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ter um orgasmo ou gozar: eis a questão! (parte 2)

Continuação: (…)

O escritor Paul-piquard diz em seu livro que a definição da palavra orgasmo é fluída , subjetiva e, no sentido usual significa: << o ponto alto do desejo sexual>>.

masturbaçao

Uma vez que cada pessoa possui obrigatoriamente um ponto alto de seu prazer, mais ou menos intenso, essa definição poderá levar a crer que todo mundo tem um orgasmo ao fazer amor. Falso.

<< Para o homem, o orgasmo esta  essencialmente ligado à ejaculação, é um momento curto, com contrações ritmadas ao nível da bacia, mas também com espasmos que se espalham por todo corpo às vezes no rosto, acompanhado de uma explosão de prazer, conduzindo ao fim da tensão sexual. O equivalente para a mulher é essencialmente o orgasmo clitoriano, desencadeado pela estimulação do clitóris. O orgasmo feminino dura de 5 a 15 segundos.  A vagina se contrai involuntária e fortemente, com cerca de  4 a 5 contrações com intervalos de  0,8 segundos, todo o corpo é submetido a espasmos crônicos.

Mas, como falar e nomear o imenso prazer vaginal, prazer que ocorre progressivamente, que  as vezes vem em ondas, dura longo tempo,  mas que não gera contrações vaginais como as que ocorrem no orgasmo clitoridiano, descrito acima?

Jean-Claude Piquard propõe nomeá-lo “jouissance” (gozo).

O orgasmo explode, resulta da tensão sexual, é um átomo de prazer.  Ele é desencadeado essencialmente por uma estimulação da glande ou do clitóris (que tem a mesma origem embrionária). O gozo, ao contrário, é essencialmente vaginal, varia progressivamente em intensidade, muitas vezes com uma forte implicação emocional.  Há picos de gozo que causam prazer, mas não causam contrações pelo corpo como no orgasmo.”

Uma mulher que não conhece o que é o gozo poderá se sentir mal com o fim do ato sexual. Ela não compreende porque, depois de tanto prazer, continua insatisfeita. De fato,  lhe falta concluir, exterminar a tensão sexual, alcançada somente com o orgasmo clitoridiano.

Algumas mulheres até param de fazer amor, ainda que o achem prazeroso, para evitar esta inexplicável sensação de insaciedade, principalmente se o homem tem o hábito de adormecer depois.

Para Jean-Claude Piquard, o orgasmo é necessário. Não há nada de ditatorial nesse discurso. Ele se ocupa justamente de resolver a questão: se admitimos que a maioria das mulheres só obtêm o orgasmo pela estimulação do clitóris, e não através da penetração vaginal,  nada é mais fácil que obter um orgasmo. Ou seja, para obter um orgasmo basta dar maior importância para o clitóris e está tudo resolvido. Seja se masturbando durante a penetração, seja se masturbando antes e depois, seja se masturbando simultânea e reciprocamente.

A maior parte das mulheres foram educadas para esperar tudo de seu companheiro, em uma atitude passiva. “São o homens que devem lhes dar prazer”, pensam elas. Jamais lhes ocorre a idéia de que no sexo, está nas mãos de cada um obter o seu prazer.

O discurso da culpabilidade masculina não é mais do que uma crendice. Os homens se sentiriam certamente bem melhores se eles pudessem tratar as mulheres em maiores condições de igualdade, ou lhes dizer:

Obtenha mais de si mesmo, pare de dizer que eu não lhe dou um orgasmo. Encontre-se. Masturbe-se, conduza o teu clitóris. O falo não é mais que um instrumento para criar condições, para nos sentirmos mais próximos um do outro. Sirva-se de meu pênis para gozar, mas sirva-se de seus dedos para ter um orgasmo.

Quanto às mulhres, elas deveriam dos homens que cuidem mais de seu clitóris, em vez de apenas as usar estupidamente. Afinal, o vai e vem sem propósito às vezes lhes dão a impressão de que elas não são mais do que simples bonecas infláveis.

Para saber mais sobre o tema, ler os livros:
Les deux extases sexuelles, Jean-Claude Piquard, éd. Les Presses Libres, 14 euros.
La Sexualité des gens heureux, Pascal de Sutter, éd. Les Arènes, 19 euros.

Texto traduzido livremente por Julia Tenório, do post de Agnès Giard Orgasmer ou jouir, telle est la question.

Ter um orgasmo ou gozar? eis a questão! (parte 1)

Em seu último post,  Agnés Giard aborda as discussões que envolvem os diferentes lados da questão em torno do prazer sexual feminino.

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Segundo a autora, alguns sexólogos afirmam que o orgasmo não é necessário em toda relação (talvez para tranquilizar algumas mulheres que não conseguem nunca desfrutar deste prazer).  É um discurso tranquilizador, mas é verdadeiro?

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Segundo a autora, o sexólogo Pascal Sutter salienta que para algumas pessoas a alegria está vinculada ao prazer sexual.  Para serem felizes elas precisam se satisfazer sexualmente sempre, nesse caso a abstinência sexual aumentaria o risco de depressão, já que não é possível obter um ”orgasmo” sempre.

Existe uma explicação neuroquímica para que alguns associem sexo e alegria que está ligada a produção de endorfinas: estas substâncias contribuem para proporcionar uma sensação de bem-estar e tem efeito tranquilizador semelhante ao produzido por algumas drogas como o Valium, por exemplo.

Mas, para se eximir talvez de um discurso de culpa, o sexólogo dirá que o desempenho sexual não é sinônimo de felicidade. E, todos podem respirar aliviados!

Mas, será possível ser feliz sem colocar o orgasmo na lista de obrigações ?

A autora apresenta em seu texto a  tese central do livro do ergo terapeuta francês Jean-Claude Piquard, intitulado “Les deux êxtases sexuelles” (os dois prazeres sexuais), no qual o autor  explica a diferença entre o orgasmo e o gozo “com uma precisão luminosa”.

“Enfim, gozo e orgasmo explicados!” pela literatura.

Para Piquard, quando algumas mulheres dizem que nunca tiveram a experiência do orgasmo, elas não sabem exatamente do que falam.

“Se soubessem, talvez, o teriam com mais facilidade? o grande problema neste momento é que os discursos sobre a sexualidade carecem de maior precisão”.

O livro coloca ainda que há um discurso dominante que aponta que “falamos demais sobre sexo”, “que o sexo está todo o tempo nos cartazes, na televisão, nas revistas”, “que existe uma ditadura do sexo”.  Mas, o autor dirá que isto evidentemente não é verdade. Existe apenas um conteúdo vazio sobre a sexualidade que circula para satisfazer (de maneira não muito boa aliás)  a demanda da sociedade por este tema.

O problema atual não é, portanto, que só falamos em sexo (como dizem alguns), mas justamente que falamos muito mal:  “nós temos a impressão que falamos muito, talvez porque falamos mal, criticando ou vulgarizando com obscenidades, sem procurar as palavras certas, ou mais justas, ou mais explicativas.

O autor salienta, ainda, que após um longo período de interdição em torno de assuntos como a masturbação, por exemplo, criou-se um imaginário coletivo que dissocia o coito e o orgasmo de carícias íntimas. Assim, sexo sem carícias resulta em muitas mulheres insatisfeitas sexualmente e desconhecedoras do que é, realmente,  “gozar” ou se satisfazer sexualmente.

Conclusão: Fala-se muito e mal da sexualidade.  Nós nem sequer conhecemos o verdadeiro sentido da palavra orgasmo. Não é, portanto, admirável que não saibamos como obter um, diz o autor.

A definição de orgasmo é vaga e subjetiva, completamente batida….

Obs: Devido ao tamanho do texto e o meu tempo hoje,  continuaremos a tradução deste post interessantíssimo amanhã, acompanhem a continuaçao que irá estabelecer as diferenças entre o orgasmo feminino e masculino de modo bastante diferente e peculiar…

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