Arquivos de ‘Curiosidades/Notícias’ Categorias
Você está procurando arquivos na categoria Curiosidades/Notícias .
Você está procurando arquivos na categoria Curiosidades/Notícias .
Marcos García Díez, é arqueólogo e um dos curadores da exposição “Sexo na pedra”, que será inaugurada no final de setembro próximo em um dos maiores sítios arqueológicos da Espanha, o Atapuerca.

A ideia central da exposição é mostrar que ”o sexo ligado ao prazer e a sensualidade, e não apenas a reprodução, existe possivelmente há 35.000 ou 10.000 anos (…). Podemos encontrar nesse período a base de nosso comportamento sexual”, afirma o arqueólogo.
Foi uma pedra esculpida e quinze esculturas que representam seres humanos em detalhes de sua anatomia – coisa rara no período pré-histórico – que o convenceu a montar a exposição.
As obras nos permitem descobrir, na sua opinião, as posições sexuais mais variadas, com cenas de masturbação, brinquedos eróticos, um caso potencial de bestialidade e até mesmo uma cena voyer.
As placas não são novidade, já foram analisadas antes, mas ficaram guardadas ou nunca foram mostradas a partir deste ponto de vista da sexualidade, principalmente no tocante a expressões de relação homossexual que algumas dessas imagens indicam.
Como afirma o arqueólogo: « Vocês imaginam o que seria descrever em 1930 ou 1960 as cenas que aparecem nessas placas?”
As Vênus paleolíticas, e suas célebres representações dos atributos femininos, também estão presentes na exposição. Elas ilustram “o conceito de mulher ligada à reprodução”, mas enfatiza o curador:
“… nós descobrimos também um mundo que via o sexo como prazer. Há uma gravura sobre uma placa de pedra que mostra uma mulher de quatro diante de uma pessoa. E, coisa rara, uma outra pessoa em close que os observa. Nós não temos conhecimento de uma cena desse tipo, nem podemos afirmar que o voyerismo realmente já existia, mas parece que ele existiu”.
A exposição evocará também objetos esculpidos em forma de falo, em osso ou pedra “bem conservados”, que podem ter servido como objetos eróticos, embora não seja possível dizer se eram usados por homens ou mulheres.
Uma gravura explícita encontrada sobre uma placa de pedra na caverna La Marche, próxima de Poitiers, na França, assim como outros vestígios descobertos na Europa, indicam por outro lado, sem sombra de dúvida, segundo Marcos García, que o sexo oral também já era praticado naquela época.
Alguns observadores vêem duas mulheres nesta cena. E se apoiam em outras famosas relíquias, como as fêmeas de Gönnersdorf, uma gravura de duas mulheres abraçadas encontrada na Alemanha, para afirmar que a homossexualidade existia também desde aquele período.
O curador da exposição defende que apesar das evidências, não é possível provar nenhuma dessas práticas (ou nem todos tem a mesma interpretação).
“É uma mulher ou um homem? Difícil dizer. Uma série de gravuras poderiam efetivamente demonstrar que a homossexualidade existia já naquela época, principalmente porque essas figuras são de nossos semelhantes, biologicamente. Mas isso é cientificamente difícil de provar através de gravuras.
Para Jim Neill, autor das “Origens e papel das relações homossexuais nas sociedades humanas“, é inevitável que as práticas homossexuais tenham existido no período paleolítico”. Explica ele:
” Os comportamentos homossexuais comumente observados nos primatas [...], e sobretudo os comportamentos sexuais mais elaborados, mais próximos dos humanos, mostram que o forte potencial de relações homossexuais é uma característica geral entre os primatas, incluindo os humanos.”
No entanto, como também ocorre em torno das cenas heterossexuais mais ousadas, há um grande silêncio que sempre pesou durante um longo tempo. Reflexo, segundo Jim Neill, do “forte tabu em torno da homossexualidade que reina nas comunidades científicias e acadêmicas até hoje”.
Pergunta: você não acha que a exposição indica que no meio acadêmico e científico a interdição dos atos e práticas homossexuais também pode ser considerada “pré-histórica”, ou seja, as análises deste período histórico sempre foram feitas a partir de um olhar “puritano” que refletem práticas retrógradas e, infelizmente, também ancestrais?
Foto: placa da caverna La Marche, em Poitou-Charentes, datada de 14000 anos (Marcos García Díez). O catálogo da exposição ainda não foi editado, esta foto é a única disponível.
O erotismo é para todos! E quando os olhos não podem ver, quando eles não são mais o vetor principal para se observar os estímulos eróticos, os dedos os substituem. Não para substituir a visão, mas para que vejamos verdadeiramente uma imagem através dos dedos.

Muitos de nós fazemos da visão a nossa principal fonte de excitação: o lindo par de pernas que passa em nossa frente, os planos fotográficos dos filmes pornôs, a realização de fantasias eróticas que envolvem roupas e cenários; Quase tudo envolve nossa visão, que envolve nossos sentidos e sensações. É por isso que ser (estar) cego é, para muitos, ser privado de um importante recurso de excitação sexual.
Nos anos 70 a Playboy, sabendo disso, publicou uma edição em braille. Mas somente os textos foram adaptados, não as imagens. A questão é: por mais maravilhosos que fossem os textos, quantas pessoas que enxergam comprariam uma Playboy sem imagens?
A indústria erótica dá um passo à frente, publicando a revista com imagens em braille. A idealizadora da revista é Lisa Murphy que intitulou a obra de “Tátil Minds”, aliando textos picantes a imagens táteis de homens e mulheres nus. ”Ver” em grande plano uma vagina não é mais um interdito para os homens cegos, assim como as mulheres podem “ver” um homem nú com o toque dos dedos.
Obviamente, é dificil para os que enxergam verem erotismo nas imagens em braille. As poucas fotos divulgadas da revista, que circulam na internet, não me parecem muito agradáveis, são, inclusive, um pouco fantasiosas: homens rôbos, mulheres com cabeça “quadrada”, corpos grossamente desenhados etc.

Será que os cegos se interessam realmente por essas representações de erotismo? Talvez as imagens sejam mais atraentes para os dedos do que para os olhos, não sei. A iniciativa é boa, agora, podemos avançar e pensar em como levar para os cegos algo mais artístico sobre o nú e o erotismo, penso que o nú comum, o corpo seco: peito, bunda, perna, vagina e pênis, eles já devem ter “tocado”.
A revista tem 17 imagens e custa 150 dólares, ou seja, “nem todo cego pode ver” imagens eróticas (desculpem o trocadilho); principalmente se considerarmos que, segundo a autora da revista, não há outros livros ou revistas de nus tátil para adultos.
O fotógrafo Spencer Tunick, conhecido mundialmente por suas fotos de nudez, realizou seu último feito na Gay and Lesbian Parade Mardi Gras da Austrália, que este ano começou no dia 19 de fevereiro e terminará dia 7 de março, com cerca de 5.000 modelos nus, em frente a Ópera de Sydney.

Spencer é convidado, frequentemente, para participar de causas humanísticas (Greenpeace, combate à AIDS) e agora exerceu o seu talento na Parada Gay e Lésbica australiana.
Segundo o fotógrafo, “Os homossexuais estavam deitados lado a lado, nus. Isso mostra ao mundo que os australianos estão fortemente empenhados na construção de uma sociedade livre e igualitária.”
Tunick é americano, nasceu em Nova Iorque, em 1967. No início de sua carreira seus modelos eram os amigos, que posavam para as fotos de madrugada, para evitar problemas com a justiça.

Ele afirma que a nudez em suas obras não tem por objetivo excitar ou provocar uma emoção erótica no espectador, embora alguns possam sentir algum tipo de excitação. Os modelos são geralmente muito diferentes, pequenos, grandes, gordos e magros e não oferecem, geralmente, nenhuma beleza particular.

Tunick busca com suas imagens mostrar, antes de tudo, uma espécie de arquitetura humana, expondo a fragilidade do homem diante da natureza (como nas fotos do Greenpeace), ou enfatizando o contraste entre o homem e seu entorno…
Para conhecer algumas das obras de Spencer Tunick acesse sua Web Gallery em www.artnet.com, ou visite o site do fotógrafo www.spencertunick.com
A partir de hoje passo a assinar, também, uma coluna em outro site de conteúdo adulto. Obviamente, serão artigos diferentes dos que público por aqui, mas também terão foco na relação sexo-cultura.

Bruna Surfistinha, Syang, Fernanda Lizardo (Sexto Sexo), Alê Félix, Barong, David Cardoso, Lourdes Hernandez, Tatiana Presser (Sexpert) e eu, Julia Tenório (SexoCult), estamos agora reunidos no site: Não, não para…
O site, idealizado e organizado por Alê Felix, Syang e Bruna Surfistinha, tem como objetivo produzir conteúdo adulto voltado para mulheres. Então, mulheres, mais um canal com conteúdo informativo, cultural e apimentado!
Visite-nos! www.naonaopara.com.br
Neste último dia de 2009 quero agradecer aos leitores pela rápida e inesperada acolhida desde os primeiros dias de criação deste blog, em Maio deste ano.

Agradeço o carinho, os comentários e as mais de 70.000 páginas vistas. Agradeço também pelas mais de 300 visitas diárias. É, sinceramente, uma honra saber que vocês retornam a este blog todos os dias…
Quando iniciei o blog, em Maio, não esperava, realmente, fazer leitores cativos tão rapidamente, principalmente porque o tempo não me permite fazer nenhum tipo de divulgação ou novas interações pela rede… Todo meu tempo livre é dedicado a escrever e postar (lógico que faço minhas visitinhas sacanas “risos”). Por isso, agradeço também aos meus amigos blogueiros que referenciaram e prestigiaram este blog.
Queridos, muito obrigada mesmo. Em 2010 vou dedicar um tempo especial às minhas pesquisas, traduções e leituras sobre sexo e cultura para lhes oferecer textos melhores (fim de ano sem promessas não é fim de ano)
Desejo a todos um 2010 repleto de Sexo e Cultura… E que o amor e o desejo vençam todas às intempéries, rotinas e desgastes do dia a dia.
Feliz 2010!!
Júlia Tenório