Arquivos de novembro, 2009
Você está procurando arquivos na categoria SexoCult - Sexo e Cultura Arquivadas no blog para novembro, 2009.
Você está procurando arquivos na categoria SexoCult - Sexo e Cultura Arquivadas no blog para novembro, 2009.
Voltando para minha leitura de Hipótese de Eros, de Emanuelle Arsan, me deparei com uma passagem que me fez querer rever o filme Último Tango em Paris. A análise da autora me fez repensar o modo como eu mesma havia entendido o filme, sobretudo no que diz respeito ao cumprimento de regras sociais que, como adverte a autora, não servem mais para os casais atuais. Reescrevo abaixo um trecho do livro…

(…) Alguns [homens e mulheres], os mais numerosos, é claro, pedem às velhas regras “absolutas” - constância, fidelidade, sacrifício - a segurança que dá a dependência. Mas estas receitas, que eram válidas talvez para um tempo em que as dimensões eram outras, são de agora em diante inúteis: da mesma forma que em astronomia, as leis de Einstein.
Para aqueles, então, que se agarram às ilusões de truques externos, a existência, o futuro e o casamento mesmo se tornam inexplicáveis e fatais, como o governo e a artrite [ótima comparação! rss]. Eles morrerão mais tarde do que antigamente [antigamente a média de vida não ultrapassava os 35 anos], mas não terão vivido mais por causa disto.
Outros, ao contrário, procuram reduzir em sua vida a parte da ficção. Algumas vezes fazendo de seus sonhos a realidade. Então o seu comportamento provoca escândalos. Aos olhos da moral, com efeito, não é a ficção como ficção que aparece indecente, escabrosa, obscena. O que ofende o “senso comum do pudor” é a paixão do real. Ninguém diz que o impudor é uma mentira: o que lhe repreendem é ser uma verdade nua.
(…)
A vida verdadeira, a vida que alguns inventam, por gosto de serem humanos, é o tempo durante o qual sabe-se que o amor é um jogo. Esta vida pode começar tarde; não importa quando; nunca. Durar pouco: o espaço de um encontro e de um riso. Ou então a eternidade das bodas de ouro. E recomeçar sempre, enquanto tiver oportunidade. Os homens não morrem de velhice: eles morrem quando deixam de acreditar no amor possível.
Eu creio que Bertolucci teve esta idéia (e muitas outras, é claro) em seu Último Tango em Paris. O filme mostra que o amor é uma vitória, não importa qual seja o contexto, quais sejam as formas ou falta de formas, enquanto ele só quiser ser a felicidade do instante, um jogo livre, um prazer sem leis. A tragédia acontece quando um dos parceiros tenta voltar às regras “absolutas”: a banalidade dos sentimentos e dos projetos, reminiscências, oferta de casamento e de domicílio conjugal. A negação do jogo. O erro. A imbecilidade.
Paul era jovem, podia viver, já era feliz, enquanto jogava com Rosa, sua mulher. Rosa, sendo a primeira a se matar, trai o espírito do jogo. Jeanne oferece a este homem a oportunidade de uma nova partida. Mas é ele, desta vez, quem recua, envelhece, diz tolices. Ele não procura, obscuramente, a morte física (embora assim tenham compreendido alguns críticos freudianos), mas somente a morte da imaginação, a senilidade prematura do espírito de aventura que acarretam as normas burguesas. A bala disparada por Jeanne faz apenas com que ele economize alguns anos de agonia voluntária.
Por suas figuras grotescas e triste de morrer, que substitui ao possível prazer da dança, o tango simboliza este mundo suicida. As contorsões (sic) conformistas dos casais simulam as contorsões (sic) do amor permitido: as caretas de arrogância, a dignidade posada, a decência enfática, exibidas para os outros, para ganhar um preço, para ser “classificado”. É a ficção tipo, a dança-fé, é o reflexo do estrago dos deuses. (…)
Jeanne não mata Paul porque ele fez amor com ela fora dos hábitos estabelecidos, mas porque ela compreende que o jogo acabou, e que, colocando fim ao jogo, Paul fez com que ela envelhecesse. Observemos que a jovem poderia também desembaraçar-se de seu noivo que acabava de lhe falar de conduta “adulta”, de futuro “calmo e sério”. Assim, mesmo em sua lógica trágica ela prova que a recusa também é relativa.
Conhece o ETSY? um site que vende todo tipo de objetos: jóias, almofadas, brincos… totalmente inspirados nas formas femininas. Os objetos vão do belo ao estranho, mas não deixam de surpreender.

Particularmente, prefiro a discrição, portanto creio que não usaria um colar de “vulva”, mas achei as almofadas em forma de seios ou de útero, ou as jarras bem interessantes…
Para os mais “audaciosos” os retratos de vulva, pode ser uma boa proposta de decoração… eu tive dificuldade em identificar algumas formas, mas com um pouco de esforço a gente acaba entendo a inspiração.
Quer dar um ar mais “feminino” à sua casa, ou ao seu guarda-roupa? visite lá! Vulva Love Lovely
Os alemães se redescobriram depois da queda do muro de Berlim, há vinte anos atrás.
Mais do que simples diferenças são duas sociedades opostas que se reencontraram, no entanto as duas são parte de uma única gente. A queda do muro revelou muitas diferenças, inclusive as diferentes sexualidades na RFA e na RDA.

Nos últimos dias, por ocasião das comemorações da queda do muro, os jornais recontaram toda a história alemã. Mas poucos descreveram o que significou esta separação em termos de sexualidade…
Na RFA, liberdade ou capitalismo?
Quando o muro caiu, a primeira coisa que fizeram os alemães do lado leste foi correr para os sex-shops. Eles sabiam muito bem que no lado ocidental, a revolução sexual tinha permitido a pornografia, eles poderiam agora descobrir pequenos segredos: ” visitamos os sex-shops em pares, por vezes, até as avós foram às lojas segurando uma criança pela mão…queríamos descobrir tudo o que o ocidente tinha para oferecer”, lembra Kurt Starke, um sociólogo de Leipzig, na ex-RDA. A Alemanha do ocidente apareceu então como um paraíso da liberdade sexual, onde o prazer sem limites contribuiu para o desenvolvimento da prostituição e da pornografia. Mas a louca busca por sex-shops cessa rapidamente. Se a Alemanha do leste se adapta rapidamente aos sex-shops, ao cinema pornô, o sucesso não dura muito. Por causa do desemprego, o alto custo dos brinquedos eróticos e outros tesouros do mercado do sexo, ainda existe um enorme fosso entre o leste e o ocidente. Beate Ushe afirma que a maior parte das vendas do ramo são nas cidades ocidentais.
Na RDA, nostalgia do amor “diferente”?
Os germânicos sabem que a Freikoerperkultur é uma instituição na Alemanha. A “cultura do corpo livre”, faz apologia ao nudismo, pelo simples prazer de viver nú, especialmente em feriados. E esta cultura nasceu no lado do leste. Enquanto a lei proíbia as pessoas de assistirem filmes pornôs e a prostituição era ilegal, o nudismo foi perfeitamente legal e inclusive muito praticado, pois não se tratava de sexo em si. A cultura da vida simples da Alemanha do leste foi exportada para o ocidente, onde os almães levaram tempo para iniciá-la devido ao pudor e também pelas normas diárias.
Mas porque este amor “diferente”, essa cultura dos prazeres simples, está hoje desaparecendo?
Porque, enquanto no lado ocidental, a libertação sexual significava filmes pornôs e prostituição, no leste, o governo se ocupava de educar os casais para o prazer. A sexualidade não era simplesmente um tabu, ela contribuía para o desenvolvimento dos alemães… Mas tais inciativas não existem mais nos dias atuais na Alemanha, por lá a sexualidade da Alemanha ocidental teve a última palavra.
Repercute na França o caso do filme Histories de Sexe (s) , que foi rebaixado para a categoria de filme pornô.

Para os puritanos a ação pode até parecer correta, mas não passa de uma medida imprópria para o filme em questão.
Histories de Sexe(s) é uma comédia leve que trata de sexualidade, inspirada no declínio do império americano. É a história de quatro amigas que se encontram para falar de suas últimas aventuras e de seus problemas amorosos. Paralelamente, quatro homens se encontram também para falar de sexo e conferem uma nova versão à história: homens e mulheres tem visões diferentes sobre o temas, obviamente. A “dupla” visão do filme é garantida por que seus diretos são um homem e uma mulher.
Segundo relatos de quem assistiu ao filme (eu ainda não vi, infelizmente), ele contém algumas cenas hilariantes e outras extremamente pedagógicas que abordam o tema do orgasmo, dos sextoys, da ejaculação feminina (parece ótimo né??).
Sendo considerado uma mistura de documentário, ficção e curso de sexologia, o filme certamente não merece a classificação X.
Os diretores do filme, Ovidie e Jack Tyler, protestam (aqui) contra a decisão afirmando que o filme tem a “ambição de superar as regras da indústria pornô” e que eles esperavam que com o filme sairiam das ruas (do gueto)”.
No entanto, eles foram reenviados secamente para a margem do cinema com esta decisão. Segundo os diretores
“um filme é considerado pornô quando apresenta qualquer script, não tem trabalho de preparo, por ser distante de uma sexualidade realista e, na maioria das vezes, degradar a mulher. Com este filme, dizem os diretores, encarou-se o desafio de apresentar uma sexualidade não caricatural e de colocar em cena a complexidade da relação do casal. Habitualmente, os cenários dos filmes pornôs servem apenas para introduzir as cenas de sexo que são a razão principal dos filmes pornográficos. Em Históries de Sexe(s), as curtas passagens explicitas não são mais do que ilustração das declarações feitas pelos próprios protagonistas. 95% de diálogos e 5% de sexo, e não o inverso. Claramente, não se trata de um filme masturbatório. Com este filme, nós atendemos a emergência de um novo gênero: um filme que trata abertamente da sexualidade, livre dos códigos da pornografia e de sua cota de ejaculações faciais. Nosso desejo não era que passasse para menores, porque estávamos exigindo a proibição para menores de 18 anos.”
Acredita-se, portanto, que a comissão CNC classificou o filme como pornô porque seria impensável para os puritanos, que parecem ser sempre a maioria, que um filme possa falar abertamente de sexo. Podemos falar de morte, de assassinatos em série, do fim do mundo, de guerra (principalmente de guerra), mas não podemos falar de sexo. A classificação do filme como pornô é uma forma perversa de censura. Ela vem acompanhada de um sistema de taxas e impostos que desestimula as pessoas a movimentarem dinheiro e, consequentemente, condenam os filmes sobre o tema a produções de baixa qualidade, amadorismo, diálogos irreais. Assim, totalmente estigmatizado os “bons” diretores não se arriscam nessas produções, pelo risco de sofrerem a censura no interior do mercado cinematográfico.
Segundo afirma Agnes Giard
…na França a classificação dos filmes como pornôs (ou como filmes X) foi uma tentativa de originalmente voltada para a liberdade, que visava permitir o uso de imagens de sexo nos filmes, mas rapidamente esta classificação passou a ser acompanhada por duras medidas fiscais que acabaram “matando no ninho um gênero cinematográfico nascente”. Sem recursos, esta categoria de filmes torna-se uma indústria que acumula genitálias em grande plano e atos sexuais como norma fundamental. Os filmes precursores do gênero anunciavam o glorisoso futuro da categoria: O último tango em Paris, O império dos sentidos, Mistress, O love Max, GOing Places, The mother and the wore, The Nigth Porter…poderia ter se tornado tao importante quanto os filmes de artes marciais ou as comédias musicais. No entanto ele foi assassinado. Cortaram-se seus recursos e ele foi condenado a mediocridade.
Proibições como a sofrida pelo Histoires de Sexe(s), somadas à força da TV, DVD, e da Internet, acabam por condenar de vez as ambições de quem desejava fazer arte com sexo…Afinal, quem vai querer fazer um filme de 3 milhões de reais (o valor mínimo de uma produção) se as produções da Internet, por exemplo, podem ser realizadas (sem sofrer censura da indústria) com apenas 3 mil euros?.
Para Ovidie o pornô agora é “a merda”. No lugar de mostrar o sexo como um espaço de liberdade e felicidade, o pornô mostra performances surrealistas e caricaturais.” Para o diretor, voltar às salas de cinema permitiria ao gênero sua saída do “gueto”, mas o CNC “desde 1975, como se os meios não tivessem evoluído, continua a classificar como pornô tudo o que ultrapassa o limiar de sua tolerância: um orgasmo vá lá. Dois orgasmos, prejuízo.
- Visite o site do filme e assista o trailer oficial: Histoires de Sexe(s)
- Adaptação livre do artigo de Agnès Giard.
Para continuar no tema <<masturbação>>…
Uma herança biológica
Os estudos antropológicos indicam que, na maioria das sociedades humanas, independentemente dos princípios éticos, pelo menos alguns de seus membros se masturbam.

A tendência para estimular os próprios órgãos genitais é uma capacidade que os indivíduos das sociedades civilizadas compartilham não apenas com os povos primitivos, como também com várias espécies de mamíferos.
Um dos objetivos do estudo da masturbação, nas várias culturas humanas e em outras espécies de mamíferos, é o de avaliar até que ponto alguns aspectos do comportamento sexual são transmitidos como parte da herança evolucionária entre as espécies. Alguns estudos permitem, inclusive, concluir que alguns procedimentos adotados pelo homem em seu comportamento sexual - inclusive os considerados anormais pelos códigos morais de algumas religiões - são na verdade características básicas de todos os mamíferos.
Várias espécies de mamíferos adotam a masturbação como complemento ou até mesmo como substituto eventual do coito. Entre os macacos, verificou-se que os machos a praticam com mais freqüência do que as fêmeas. Alguns zoólogos indicam que não só os primatas, mas outras ordens de mamíferos também se masturbam: ratos, coelhos, doninhas, cavalos, vacas, elefantes, cachorros, gatos, esquilos e porco-espinho.
E Freud, o que tem com isso?
Você conhece Marie Bonaparte? descendente do irmão do imperador Napoleão, princesa da Grécia e da Dinamarca, ela salvou a vida de Freud.

Enquanto os nazistas estavam no poder, e, 1938 ela convenceu Freud a ir para o exílio com sua família e lhe adiantou o dinheiro da caução que os alemães chamavam de “taxa de saída”. Freud reembolsou este dinheiro mais tarde, uma vez em segurança para morrer de seu câncer (em 23 de setembro de 1939)… Quanto à Marie Bonaparte, esta não cessaria nunca de defender a obra de seu querido mestre: ela considerava Freud como o único psicanalista confiável e foi com ele que ela se consultou durante anos, em seu divã… Para seu infortúnio.
Seu infortúnio com Freud ocorreu porque - apesar de todas as teorias engenhosas que ele fez avançar sobre a noção de sonho ou do inconsciente - ele defendeu as idéias deploráveis sobre a sexualidade feminina. Deplorável? Não, pior. Segundo Freud, uma mulher que se uma mulher que se masturba na idade adulta não é uma verdadeira mulher. Sob a influência dessa teoria, Marie Bonaparte, que (como a maioria das mulheres) tinha dificuldades de gozar apenas com a penetração - operou seu sexo em várias ocasiões… É uma das primeiras mulheres no mundo a sofrer operações de cirurgia plástica genital. Para as vítimas de Freud, ser clitoridiana é ser frígida.
Convencida de que era anormal, a princesa dedicou toda a sua vida para “consertar” a vagina, que continuava surda as penetrações. Para superar esta “frigidez”, ela acreditava que faltava aproximar o clitóris da vagina… Em três ocasiões entre 1927 e 1931, a infeliz se fez mutilar, massacrar, por cirurgiões que não eram mais do que crianças de bisturi. Freud queria que ela se “curasse” só pela psicanálise. Mas nada - nem facas, nem sofá - permitiram à Marie Bonaparte “tornar-se uma mulher de verdade.”
Em sua busca pelo prazer vaginal, a princesa irá encontrar inclusive outras “doentes” que, como ela, só obtinha o prazer pela estimulação do clitóris. Em 1929, em Berlim, ela escreve em um texto, intitulado Notas sobre a excisão, que ela conheceu uma jovem alemã “que sofria de masturbação compulsiva, que havia sofrido várias mutilações cirúrgicas sem sucesso”: a paciente cortou a glande clitoridiana… Sem resultado, é claro. Para gozar, ela continuava a acariciar esta zona, esfregando a cicatriz com desespero…
Em Médicos e sexualidades, Yves Ferroul, historiador de sexologia, nota que este modo de intervenção médica começa no século XVIII: primeiro colocamos anéis de metal no prepúcio dos meninos e nos grandes lábios das meninas, para que eles não tivessem relações sexuais antes da noite de núpcias. Um cinto de castidade radical. Mas, como a infibulação não impede as meninas de se tocar e algumas usam as presilhas para massagear seu sexo, os cirurgiões, muito rapidamente, recomendavam a excisão. “Se o clitóris se revela uma fonte de excitação constante, devemos considerá-lo como uma doença, e remoção é legal”, explicavam sabiamente os doutores (que esqueceram de sugerir que cortassem a língua dos grandes comedores) …
Coisas do século passado?
Na Inglaterra nos anos de 1860, na Áustria, na França até o final do século XIX, depois nos Estados Unidos nas primeiras décadas do século XX, a remoção do clitóris era moda.

Alguns médicos cauterizavam com ferro quente. Outros queimavam a vulva inteira com nitrato de prata … Vindo de Istambul o Dr. Demétrio Zambaco, um verdadeiro perverso, tortura duas meninas com indisfarçável prazer. O texto que ele apresentou na Academia de Medicina em 1882 não representou nenhum escândalo. Ele diz: “Eu queria começar a experimentação na pequena Y … (…) Em 8 de setembro, esta pobre criança era toda tremor. Ela me suplica para não queimá-la… (…) Em 11 de setembro, “Você não tem mantido a sua promessa, eu disse a ela, eu vou provar que você está errada… (…) Em 16 de setembro, “nova cauterização, eu aplico três pontos de fogo em cada lábio, e outro sobre o clitóris, para punir a sua desobediência eu cauterizei suas nádegas e costas com um grande ferro.”
Até 1920 (e mesmo depois) os pais tolos continuam a colocar em seus filhos luvas grossas, sem dedos, que eles prendiam firmemente aos pulsos. Depois disso, eles os ajeitavam em suas camas, bem fechados. Nos internatos, supervisores cuidavam para que as crianças sempre dormissem com os braços acima da coberta. À noite, alguns meninos e meninas eram até mesmo enfiados em sacos que os transformam em múmias. Roupas reforçadas, revestida com couro na área genital também eram usadas durante o dia…
Em 1952, na primeira edição do Manual Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), para a Associação Americana de Psiquiatria, os comportamentos sexuais, como masturbação, homossexualidade, felação, cunnilingus e o nomadismo sexual foram classificados como desordem patológica e doença mental.
Novos conceitos
Atualmente os conceitos sobre a masturbação estão bastante mudados. A masturbação passou a ser aceita como uma etapa evolutiva entre o auto-erotismo da criança e a sexualidade do adulto.
investigações no campo da fisiologia sexual ajudaram a eliminar alguns mitos científicos. Um deles foi o mito de que a obtenção do orgasmo por masturbação, no sexo feminino, dependeria sobretudo da estimulação clitorídea e labial. Assim a resposta erótica se concentrou nas estrutras genitais externas.
Posteriormente pesquisadores americanos (William Masters e Virginia Johnson) afirmaram que os orgasmos femininos não deveriam ser divididos em clitorídeos e vaginais, pois constituem um reflexo que inclui um comportamento sensitivo do clitóris e uma resposta motora da vagina.
A idéia de que a masturbação pudesse conduzir a eventuais danos físicos ou mentais também sofreu uma revisão. No início do século XX, alguns médicos atribuíram “doenças terríveis” à prática da masturbação. Contudo, nas décadas de 30 e 40, autores como R.E. Dikerson e Havelock Ellis reconheceram que os primeiros haviam cometido evidentes exageros quanto aos efeitos da prática, mas advertiram que tudo era uma questão de quantidade, ou seja, não seria prejudicial se não fosse praticada em excesso. Como nunca se definiu exatamente quando a prática passava a ser excessiva, gerações continuaram sem saber se a freqüência com que a praticavam era maléfica ou não. Na verdade, até bem pouco tempo (e ainda hoje - apesar dos consideráveis avanços muitos ainda vêem a masturbação como tabu) continua a existir sanção, indireta e sutil, porém tão prejudicial para a personalidade quanto às condenações escancaradas nos períodos passados.