Category Archives: Sexo e Literatura

“A mulher de leão, mesmo sem fome, pega, mata e come!”

Ah, a poesia! Nada alegra mais o meu dia, nada me deixa mais feliz do que ler um belo poema, desses que falam com a gente, que botam a gente sorridente, que afirmam nossas impressões…

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Hoje descobri, pelo twitter, que a poesia completa de Vinicius está disponível em www.brasiliana.usp.br. Lá, uma obra maravilhosa: Um signo, uma mulher. A partir de cada signo o poeta define várias mulheres.

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Leonina que sou, liberal e antagônica que sou, que alegria! Que satisfação, quando li o poema da mulher de leão! Pura verdade poética!

LEÃO

A mulher de Leão
Brilha na escuridão.

A mulher de Leão, mesmo sem fome
Pega, mata e come.

A mulher de Leão não tem perdão.

As mulheres de Leão
Leoas são.

Poeta, operário, capitão
Cuidado com a mulher de Leão!

São ciumentas e antagônicas
Solares e dominicais
Igneas, áureas e sardônicas
E muito, muito liberais.

(Vinicius de Moraes)

Minha sexualidade é um crime!

Eles moram no Afeganistão, no Iemen, na Malásia ou na Jamaica… Eles pertencem a diferentes religiões: evangélicos, mulçumanos, católicos ou ateus…

O que eles tem em comum? São gays e são, igualmente, vítimas e testemunhas da discriminação.

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Graças a ajuda de alguns sites de encontros, Philippe Castetbon recolheu os testemunhos e as fotos de homens gays de 51 países (de A como Afeganistão a Z como Zimbabue), onde a homosexualidade é proibida por lei.

Condenados, excluídos, violentados, humilhados e, muitas vezes, mortos, eles falam sobre seus medos, sobre mentira e sobre as humilhação.

Cada um produziu um autoretrato original de sua vida no país, publicando, anonimamente, sua visão sobre a situação. A internet, nesse sentido, os ajuda a realizar as denúncias sem medo do reconhecimento e da punição.

Uma exposição sobre a liberdade de ser e de amar, que virou livro.

Les condamnés” (Os condenados), publicado pelas Edições H&O, estará nas livrarias européias a partir de 5 de fevereiro de 2010.

Sexo Casual

Ao reler algumas páginas de minha agenda do ano passado encontrei um texto de Carina de Luca, que escreveu alguns poemas para a agenda da Tribos em 2009. Achei interessante e resolvi compartilhar. Aí está.

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Sexo casual sincero pode ser mais digno do que um suposto amor pra sempre – do véu e grinalda ao ódio preso entre agulhas de crochê e uma cadeira de balanço. Pode ser feito com respeito.  Ao menos, mais consideração do que a que (não) há pelos aniversários de casamento, de namoro, de filhos.  Pode ser epifânico.  Enquanto isso, onde os alumbramentos com a convivência? Pode ser amor – ainda que instantâneo e rapidamente findo. Melhor que sentimento cheirando a guardado em algum fundo de gaveta. (Carina de Luca – Livro da Tribos, 23 Ago 2009)

C´est vrai!

Felação

Queridos leitores, peço desculpa pela ausência, novamente fui “devorada” pelos deveres acadêmicos…

E, aproveitando os “ares” acadêmicos, trago para vocês um delicioso poema “garimpado” de sites locais, mais precisamente do blog do professor Marciano Lopes e Silva, o MetAArte.

O poema é do colega-  do mundo das Letras da UEM (Universidade Estadual de Maringá) – Fábio Freitas (Sansão) e foi apresentado no II Sarau Outras Palavras (clique aqui para saber do próximo evento Outras Palavras) por Nívea Martins.

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Felação

essa lisa bela face
nessa pura pele-seda
esse vem-de-sobrancelha
nessa afago-olhar que queima
esse toque tanto tenta
nesse tato lacuna-seio
essa louca língua ao falo
dessa boca-forno-abrigo
esse grande lábio à glande
esse sorve-beija-lambe
nesse silvo-sortilégio
desse ereto rito herege

apnéia-me
derrama-me
enfarta-me
mata-me

essa faro-fome come
esse couro-nervo-carne
esse curvo cerne duro
e essa boca-guloseima
lambuza mucosas-seivas
deglute figos suor-azeite
sorri madrepérola-leite
torna tênues tabus-recatos
nessa pura pele-seda
dessa lisa bela face

poema: Fábio Freitas ( Sansão)
intérprete: Duda (Nívea Martins)
www.nomeiodocaminho.com.br

Para refletir

Para pensarmos…uma epígrafe

“Por que tudo gira assim em torno do sexo?
Porque o sexo é um objeto desconsiderado, que está se transformando num outro. Nós resolvemos experimentar este outro, e decidimos ficar com ele. “   Antonin ARTAUD