Monthly Archives: julho 2009

Amor – pois que é palavra essencial

Considerando o interesse geral de nossos leitores por poemas eróticos, dedicamos o artigo de hoje a um dos mais ilustres poetas brasileiros: Carlos Drummond de Andrade, e sua lindíssima obra O amor Natural .

Abaixo alguns recortes (escrever todos os poemas é sacanagem – mas não sacanagem boa) desta obra que vale muito ser lida por inteiro, ser guardada, vigiada, relida, emprestada e resgatada para garantia de gozos literários futuros.

sex_in_art

Amor – pois que é palavra essencial
(…)
Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

bunda

A Bunda, que engraçada
A bunda, que engraçada
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
Pela frente do corpo. A bunda basta-se.
(…)

telesexo

À meia-noite, pelo telefone,
conta-me que é fulva a mata do seu púbis.
Outras notícias do corpo não quer dar, nem de seus gostos.
Fecha-se em copas:
“Se você não vem depressa até aqui
nem eu posso correr à sua casa,
que seria de mim até o amanhecer?”
Concordo, calo-me.

Certamente o livro tem outros poemas e se dedica a transformar práticas sexuais orais, anais, e outras mais românticas, em um livre exercício de desprendimento literário.  Para facilitar a aquisição listamos abaixo alguns sebos onde pode-se encontrar a obra.  A primeira edição é mais cara, mas contém ilustrações de Milton DaCosta.

Estante Virtual
Sebo do Marcao

Obs: As imagens deste artigo foram retiradas do site Sex In Art.

Eu e você: presos ao voyerismo virtual

Um leitor nos enviou o link para o curioso projeto artístico de Sebastian Kempa. Uma arte bastante insólita, mas também original. No projeto, você poderá despir qualquer um de seus 24 voluntários apenas colocando o mouse sobre a figura. Os artistas são reais e foram fotografados com e sem roupas.

naked_people

Após a primeira imagem, parece sugir uma espécie de curiosidade, e o visitante é levado a descobrir o que há “por baixo” da roupa do próximo, e do próximo. O site assinado pelo artista chama-se “Naked People“, ou, “Pessoas Nuas”.

Descobrimos, também, recentemente, um outro site que joga com essa descoberta do que há “por baixo” da roupa de outro. É o Hotbox, que oferece um jogo de zoom em que se pode correr o mouse e descobrir todas as partes escondidas da modelo.

hotbox

Esses sites usam, assim, recursos tecnológicos presentes na Internet para alimentar o lado voyer de cada um… Um lado que manifesta (ou nãoo) o nosso desejo de descobrir intimidades, relações e pequenos detalhes alheios…
Ocorre que, os nus da Internet estão, geralmente, cientes de que serão observados (mudando, assim, a prática voyer comum). Seguem, por sua vez, a tendência exibicionista que rege a maioria dos sites que mostram pessoas nuas ou em fotos eróticas etc… Para quem observa, no entanto, o prazer pode ser o mesmo, uma vez que o observado continua sendo um estranho do qual ele não sabe nada, além do que se revela sob seus olhos distantes.
A Internet, e o mundo do sexo que se desvenda no ambiente virtual,  é, portanto, uma louca mistura de exibicionismo e voyerismo, readequados às tecnologias de exibiçao e de visualizaçao das novas tecnologias.
Finalizamos este artigo com um post do interessante site de um voyer muito criativo: Pupila Estendida
“Nem cabe negar, tal o desenvolvimento tecnológico, que os aparatos derivados de tamanha genialidade, há pouco relatada, promoveram profunda multiplicação dos modos de olhar. A máquina se interpôs e fez o olho alcançar o todo, ampliou fragmentos, desejos.

Eu, o voyeur. Do francês voir, ver. Não estou a suspeitar de crimes, tal Jeff em sua Janela Indiscreta. Mas há mistério. Sou desta prática antiga, do indivíduo a conseguir obter prazer por manter olhos abertos. Sim, ver com prazer não é novidade: pergaminhos japoneses do século VII já faziam referência a um concurso de tamanhos; mulheres por detrás das cortinas. Gravuras chinesas, por sua vez, nos revelaram também. Vocês e eu também adeptos, cada qual, voyeur.”

Mim Tarzan, você Jane, Ou somos todos intersexuais?

O professor e escritor Gerald N. Callahan afirma, em  Between XX and XY: Intersexuality and the myth of two sexes, que

“A percepção estereotipada de dois sexos opostos – eu tarzan, você jane – limita a compreensão que temos de nosso próprio corpo”

tarzan_jane

O autor diz que “nós continuamos a ver sempre uma lacuna onde ela não existe”, dizendo que as diferenças e características sexuais entre Tarzan e Jane são apenas variações.

“Em última análise, nós somos todos intersexuais”, conclui ele.

Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo na revista New Scientist.

A imagem deste artigo é do blog de Sara Pichelli

Homenagem sex para Michael Jackson

Depois de tantos dias em que estamos, seguidamente, ouvindo e lendo “coisas” sobre Michael Jackson, figura sempre polêmica inclusive na morte, hoje, ao ler o artigo sobre o perigo dos boatos na Web, de José Antonio Milagre, achei que seria interessante falar um pouco dessa figura emblemática e polêmica que foi Michael Jackson.

Não quero, no entanto, dar continuidade aos boatos, nem reforçar os rumores de um suposto “estelionato mundial”, como aponta José Antonio Milagre, mas antes fazer uma homenagem sex ao cantor.

Para não esquecermos que, a despeito de suas bizarrices e dos escandâlos de pedofilia que o envolveram, e, para não nos enredarmos apenas nas “redes” de boatos e especulações, trazemos um vídeo de Michael com Naomi Campbell que exala sensualidade e talento.

Me agrada muito mais ouvir o próprio Michael Jackson que os boatos e espetáculos criados em torno de sua figura. O que pensa você?

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A liberdade sexual a inventar

diversidade

Sexo é política

A história e o desenvolviemento da liberação sexual nos dias atuais demonstram que a sexualidade concentra um número importante de problemas sociais. Sobre ela se cristalizam as relações de força entre diferentes grupos sociais, os interesses de poder de uns e a submissão de outros  à ordem sexual dominante, os medos ancestrais e as questões de ética na atualidade.

Porque carrega uma variedade de idéias e possui uma dinâmica social considerável, a sexualidade não foi,  jamais, negligenciada pelo poder.  Ela é por sua vez o laboratório por onde passam e se experimentam as idéias religiosas, científicas, revolucionárias, sendo o coração do controle do corpo social e de seus destinatários, regulados justamente por sua carne. Através dela se define a vida, a liberdade e o destino – da ordem social – de alguns humanos. Assim, toda a escolha em matéria de sexualidade será política.

É preciso ter consciência do fato de que quando tomamos uma decisão, que uma decisão é tomada pelo Estado, para nós ou para um grupo. Com efeito, toda novidade exige uma medida de ordem, ainda que o sexo não conheça a ordem. Para o romancista Jeanne de Berg, que realizou sátira de quase todas as categorias sociais, “qualquer pessoa pode ter qualquer fantasia”. Assim, todo rótulo, toda etiqueta moral ou legal não poderá ser mais do que um artifício prático. Aprofundando ainda mais esse raciocínio, John B. Root, produtor de filmes pornôs, afirma  que “o sexo é anarquista. Seja você um alto executivo da Airbus, ministro ou proletário, você tem um pênis nas mãos”. Avisa!

Não estamos sós!

No mundo ocidental e liberal, apesar das resoluções modernas só podemos ser “heterossexual, masculino e procriador” (mas igualmente “branco” e “crente”…), não estamos vivendo sozinhos uma liberdade sexual paradoxal, também não estamos errados de nos interessar pelo caso das mulheres. Todos os indivíduos que não se enquadram 100% no modelo sexual ordenado nas sociedades atuais,  sofrem pressões para um fim ou outro em sua vida.

Um homem que não deseja o poder (mulheres! dinheiro! Prestígio!)  é visto com suspeita aos olhos dos heróis da sexualidade normal, como também é uma mulher que não tem o desejo de ser mãe. Quem não tem um amigo cuja vitalidade e carisma é negado por outros, homens e mulheres, sob o pretexto de que ele tem “um ar um pouco gay” ou ainda “porque ele não tem “bolas” ? (…)

As pessoas que se encaixam no top 10 das relações sexuais aceitas pela ordem vigente não têm necessariamente consciência  de que obedecem um esquema que oprime os demais. Eles certamente não se questionam sobre uma melhor forma de embarcar com todas as formas de sexualidade rumo a outro modo de viver juntos.  [Não se trata de criar desculpas para todos os erros e atividades] (…), mas de começar a propor novas compatibilidades de relação, mais originais, de acordo com nossos desejos e o dos outros, distante de um pensamento do tipo “universalista” ou “essencialista”. Aí, diríamos, que não seria uma mulher, não seria um homem, mas uma multidão de seres singulares desejosos de viver sua sexualidade com igualdade e com o respeito dos outros.

Quanto mais somos desclassificados… mais podemos jogar livremente!

O termo queer, que significa literalmente “estranho”, “bizarro” (empregado inicialmente para designar os gays) é de acordo com os estudos dos gêneros, sobretudo nos Estados Unidos, um conceito que define todos os indivíduos que não se encontram no modelo heterocentrado, branco, dominante. Sejam eles homens, mulheres, homossexuais, ou os próprio heterossexuais!  E, se as mulheres estão incluídas nesses estudos – que a inserem no grupo das sexualidades “oprimidas” –  é porque, para o pensamento queer, uma mulher não é nunca somente uma mulher, ou uma figura única, ela tem uma cor, um estatuto social, uma religião. read more »