Arquivos de agosto, 2010
Você está procurando arquivos na categoria SexoCult – Sexo e Cultura Arquivadas no blog para agosto, 2010.
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Acabo de concluir a leitura do maravilhoso livro Autobiografia de uma pulga, que ganhei de presente da editora Tipos Móveis (empresa pioneira no ramo editorial, idealizada por Camila Kintzel, profissional que, como eu, tem um pé na Análise do Discurso).

A leitura é fascinante e excitante, capaz de prender o bom leitor até o final. Toda a história é repleta de práticas sexuais variadas, que são originalmente narradas da perspectiva de uma pulga. Perspectiva interessante, pois permite ao autor detalhar os fatos de uma forma bastante diferente e minuciosa.

Em sua magnífica narração, a pulga, que no livro demonstra ter talentos e capacidades humanas como as do “pensamento e observação”, irá descrever as cenas da qual foi testemunha, iniciando o seu percurso erótico ao se “infiltrar” na saia de uma jovem de 14 anos, que inicia sua vida sexual bastante acalorada…

Com uma trama nada católica, ou católica demais para os dias atuais (com tantos escândalos sobre pedofilia), a obra descreve cenas de sexo – em detalhes que só uma pulga poderia testemunhar – que, com toda a razão, a igreja não gostaria que fossem divulgadas por aí nos dias atuais.

A obra, no entanto, não foi escrita hoje. Trata-se de um título inédito em português, considerado um clássico da pornografia vitoriana. Publicada em 1885, anonimamente, sua autoria foi atribuída a um advogado inglês, chamado Stanislas de Rhodes.

Segundo informações contidas no próprio livro, que traz em detalhes as condições de circulação e interdição da obra no período vitoriano (que reprimia fortemente a leitura de obras consideradas eróticas, embora tenha sido um período de fértil produção do gênero) o romance ocupou, “por suas peculiaridades e pela originalidade de sua narrativa”

(…) uma posição ímpar em meio ao grande volume das obras que constituem a literatura libertina vitoriana. A obra é narrada em primeira pessoa por uma pulga que, por seu íntimo contato com a pele humana, consegue testemunhar atos praticados no mais absoluto segredo. (…) elenca uma grande variedade de práticas sexuais consideradas tabu pela rígida sociedade vitoriana a partir de uma perspectiva anticlerical. Tais características conferiram grande popularidade ao romance, que teve várias reedições, ao menos três continuações apócrifas e acabou por se tornar um clássico da literatura libertina. A tradução de Francisco Innocêncio transpõe com maestria as descrições explícitas, o humor anticlerical e o refinamento do estilo vitoriano. (Editora Hedra)
O livro é o sexto título de uma série erótica da editora Hedra, que está montando um catálogo de literatura erótica e pornográfica em língua portuguesa, ainda pouco editada e conhecida pelo público brasileiro.
Os outros títulos da série erótica, para quem quiser acompanhar, são: Sacher-Masoch - A vênus das peles, Oscar Wilde - Teleny, ou o reverso da medalha , Adolfo Caminha - Bom crioulo, François de Sade – O corno de si próprio e outros contos , Swinburne - Flossie, a vênus de 15 anos.
Desejo uma excitante leitura para você também!
Marcos García Díez, é arqueólogo e um dos curadores da exposição “Sexo na pedra”, que será inaugurada no final de setembro próximo em um dos maiores sítios arqueológicos da Espanha, o Atapuerca.

A ideia central da exposição é mostrar que ”o sexo ligado ao prazer e a sensualidade, e não apenas a reprodução, existe possivelmente há 35.000 ou 10.000 anos (…). Podemos encontrar nesse período a base de nosso comportamento sexual”, afirma o arqueólogo.
Foi uma pedra esculpida e quinze esculturas que representam seres humanos em detalhes de sua anatomia – coisa rara no período pré-histórico – que o convenceu a montar a exposição.
As obras nos permitem descobrir, na sua opinião, as posições sexuais mais variadas, com cenas de masturbação, brinquedos eróticos, um caso potencial de bestialidade e até mesmo uma cena voyer.
As placas não são novidade, já foram analisadas antes, mas ficaram guardadas ou nunca foram mostradas a partir deste ponto de vista da sexualidade, principalmente no tocante a expressões de relação homossexual que algumas dessas imagens indicam.
Como afirma o arqueólogo: « Vocês imaginam o que seria descrever em 1930 ou 1960 as cenas que aparecem nessas placas?”
As Vênus paleolíticas, e suas célebres representações dos atributos femininos, também estão presentes na exposição. Elas ilustram “o conceito de mulher ligada à reprodução”, mas enfatiza o curador:
“… nós descobrimos também um mundo que via o sexo como prazer. Há uma gravura sobre uma placa de pedra que mostra uma mulher de quatro diante de uma pessoa. E, coisa rara, uma outra pessoa em close que os observa. Nós não temos conhecimento de uma cena desse tipo, nem podemos afirmar que o voyerismo realmente já existia, mas parece que ele existiu”.
A exposição evocará também objetos esculpidos em forma de falo, em osso ou pedra “bem conservados”, que podem ter servido como objetos eróticos, embora não seja possível dizer se eram usados por homens ou mulheres.
Uma gravura explícita encontrada sobre uma placa de pedra na caverna La Marche, próxima de Poitiers, na França, assim como outros vestígios descobertos na Europa, indicam por outro lado, sem sombra de dúvida, segundo Marcos García, que o sexo oral também já era praticado naquela época.
Alguns observadores vêem duas mulheres nesta cena. E se apoiam em outras famosas relíquias, como as fêmeas de Gönnersdorf, uma gravura de duas mulheres abraçadas encontrada na Alemanha, para afirmar que a homossexualidade existia também desde aquele período.
O curador da exposição defende que apesar das evidências, não é possível provar nenhuma dessas práticas (ou nem todos tem a mesma interpretação).
“É uma mulher ou um homem? Difícil dizer. Uma série de gravuras poderiam efetivamente demonstrar que a homossexualidade existia já naquela época, principalmente porque essas figuras são de nossos semelhantes, biologicamente. Mas isso é cientificamente difícil de provar através de gravuras.
Para Jim Neill, autor das “Origens e papel das relações homossexuais nas sociedades humanas“, é inevitável que as práticas homossexuais tenham existido no período paleolítico”. Explica ele:
” Os comportamentos homossexuais comumente observados nos primatas [...], e sobretudo os comportamentos sexuais mais elaborados, mais próximos dos humanos, mostram que o forte potencial de relações homossexuais é uma característica geral entre os primatas, incluindo os humanos.”
No entanto, como também ocorre em torno das cenas heterossexuais mais ousadas, há um grande silêncio que sempre pesou durante um longo tempo. Reflexo, segundo Jim Neill, do “forte tabu em torno da homossexualidade que reina nas comunidades científicias e acadêmicas até hoje”.
Pergunta: você não acha que a exposição indica que no meio acadêmico e científico a interdição dos atos e práticas homossexuais também pode ser considerada “pré-histórica”, ou seja, as análises deste período histórico sempre foram feitas a partir de um olhar “puritano” que refletem práticas retrógradas e, infelizmente, também ancestrais?
Foto: placa da caverna La Marche, em Poitou-Charentes, datada de 14000 anos (Marcos García Díez). O catálogo da exposição ainda não foi editado, esta foto é a única disponível.
Dedicado a expor fotografias fetichistas, o site francês Fetichic: le magazine de la photographie fétichiste, busca preservar a arte do fetiche, expondo uma variedade de fotos e artistas em toda a diversidade que o gênero permite.

Segundo o editorial do site, a ideia da revista eletrônica surgiu diante do desaparecimento gradual de revistas especializadas no tema fetichista e a queda de influência da mídia tradicional nessa área.
O objetivo não é “substituir os sites pessoais dos fotógrafos, mas oferecer uma lista abrangente e o mais variada possível” do gênero e seus muitos artistas, afirmam os editores.

As fotos são acompanhadas da referência dos artistas (sites e portfólio pessoais) e uma pequena entrevista (em francês) com o artista, composta de três perguntas:
1) Qual sentimento você deseja passar com suas fotos?
2) Quais são suas influências?
3) Você realiza unicamente fotos fetichistas?

A visita vale a pena, mesmo para aqueles que não lêem francês. Afinal, o site é uma ótima fonte de referências em imagens fetichistas e, claro, as imagens valem mais do que mil entrevistas!