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11 mai 2009

ter um orgasmo ou gozar: eis a questão! (parte 2)

Continuação: (…)

O escritor Paul-piquard diz em seu livro que a definição da palavra orgasmo é fluída , subjetiva e, no sentido usual significa: << o ponto alto do desejo sexual>>.

masturbaçao

Uma vez que cada pessoa possui obrigatoriamente um ponto alto de seu prazer, mais ou menos intenso, essa definição poderá levar a crer que todo mundo tem um orgasmo ao fazer amor. Falso.

<< Para o homem, o orgasmo esta  essencialmente ligado à ejaculação, é um momento curto, com contrações ritmadas ao nível da bacia, mas também com espasmos que se espalham por todo corpo às vezes no rosto, acompanhado de uma explosão de prazer, conduzindo ao fim da tensão sexual. O equivalente para a mulher é essencialmente o orgasmo clitoriano, desencadeado pela estimulação do clitóris. O orgasmo feminino dura de 5 a 15 segundos.  A vagina se contrai involuntária e fortemente, com cerca de  4 a 5 contrações com intervalos de  0,8 segundos, todo o corpo é submetido a espasmos crônicos.”

Mas, como falar e nomear o imenso prazer vaginal, prazer que ocorre progressivamente, que  as vezes vem em ondas, dura longo tempo,  mas que não gera contrações vaginais como as que ocorrem no orgasmo clitoridiano, descrito acima?

Jean-Claude Piquard propõe nomeá-lo “jouissance” (gozo).

“O orgasmo explode, resulta da tensão sexual, é um átomo de prazer.  Ele é desencadeado essencialmente por uma estimulação da glande ou do clitóris (que tem a mesma origem embrionária). O gozo, ao contrário, é essencialmente vaginal, varia progressivamente em intensidade, muitas vezes com uma forte implicação emocional.  Há picos de gozo que causam prazer, mas não causam contrações pelo corpo como no orgasmo.”

Uma mulher que não conhece o que é o gozo poderá se sentir mal com o fim do ato sexual. Ela não compreende porque, depois de tanto prazer, continua insatisfeita. De fato,  lhe falta concluir, exterminar a tensão sexual, alcançada somente com o orgasmo clitoridiano.

Algumas mulheres até param de fazer amor, ainda que o achem prazeroso, para evitar esta inexplicável sensação de insaciedade, principalmente se o homem tem o hábito de adormecer depois.

Para Jean-Claude Piquard, o orgasmo é necessário. Não há nada de ditatorial nesse discurso. Ele se ocupa justamente de resolver a questão: se admitimos que a maioria das mulheres só obtêm o orgasmo pela estimulação do clitóris, e não através da penetração vaginal,  nada é mais fácil que obter um orgasmo. Ou seja, para obter um orgasmo basta dar maior importância para o clitóris e está tudo resolvido. Seja se masturbando durante a penetração, seja se masturbando antes e depois, seja se masturbando simultânea e reciprocamente.

A maior parte das mulheres foram educadas para esperar tudo de seu companheiro, em uma atitude passiva. “São o homens que devem lhes dar prazer”, pensam elas. Jamais lhes ocorre a idéia de que no sexo, está nas mãos de cada um obter o seu prazer.

O discurso da culpabilidade masculina não é mais do que uma crendice. Os homens se sentiriam certamente bem melhores se eles pudessem tratar as mulheres em maiores condições de igualdade, ou lhes dizer:

“Obtenha mais de si mesmo, pare de dizer que eu não lhe dou um orgasmo. Encontre-se. Masturbe-se, conduza o teu clitóris. O falo não é mais que um instrumento para criar condições, para nos sentirmos mais próximos um do outro. Sirva-se de meu pênis para gozar, mas sirva-se de seus dedos para ter um orgasmo.”

Quanto às mulhres, elas deveriam dos homens que cuidem mais de seu clitóris, em vez de apenas as usar estupidamente. Afinal, o vai e vem sem propósito às vezes lhes dão a impressão de que elas não são mais do que simples bonecas infláveis.

Para saber mais sobre o tema, ler os livros:
Les deux extases sexuelles, Jean-Claude Piquard, éd. Les Presses Libres, 14 euros.
La Sexualité des gens heureux, Pascal de Sutter, éd. Les Arènes, 19 euros.

Texto traduzido livremente por Julia Tenório, do post de Agnès Giard Orgasmer ou jouir, telle est la question.

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11 maio, 2009 em 12:58 porJulia Tenório

Tags: ato sexual, desejo_sexual, gozar, gozo, Jean_claude_piquard, masturbação, orgasmo, penetraçao
Publicado em Sexo e Literatura | 4 Comments »

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