Arquivos de julho 12th, 2009
Você está procurando arquivos em SexoCult - Sexo e Cultura Arquivadas no blog para domingo, julho 12th, 2009.
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Se a menção “Não mentirás!” faz parte dos dez mandamentos, é necessário admitir que hoje em dia mentir é produzir ficção, e produzir ficção é fazer funcionar a máquina das fantasias. Desejo e mentira travam, assim, uma estreita relação.

Que mentimos ao nosso parceiro, que mentimos para nós mesmos, ou ainda, que utilizamos a mentira como trunfo social, e que as pequenas mentiras possuem um lugar em nosso cotidiano afetivo, é inegável.
O dicionário dá a seguinte definição para o termo: “A mentira é a declaração deliberada de um ato contrário à verdade, ou ainda a dissimulação da verdade, a mentira por omissão”.
A mentira é uma forma de manipulação, que também produz desejo. O filósofo Bernard Stielgler em “Amar, se amar, nos amar”, considera que a mentira é a pedra fundadora da sociedade. Não seria a pedra fundadora do casal?
Para a psicanálise, o desejo participa da elaboração da mentira. Porque o desejo não pode ser transmitido a não ser pelo artifício da palavra, (palavras doces sussurradas no ouvido, declaração impetuosa, palavras sugestivas…) o desejo está exposto a não ser traduzido em toda sua autenticidade, com todas as implicações que isso acarreta. O desejo tem algo de tão forte e angustiante, flerta com uma sorte de interditos, de tabus, que ele não poderia ser verbalizado em sua totalidade.
Assim, comunicar o seu desejo é falsificá-lo, é prepará-lo para expô-lo, de modo objetivo e modificado, para que o outro o aceite. Não se diz a verdade sobre o desejo. A mentira é uma forma de revelar algo de nós mesmos, preservando simultaneamente as áreas mais escuras, que os outros não compreendem, não aceitam. As zonas cinzas em que preferimos negar o acesso do outro. Uma maneira de apresentar-nos em nossa melhor forma. Saber mentir sabiamente é também uma forma de se preservar.
” Na raiz da mentira se encontra a imagem idealizada que fazemos de nós mesmos e que queremos apresentar aos outros.” (Anaïs Nin, Journal) Read the rest of this entry »