As duas pessoas que criaram este site – Brynn Evans e Chris Messina – vivem juntas em San Francisco. Brynn Evans é aluna de ciência cognitiva. Chris Messina é um empresário da web. Eles já utilizam há vários meses outro instrumento de gestão (BaseCamp.com) para registrar todos os eventos não-sexuais de suas vidas amorosas. Eles também usam o site Geolocation Brightkite.com para rever todos os lugares em que passaram, Last.fm para manter uma lista das músicas que eles gostam, MyMileMarker.com para identificar seus hábitos de condução.Rescuetime.com para codificar todas as operações que eles fazem na internet e até mesmo MyMonthlycycles.com para manter precisos ciclos menstruais de Brynn. Bedpost, a base de dados de sua vida sexual, é só mais um site para preencher esta busca maníaca por objetividade.
“Eu não compreendo muito bem este obrigação de ter um parceiro regular e ele próprio incluir no site, explica uma internauta francesa (Sophie). Isso poderia se tornar muito rapidamente problemática para alguns usuários com múltiplos parceiros… Em todo caso, eu descobri que este site faz parte de uma tendência na Internet para medir a freqüência de atividades menores ou atos da vida cotidiana por mais triviais que eles sejam, e, ainda, compartilhar esses dados, como nos sites Daytum e Mycrocosm. Ainda que alguns entrem apenas para manter uma agenda diária, estou espantada ao ver que outras usam para medir a frequência dos cigarros que fumam, dos cafés que bebem, dos e-mails não lidos na sua caixa postal, da variedade dos seus produtos alimentares ou das alterações em seu humor! Mas é preciso dizer que a idéia da estatística de atividades sexuais não é desagradável … Vamos ver. ”
Brynn e Chris estão na vanguarda de uma forma de esnobismo tecnológico (high-tech): a tendência “eu olho para meu próprio umbigo e isso merece ser partilhado com o mundo? Ou será que, como salientado por Monica Hesse, jornalista Washington Post é ”exatamente o contrário: O oposto do narcisismo, para ela esta tendência parece provar que muitas pessoas não têm confiança em si mesmo e procuram sites desse tipo para verificarem se elas existem…”.
Brynn e Chris tentariam, assim, validar as suas vidas ou, pelo menos, avaliar o seu valor com a ajuda de um software?
“Não, não é. Respondem eles. Nós somos apenas os data junkies (dependentes da info). Nós medimos todos os pequenos detalhes da vida que algumas pessoas atribuem pouca importância. Coisas que nós esquecemos na semana. Coisas que não vemos diariamente e que podem determinar importantes eventos, como separações conjugais ou uma doença cardiovascular… Nós acreditamos que estas coisas merecem nossa atenção, porque, uma vez discutidas com a ajuda de uma meticulosa auto-análise, nos permitem corrigir o nosso caminho e assumir o controle de nosso destino.”
Será a chance de conquistarmos a felicidade? Sim, se – codificar, arquivar, gravar, – é de fato um dos elementos-chave da vida. Muitos casais se separam por não ter percebido em tempo que esqueceram o essencial. Talvez seja uma boa razão para um valorizar o Bedpost. A menos que você não resista ao bom e velho post-it da sua agenda ou escreva seus atos em um caderno amoroso.
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Artigo de les 400 culs, traduzido livremente do francês por Julia Tenório.
P.S.: Não fizemos um levantamento se há, em português, sites semelhantes aos citados. Fiquem à vontade para indicarem se conhecerem algum.