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Enquanto muitas mulheres ficam se perguntando se o orgasmo das outras são ou não são mais intensos do que os delas, uma outra mulher foi em busca da resposta. Kim Wallen, professora da Universidade Emory, nos Estados Unidos, estudou a relação entre a distância do clitóris e a vagina.
Para ela, se a distância entre os dois é menor que 2,5 centímetros, as mulheres podem obter orgasmos por penetração simples.
De outra forma precisariam obter estímulo extra para alcançar o êxtase.
Seu estudo, no entanto, afirma que só 7% das mulheres alcançam o orgasmo, somente com a penetração, 27% não alcançam jamais.
Mulheres: nós podemos até sair correndo para medir a distância entre nossas vaginas e nossos clitóris, só para confirmar ou rejeitar o estudo de Kim, mas nada de tentar conciliar os dois por cirurgia, como fez Marie Bonaparte, em seu tempo.
Isso seria muito prejudicial…e, inclusive, existem outras milhares de possibilidades para começarmos a desfrutar do prazer usando, preferencialmente, a imaginação.
Os alemães se redescobriram depois da queda do muro de Berlim, há vinte anos atrás.
Mais do que simples diferenças são duas sociedades opostas que se reencontraram, no entanto as duas são parte de uma única gente. A queda do muro revelou muitas diferenças, inclusive as diferentes sexualidades na RFA e na RDA.

Nos últimos dias, por ocasião das comemorações da queda do muro, os jornais recontaram toda a história alemã. Mas poucos descreveram o que significou esta separação em termos de sexualidade…
Na RFA, liberdade ou capitalismo?
Quando o muro caiu, a primeira coisa que fizeram os alemães do lado leste foi correr para os sex-shops. Eles sabiam muito bem que no lado ocidental, a revolução sexual tinha permitido a pornografia, eles poderiam agora descobrir pequenos segredos: ” visitamos os sex-shops em pares, por vezes, até as avós foram às lojas segurando uma criança pela mão…queríamos descobrir tudo o que o ocidente tinha para oferecer”, lembra Kurt Starke, um sociólogo de Leipzig, na ex-RDA. A Alemanha do ocidente apareceu então como um paraíso da liberdade sexual, onde o prazer sem limites contribuiu para o desenvolvimento da prostituição e da pornografia. Mas a louca busca por sex-shops cessa rapidamente. Se a Alemanha do leste se adapta rapidamente aos sex-shops, ao cinema pornô, o sucesso não dura muito. Por causa do desemprego, o alto custo dos brinquedos eróticos e outros tesouros do mercado do sexo, ainda existe um enorme fosso entre o leste e o ocidente. Beate Ushe afirma que a maior parte das vendas do ramo são nas cidades ocidentais.
Na RDA, nostalgia do amor “diferente”?
Os germânicos sabem que a Freikoerperkultur é uma instituição na Alemanha. A “cultura do corpo livre”, faz apologia ao nudismo, pelo simples prazer de viver nú, especialmente em feriados. E esta cultura nasceu no lado do leste. Enquanto a lei proíbia as pessoas de assistirem filmes pornôs e a prostituição era ilegal, o nudismo foi perfeitamente legal e inclusive muito praticado, pois não se tratava de sexo em si. A cultura da vida simples da Alemanha do leste foi exportada para o ocidente, onde os almães levaram tempo para iniciá-la devido ao pudor e também pelas normas diárias.
Mas porque este amor “diferente”, essa cultura dos prazeres simples, está hoje desaparecendo?
Porque, enquanto no lado ocidental, a libertação sexual significava filmes pornôs e prostituição, no leste, o governo se ocupava de educar os casais para o prazer. A sexualidade não era simplesmente um tabu, ela contribuía para o desenvolvimento dos alemães… Mas tais inciativas não existem mais nos dias atuais na Alemanha, por lá a sexualidade da Alemanha ocidental teve a última palavra.
Para continuar no tema <<masturbação>>…
Uma herança biológica
Os estudos antropológicos indicam que, na maioria das sociedades humanas, independentemente dos princípios éticos, pelo menos alguns de seus membros se masturbam.

A tendência para estimular os próprios órgãos genitais é uma capacidade que os indivíduos das sociedades civilizadas compartilham não apenas com os povos primitivos, como também com várias espécies de mamíferos.
Um dos objetivos do estudo da masturbação, nas várias culturas humanas e em outras espécies de mamíferos, é o de avaliar até que ponto alguns aspectos do comportamento sexual são transmitidos como parte da herança evolucionária entre as espécies. Alguns estudos permitem, inclusive, concluir que alguns procedimentos adotados pelo homem em seu comportamento sexual - inclusive os considerados anormais pelos códigos morais de algumas religiões - são na verdade características básicas de todos os mamíferos.
Várias espécies de mamíferos adotam a masturbação como complemento ou até mesmo como substituto eventual do coito. Entre os macacos, verificou-se que os machos a praticam com mais freqüência do que as fêmeas. Alguns zoólogos indicam que não só os primatas, mas outras ordens de mamíferos também se masturbam: ratos, coelhos, doninhas, cavalos, vacas, elefantes, cachorros, gatos, esquilos e porco-espinho.
E Freud, o que tem com isso?
Você conhece Marie Bonaparte? descendente do irmão do imperador Napoleão, princesa da Grécia e da Dinamarca, ela salvou a vida de Freud.

Enquanto os nazistas estavam no poder, e, 1938 ela convenceu Freud a ir para o exílio com sua família e lhe adiantou o dinheiro da caução que os alemães chamavam de “taxa de saída”. Freud reembolsou este dinheiro mais tarde, uma vez em segurança para morrer de seu câncer (em 23 de setembro de 1939)… Quanto à Marie Bonaparte, esta não cessaria nunca de defender a obra de seu querido mestre: ela considerava Freud como o único psicanalista confiável e foi com ele que ela se consultou durante anos, em seu divã… Para seu infortúnio.
Seu infortúnio com Freud ocorreu porque - apesar de todas as teorias engenhosas que ele fez avançar sobre a noção de sonho ou do inconsciente - ele defendeu as idéias deploráveis sobre a sexualidade feminina. Deplorável? Não, pior. Segundo Freud, uma mulher que se uma mulher que se masturba na idade adulta não é uma verdadeira mulher. Sob a influência dessa teoria, Marie Bonaparte, que (como a maioria das mulheres) tinha dificuldades de gozar apenas com a penetração - operou seu sexo em várias ocasiões… É uma das primeiras mulheres no mundo a sofrer operações de cirurgia plástica genital. Para as vítimas de Freud, ser clitoridiana é ser frígida.
Convencida de que era anormal, a princesa dedicou toda a sua vida para “consertar” a vagina, que continuava surda as penetrações. Para superar esta “frigidez”, ela acreditava que faltava aproximar o clitóris da vagina… Em três ocasiões entre 1927 e 1931, a infeliz se fez mutilar, massacrar, por cirurgiões que não eram mais do que crianças de bisturi. Freud queria que ela se “curasse” só pela psicanálise. Mas nada - nem facas, nem sofá - permitiram à Marie Bonaparte “tornar-se uma mulher de verdade.”
Em sua busca pelo prazer vaginal, a princesa irá encontrar inclusive outras “doentes” que, como ela, só obtinha o prazer pela estimulação do clitóris. Em 1929, em Berlim, ela escreve em um texto, intitulado Notas sobre a excisão, que ela conheceu uma jovem alemã “que sofria de masturbação compulsiva, que havia sofrido várias mutilações cirúrgicas sem sucesso”: a paciente cortou a glande clitoridiana… Sem resultado, é claro. Para gozar, ela continuava a acariciar esta zona, esfregando a cicatriz com desespero…
Em Médicos e sexualidades, Yves Ferroul, historiador de sexologia, nota que este modo de intervenção médica começa no século XVIII: primeiro colocamos anéis de metal no prepúcio dos meninos e nos grandes lábios das meninas, para que eles não tivessem relações sexuais antes da noite de núpcias. Um cinto de castidade radical. Mas, como a infibulação não impede as meninas de se tocar e algumas usam as presilhas para massagear seu sexo, os cirurgiões, muito rapidamente, recomendavam a excisão. “Se o clitóris se revela uma fonte de excitação constante, devemos considerá-lo como uma doença, e remoção é legal”, explicavam sabiamente os doutores (que esqueceram de sugerir que cortassem a língua dos grandes comedores) …
Coisas do século passado?
Na Inglaterra nos anos de 1860, na Áustria, na França até o final do século XIX, depois nos Estados Unidos nas primeiras décadas do século XX, a remoção do clitóris era moda.

Alguns médicos cauterizavam com ferro quente. Outros queimavam a vulva inteira com nitrato de prata … Vindo de Istambul o Dr. Demétrio Zambaco, um verdadeiro perverso, tortura duas meninas com indisfarçável prazer. O texto que ele apresentou na Academia de Medicina em 1882 não representou nenhum escândalo. Ele diz: “Eu queria começar a experimentação na pequena Y … (…) Em 8 de setembro, esta pobre criança era toda tremor. Ela me suplica para não queimá-la… (…) Em 11 de setembro, “Você não tem mantido a sua promessa, eu disse a ela, eu vou provar que você está errada… (…) Em 16 de setembro, “nova cauterização, eu aplico três pontos de fogo em cada lábio, e outro sobre o clitóris, para punir a sua desobediência eu cauterizei suas nádegas e costas com um grande ferro.”
Até 1920 (e mesmo depois) os pais tolos continuam a colocar em seus filhos luvas grossas, sem dedos, que eles prendiam firmemente aos pulsos. Depois disso, eles os ajeitavam em suas camas, bem fechados. Nos internatos, supervisores cuidavam para que as crianças sempre dormissem com os braços acima da coberta. À noite, alguns meninos e meninas eram até mesmo enfiados em sacos que os transformam em múmias. Roupas reforçadas, revestida com couro na área genital também eram usadas durante o dia…
Em 1952, na primeira edição do Manual Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), para a Associação Americana de Psiquiatria, os comportamentos sexuais, como masturbação, homossexualidade, felação, cunnilingus e o nomadismo sexual foram classificados como desordem patológica e doença mental.
Novos conceitos
Atualmente os conceitos sobre a masturbação estão bastante mudados. A masturbação passou a ser aceita como uma etapa evolutiva entre o auto-erotismo da criança e a sexualidade do adulto.
investigações no campo da fisiologia sexual ajudaram a eliminar alguns mitos científicos. Um deles foi o mito de que a obtenção do orgasmo por masturbação, no sexo feminino, dependeria sobretudo da estimulação clitorídea e labial. Assim a resposta erótica se concentrou nas estrutras genitais externas.
Posteriormente pesquisadores americanos (William Masters e Virginia Johnson) afirmaram que os orgasmos femininos não deveriam ser divididos em clitorídeos e vaginais, pois constituem um reflexo que inclui um comportamento sensitivo do clitóris e uma resposta motora da vagina.
A idéia de que a masturbação pudesse conduzir a eventuais danos físicos ou mentais também sofreu uma revisão. No início do século XX, alguns médicos atribuíram “doenças terríveis” à prática da masturbação. Contudo, nas décadas de 30 e 40, autores como R.E. Dikerson e Havelock Ellis reconheceram que os primeiros haviam cometido evidentes exageros quanto aos efeitos da prática, mas advertiram que tudo era uma questão de quantidade, ou seja, não seria prejudicial se não fosse praticada em excesso. Como nunca se definiu exatamente quando a prática passava a ser excessiva, gerações continuaram sem saber se a freqüência com que a praticavam era maléfica ou não. Na verdade, até bem pouco tempo (e ainda hoje - apesar dos consideráveis avanços muitos ainda vêem a masturbação como tabu) continua a existir sanção, indireta e sutil, porém tão prejudicial para a personalidade quanto às condenações escancaradas nos períodos passados.
Tão antiga quanto a própria humanidade, a masturbação é praticada pela maioria dos homens e das mulheres durante grande parte de suas vidas.

Considerando alguns pedidos; o fato de que ainda não havia falado sobre este tema (diretamente), e, ainda, o excelente material que descobri sobre o assunto, resolvi transcrever os itens mais relevantes de um livro que chegou em minhas mãos recentemente - AMAR: A realidade sobre a vida sexual. Editora Abril. 1977 - devido a data da publicação vou intercalar os estudos apresentados pelo livro (que estarão em itálico) com algumas impressoes e observações que tive ao pesquisar sobre o tema na Internet, acho que pode dar um diálogo legal. Aceito sugestões para o próximo post que será continuação do tema.
Masturbação
A palavra masturbação- citada pela primeira vez pelo poeta Marcial, no século I d.C - tem conotação acentuadamente negativa, pois deriva de “manu” e “strupare”, que significa “sujar com as mãos”.
A maioria das pessoas sente-se envergonhada e culpada por se entregar à masturbação. Alem disso, há o receio infundado de que esse ato solitário provoque toda sorte de distúrbios físicos e mentais.
E, mesmo com as inúmeras confissoes que temos hoje na Internet, observa-se um grande número de questões e dúvidas sobre o ato, encontrei vários fóruns discutindo se masturbação é pecado ou não. Mas porque esse tipo de discussão ainda hoje?
Além do sentimento de culpa, há outras razões que podem levar uma pessoa a evitar a masturbação, ou, pelo menos, a praticá-la com menos frequência. Muitas mulheres, por exemplo, recusam-se a adotar esse hábito por sentirem-se diminuídas ao obterem um orgasmo exclusivamente pela estimulação do clitóris. Essa preocupação aponta para uma acentuada pressao cultural que diz que o orgasmo verdadeiro é aquele obtido na relação sexual com o parceiro, o orgasmo solitário não é saudável, a mulher que se masturba não é capaz de se satisfazer com o parceiro, etc…
No entanto, muitas pesquisas já indicaram não haver qualquer relação significativa entre a frequência de masturbações e o número de coitos praicados pelas mulheres entrevistadas; ou seja, o fato de elas se masturbarem não diminui seu interesse pela atividade sexual.
A Masturbação é prejudicial?
Segundo o ponto de vista médico atual, não há relação entre a masturbação e as doenças de qualquer espécie. Portanto, muitas das preocupações e medos - manifestados como: o fato da masturbação impedir a gravidez, fazer crescer mamas nos homens, prejudicar a relação sexual com o marido, provocar um desenvolvimento exagerado da vulva ou diminuição do pênis - são totalmente infundadas. Mas a força das crenças populares e de mitos criados pela própria medicina alimentaram grande número desses medos que aparecem na fala de diferentes sujeitos até hoje.
Até o ínicio do século XX, muitos médicos acreditavam que essa atividade “enfraquecia” as pessoas, provocava doenças e até produzia insanidade mental se praticada em excesso. Essa crença se originou, aparentemente, da observação de doentes mentais que se masturbavam nos manicômios. Os médicos da época não se deram conta de que aqueles pacientes, por estarem internados, não tinham outras alternativas para aliviar sua tensão sexual, a nao ser por meio da masturbação. Contudo, as observações médicas levaram à conclusão de que tinha sido ela a causa da demência daqueles pacientes. Tratados médicos do século passados continham descrições minuciosas de outras “horrorosas consequências” supostamente provocadas pela masturbação: tuberculose, verrugas e pêlos nas mãos, acne, perturbações digestivas, esterilidade, cegueira, crianças defeituosas, dores de cabeça, prblemas nos seios, anomalias genitais, doenças renais e outros distúrbios.
Para encerrar essa discussão inicial, observe a imagem do famoso quadro Philippe Pinel e as Loucas, de T.R.Fleury, Paris.

Quais seriam os novos conceitos sobre a masturbação? continua no próximo post.
Alguns sexólogos afirmam que os vibradores podem viciar. O artista francês Yann Minh participa, em 30 de setembro, de um colóquio sobre o fenômeno “narcose narcísica” provocada pelo uso, entre outras coisas, das máquinas de sexo.
Então, o que será? adicção ou exploração?
Em Nancy, no mês de Outubro, robôs de sexo e humanos portadores de implantes fálicos passam um final de semana no Festival Internacional de Body Arte, que ocorre no chamado T.O.T.E.M. Souterrain Porte V, dança, espetáculos de rua, concerto e noites de fetiches sobre o tema dos híbridos homens-máquinas. “Nós somos todos híbridos”, explicam os programadores. “Quando o primeiro homem levantou seu primeiro osso para o céu, ele brandiu sua primeira prótese. As armas são próteses. Os brinquedos são próteses. Não sabemos nem mesmo qual deles veio primeiro. Armas ou vibradores?”
Para Yann Minh, artista ciber-punk e criador do “nooscaphe” (uma máquina de beijo imersiva), é o brinquedo erótico que inaugura a era dos humanos sobre a terra. “Me parece certo que os primeiro objetos humanos não foram as facas ou os martelos de madeira como nos contam na escola, mas sim os brinquedos eróticos… que foram progressivamente se transformando em armas, por projeção sexual metafórica.”
Segundo crê Yann Minh, os antropólogos - “sobretudo os católicos” - ocultaram conscientemente a importância do prazer sexual em nossos estudos sobre a humanidade primitiva, para privilegiar as noções de culto à fecundidade.
“Portanto os objetos ditos itifálicos, e as representações sexuais explícitas (…) apareceram ao mesmo tempo que os demais objetos, e não é possível até o momento determinar a anterioridade de uns sobre os outros…há grandes chances, no meu ponto de vista, que o primeiro objeto inventado pela humanidade, agora ancestral da máquina, tenha sido um vibrador, e que foi uma mulher que o inventou.” Diz, Yann Minh
Pode parecer bobagem afirmar que nossos ancestrais tenham desenhado objetos eróticos. Imaginamos que eles tinham coisa melhor a fazer: colher, caçar, pescar, lutar, matar. Sobreviver, afinal. Mas o exame dos objetos primitivos mostra que os homens da pré-história passavam muito tempo talhando, pintando, lixando e polindo objetos de formas arredondadas, em longas noites ao redor chamas de um fogo crepitante.
Mesmo a invenção do fogo testemunha a atenção e paciência em observar os movimentos de vai e vem. “O amor é a primeira hipótese cientifica para a reprodução objetiva do fogo.” diz Bachelard (A psicanálise do fogo). Imitando o ato primordial, nossos ancestrais esfregaram os materiais, até que eles ficassem brilhantes, doces, lisos e penetrantes. Até que eles coubessem na palma da mão e representassem simbolicamente seus corpos (…)
Em “L’amour des gadgets, Narcisse et la narcose” (capítulo 4- Para compreender as mídias), Marschal Mc Luahn escreve:
“ O jovem Narciso toma por uma outra pessoa sua própria imagem refletida nas águas de um rio. Esse prolongamento de si mesmo num espelho confunde sua percepção ao ponto dele acreditar ser este um mecanismo de sua própria imagem que se prolongava repetidamente. (…) O que há de interessante nesse mito, é que ele mostra que os homens são automaticamente fascinados por uma extensão deles mesmos feita de um material diferente deles.”
Yann Minh observa que “os objetos são extensões de nós mesmos que, amplificam nossas funções psíquicas ou cognitivas provocando um estado de estupefação pela sua própria imagem. Nós somos fascinados pela imagem do cyborg ….E, ainda, como somos humanos, diz ele: sucumbimos ao poder que nos confere as máquinas. Quando dirigimos um carro, prótese dos pés, nós nos achamos tão poderosos que dirigimos pelo simples prazer de correr até a vertigem. Uma vez que os limites do carro aguente - como se a simbiose fosse total. É o que Marshall Mac Luhan chama de “narcose narcísica”, agora eles dominam as máquinas.
Os jogadores de vídeo games, os utilizadores de sextoys, os maníacos por aparelhos fotográficos não são mais ou menos “viciados” em suas próteses que os automobilistas, porque eles exploram os novos mundos que lhes oferecem esses objetos. Eles aprendem a se servir deles. Mas atenção: ” Isso não tem nada a ver com os estados dependentes provocados por certas drogas”, observa Yann Minh. “A diferença entre uma real adicção e a narcose narcísica, é que uma vez observado os limites de nosso corpo com esses objetos tecnológicos, nós saímos deste estado de estupefação sem um domínio cognitivo, pelo contrário, nós “voltamos ao mundo” mais fortes pela nova experiência. Nada mais natural, portanto, que este desejo incessante que temos de amplificar nosso corpo: “o uso de instrumentos sexuais, entre outros, faz parte inerente de nossa humanidade. Porque o humano é - desde sua origem - um cyborg, ou seja, um ser que procura sem cessar se relacionar com objetos que lhe deixem mais bonitos, maiores, mais fortes, mais rápidos …”. Isso nos faz deduzir que os vibradores são indispensáveis?
Não necessariamente, diz Yann Minh. “Esses objetos podem inclusive ter o papel inverso, quase castrador”. Para Yann, grosso modo, os vibradores comuns não oferecem ao seu utilizador uma imagem sublimada dele mesmo. Eles não estimulariam, portanto, a imaginação. Sua forma nos remete a sua função puramente prosaica. Podemos considerar, assim, que o efeito de narcose narcísica ficará relativamente reduzido. Isso explicaria a atração exercida pelas novas tecnologias já que, em matéria de erotismo, os robôs e os mundos virtuais oferecem um terreno bastante fértil à imaginação.
“Os jogos imersivos e interativos online, os mundos oferecidos com suas projeções identitárias em forme de avatares audiovisuais, iconográficos, fotográficos, amplificam os processos cognitivos ligados á sexualidade como a sedução, a exibição, o voyeurismo, o fetichismo, e as essas extensões cognitivas, se unem aquilo que os anglo saxões chamam pelo belo nome de (Teledildonic), que são, basicamente, vibradores tele operados pela Internet via USB, oferecendo estimulação cognitiva e estímulos físicos. Esse conjunto (computadores, mundos virtuais, teledildonics, inúmeras redes sociais) produzem uma máquina complexa para o desempenho sexual e emocional amoroso, uma variedade e complexidade comparável a que produz o automobilismo ou o avião para a motricidade, a foto e o vídeopara a memória, as armas para a guerra. E, de fato, possui muito mais utilizadores, um fenômeno próximo e similar a narcose narcísica, que pode dar uma impressão de adicção.” Yann Minh
Yann Minh sabe alguma coisa sobre mundos virtuais, afinal em 30 de Setembro ele se apresentou em Nancy, para testemunhar sua própria experiência de imersão extrema nos universos virtuais. Ele passou dois anos no Second Life, “de 4h a 12h por dia” e relatou suas conclusões no colóquio “Robots Hybrides Cyborgs” que tratou, entre outros temas, das máquinas de sexo.
Tradução livre do artigo artigo Faut-il avoir peur des godes? , de Agnès Giard.