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9 jul 2009

A mulher é submissa por natureza?

Este artigo me parece oportuno para esta época de best-sellers,  livros de auto-ajuda, regras, normas, dicas que nos “ensinam” o que somos, o que fazemos, porque fazemos, e, ainda, do que gostamos e queremos (sabia que existem pessoas que pagam para um “especialista” dizerem de que música elas gostam?)…

Enfim… achei relevante traduzir o artigo da Agnés Giard, que fala especificamente de dois autores franceses, cujas obras começam sempre pelo termo “Porque?”. Eles são autores de livros como:
“Porque os homens mentem e as mulheres choram?” e  ”Porque os homens nunca escutam nada e as mulheres não sabem ler um mapa de trânsito?” etc.  E, no Brasil, também temos a versão em português de Homens são de vênus, Mulheres são de Marte de  John Gray.  Creio o artigo serve para muitas obras atuais…
Voilá, segue o artigo….


A mulher é submissa de nascença?

Há pessoas que gostam de listar as diferenças entre homens e mulheres. Dizem que a mulher sorri mais porque ela é geneticamente submissa. Dizem também que ela representa muito bem a seguinte frase: “Eu sou uma pequena coisa, proteja-me”…

mulheres_submissas

Porque os homens são mais responsáveis por guerras? Porque, na maioria das civilizações, os machos podem impor sua dominação sobre o gênero chamado de “fraco”? Para Allan e Barbara Pease  - autores do best-seller sobre a diferença entre os sexos - é quase uma evidência: a mulher é “naturalmente” apresentada como submissa. Eles querem provar que a mulher, quase sistematicamente, evoca - pelo seu corpo - a idéia da fragilidade. Demonstrada em três pontos:

1/ a mulher é sorridente
De acordo com os pesquisadores Marvin Hecht e Marianne LaFrace (Boston University), as pessoas submissas e dóceis sorriem mais do que é habitual na presença de indivíduos altivos e intoleráveis. Eles também demonstraram que as mulheres sorriem mais do que os homens em situações profissionais, o que pode parecer que elas são fracas e submissas. Um verdadeiro comportamento de escravo! “alguns pretendem que esta diferença de sorrir entre os dois sexos provém do fato de que as fêmeas sempre foram mantidas em papéis subalternos pelos homens, resumem Allan e Barbara Pease. Mas, outras pesquisas mostram que, na idade de 8 semanas, as meninas sorriem muito mais do que os meninos, o que sugere que seria um sinal tangível inata e não adquirida”. Em resumo: as mulheres sorriem mais do que os homens, provavelmente porque está escrito em seu gene…

2 / a mulher abre os olhos
Para acentuar suas características infantis, as mulheres levantam as sobrancelhas quando vêem um homem, fazendo crescer seus olhos. Esse reflexo quase instintivo acentua a expressão de submissão. Algumas erguem as sobrancelhas: elas  redesenham um arco situado acima da fronte e exibem uma face exagerada frente à imagem de rocha dos homens: uma visão infantil. Muitas mulheres têm um rosto infantil, a maioria dos homens são atraídos por elas. Chamados de “néoténie”: uma mulher de bochechas redondas, olhos grandes, queixo pequeno parecido com um bebê. Isso desencadeia no homem uma forte secreção de hormônios cerebrais que estimulam neles o desejo de proteção (dizem os especialistas). Isso acontece porque a estrutura óssea das mulheres muda menos que a dos meninos na puberdade. Por causa da testosterona, os rapazes se tornam adultos com uma mandíbula mais forte, um nariz mais evidente e a face marcada, que traduzem a habilidade de defender um território e afrontar os predadores. As mulheres, no entanto, mantêm suas bochechas, com uma contribuição de gordura subcutânea, incluindo os lábios, que lhes permite manter-se como “mãe”.

3/ a mulher anda com as mãos abaixadas
Quando um casal anda de mãos dadas, o parceiro dominante, nesse caso o homem, frequentemente coloca a palma da mão para baixo, enquanto o seu parceiro vira a palma da mão para cima. Isso é típico. A palma aberta para o céu (como se usa na meditação, por exemplo) representa a submissão. A palma voltada para baixo (como na saudação nazista, por exemplo), simboliza autoridade. Através deste simples gesto - de posicionamento da mão - as mulheres, inconscientemente, indicam muitas vezes sua submissão ao sexo masculino. “Um teste realizado com 350 alto-executivos, mostrou que 89% dos homens recorrem à posição dominante, contra 31% das mulheres”, observa Allan Pease. O autor diz que as mulheres são, com efeito, “menos interessadas que os homens pelo poder e autoridade”. “Resta saber se isso é inato, adquirido, natural ou cultural…

Pessoalmente, eu desconfio muito de todos esses grandes livros que colocam como verdade a idéia de que “os homens são de Marte e as mulheres são de Vênus”… Eles partem do princípio que o homem e a mulher são “iguais, mas diferentes” e é necessário, para compreender seu parceiro um manual de tradução verbal e gestual… É mais fácil para duas lésbicas ou dois homens gays se comunicar entre eles? Não estou certa. A diferença dos sexos existe realmente (comparada à diferença social ou cultural) ? Não posso deixar de pensar que, sob o disfarce de estudos científicos, os “especialistas” de comportamento, não fazem mais do que aprovar uma visão da mulher “ideal”: compreensiva, doce, maternal, em busca de um companheiro único… Enquanto existe - no melhor do SM, por exemplo - tanto mulheres submissas quanto mulheres dominadoras. E eu não falo das “profissionais”.

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Tags: dominaçao, homens, mulher, submissa, submissao

Esta postagem foi colocada quinta-feira, julho 9th, 2009 às 1:29 pm e está arquivado na categoria Sexo e Literatura . Você pode seguir todas as respostas a esta entrada atravé da saída RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou trackback de seu próprio site.

4 Responses para “A mulher é submissa por natureza?”

  1. Lena disse:
    2009/07/09 às 3:18 pm

    Esses livros são todos imbecis. Como tbém o são as centenas de reportagens publicadas em revistas supostamente feministas. “Seja gostosa, seja maravilhosa, seja profissional de ponta, não tenha celulite, pese 49 quilos, ofereça ao seu parceiro o melhor sexo oral da terra, seja comprrensiva e não fira o orgulho dele.”
    Puta que pariu. Já considerei com seriedade a possibilidade de me relacionar homoafetivamente pra tentar escapar desses esteriótipos. Infelizmente, gosto mesmo de homens.
    O fato é que mulheres com um perfil levemente diferente do descrito (e REFORÇADO) pelos livros acima continuam e continuarão assustando e (re)decidindo, todos os dias, se manterão sua força e personalidade, esperando encontrar um homem que não fuja correndo de medo delas.
    Já tentei jogar o jogo. Juro. Hoje, se um cara tem medo de mim e desaparece, eu comemoro. Ele não ia dar conta mesmo… em qualquer esfera (intelectual, sexual, cultural, afetiva) que fosse.

    (Talvez eu sofra um transtorno de ego.)

    (A porcaria é que esses filmezinhos românticos em que quase sempre a protagonista é uma tapada idiota envenam… e lá sofremos de novo, em pleno séc.21 o tal complexo de Cinderela.)

  2. Mestre Ivar disse:
    2009/07/09 às 6:55 pm

    Bem, eu sou suspeito para falar de “mulher submissa”, porque sou um Dominador (no sentido S/M), então gosto mesmo de mulher submissa.
    Mas gosto da submissão no sexo, e só.
    Nada de mulher burra, que baixa a cabeça pra todo mundo!!!
    Minha esposa mesmo, apesar de entre 4 paredes ser “minha cadelinha” e responder “sim, Senhor” olhando para meus pés, no dia a dia é praticamente uma feminista. Aliás, acho que as pessoas até devem imaginar que quem domina a relação é ela, não eu, porque ela é feminista, impulsiva, alegre, extrovertida, saltitante e serelepe. Sempre festeira, enquanto eu sou quieto, reservado, discreto, introspectivo, sempre dócil e calmo. O cara sempre “relax”.
    Por isso eu digo: submissa, sim, burra, não!!!
    Ah… e eu ODEIO livros de auto-ajuda. Hehe.

    Beijos e saudações
    MIK

    P.S.: Lembro que curtiu o post com os “homens de saia”, no meu blog. Já que gostou, veja o último post. ^^

  3. Munique disse:
    2009/07/19 às 9:48 am

    Eu não vejo problema algum em ser doce, maternal, estar em busca de um companheiro único ou, de forma geral, ser como a figura feminina exposta nesses livros. Eu sou assim, e acho que qualquer forma de ser é válida. Não critico feministas, porque acho que qualquer pessoa tem o direito de ser o que quiser, e não acho que exista um comportamento certo ou errado.

    Criticar a figura feminina dócil é um tanto pueril, como se o correto fosse ter o comportamento de uma feminista. O correto é ser você mesma.

    Imagino que a maior parte das mulheres tenham um comportamento como o descrito nos livros, e por isso eles tratam desse “estereótipo”.

    Eu gosto de homem protetor, gosto de homem que pague mais contas do que eu e gosto de agradá-lo. Estou errada por ser como sou??

    Por favor… espero que cada um tenha o direito de ser feliz como se é, sem ninguém ficar criticando por fugir ou por se incluir em um padrão.

  4. Julia Tenório disse:
    2009/07/20 às 9:52 am

    Sim, Munique…mas a questão é justamente essa. Somos todas submissas por natureza, ou somos diferentes e temos o direito de ser como desejamos? Você se sente bem em ser protegida em ser uma pessoa doce, maternal e eu acho que isso nao é, absolutamente, nenhum problema..é maravilhoso….ocorre que nem todas as mulheres se sentem bem nesse papel, e é isso que se questiona…porque, muitas vezes, aquelas que não se encaixam nessa postura sofrem diversas formas de preconceito…Antes todos pensassem como você e deixassem de valorizar se existe ou não um comportamento certo ou errado. Mas será que afirmar constantemente que “a maioria das mulheres são assim” não ajuda a oprimir aquelas que não são? De qualquer forma você está correta quanto a suas escolha, se sente-se bem é o que vale….Bjs. Julia Tenório

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