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Desejo e Mentira

Se a menção “Não mentirás!” faz parte dos dez mandamentos, é necessário admitir que hoje em dia mentir é produzir ficção, e produzir ficção é fazer funcionar a máquina das fantasias. Desejo e mentira travam, assim, uma estreita relação.

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Que mentimos ao nosso parceiro, que mentimos para nós mesmos, ou ainda, que utilizamos a mentira como trunfo social, e que as pequenas mentiras possuem um lugar em nosso cotidiano afetivo, é inegável.

O dicionário dá a seguinte definição para o termo: “A mentira é a declaração deliberada de um ato contrário à verdade, ou ainda a dissimulação da verdade, a mentira por omissão”.

A mentira é uma forma de manipulação, que também produz desejo. O filósofo Bernard Stielgler em “Amar, se amar, nos amar”, considera que a mentira é a pedra fundadora da sociedade. Não seria a pedra fundadora do casal?

Para a psicanálise, o desejo participa da elaboração da mentira. Porque o desejo não pode ser transmitido a não ser pelo artifício da palavra, (palavras doces sussurradas no ouvido, declaração impetuosa, palavras sugestivas…) o desejo está exposto a não ser traduzido em toda sua autenticidade, com todas as implicações que isso acarreta. O desejo tem algo de tão forte e angustiante, flerta com uma sorte de interditos, de tabus, que ele não poderia ser verbalizado em sua totalidade.

Assim, comunicar o seu desejo é falsificá-lo, é prepará-lo para expô-lo, de modo objetivo e modificado, para que o outro o aceite. Não se diz a verdade sobre o desejo. A mentira é uma forma de revelar algo de nós mesmos, preservando simultaneamente as áreas mais escuras, que os outros não compreendem, não aceitam. As zonas cinzas em que preferimos negar o acesso do outro. Uma maneira de apresentar-nos em nossa melhor forma. Saber mentir sabiamente é também uma forma de se preservar.

” Na raiz da mentira se encontra a imagem idealizada que fazemos de nós mesmos e que queremos apresentar aos outros.” (Anaïs Nin, Journal) read more »

A máquina do sexo não morre jamais

Paul Laffoley, arquiteto americano, pretendia criar um templo extraterrestre sobre o “Ground Zero“, para substituir as Torres Gêmeas. Seu projeto não foi aceito. Nem o projeto do “motor do orgone” (energia sexual)…

Em 1992, Wilhem Reich, o mais brilhante aluno de Freud, seu primeiro assistente na Policlínica Psicanalítica de Viena, descobriu que o orgasmo libera uma energia que deixa feliz e dá força. Nós chamamos isso de prazer. Ele chamou de “orgone”.

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A partir de 1933, a sua investigação sobre o orgone tomou todo o seu tempo e o obrigou a encerrar a sua prática particular da medicina. Reich colocou na cabeça que esta energia, a orgone, não é liberada unicamente durante o orgasmo, mas que ele representa uma força vital que sustenta o conjunto da criação – uma espécie de força cósmica, invisível e onipresente, constituindo o fundamento mesmo da existência. Sua teoria é que todos os males humanos resultam de bloqueios no fluxo dessa força. Em conseqüência ele concentra seus trabalhos sobre uma maneira de captar, utilizar, desenvolver e de um modo geral, de manipular o orgone.

Apesar de seus problemas com os nazistas que queimaram seus livros e com cientistas de todos os países que o consideravam um louco, Wilhelm insiste: ele desejava por em funcionamento a máquina do orgone, capaz de captar essa energia vital e libidinosa para depois a liberar em forma de raios. Refugiado nos Estados Unidos (em 1939), Wilhelm Reich chega a desenvolver acumuladores de orgones que ele diz serem capazes de curar o câncer e provocar trovoadas. A CIA desejava financiar seu trabalho… Então ele é acusado de loucura profunda, preso e seus escritos destruídos… Wilhem Reich morreu na prisão em 1957.

A máquina Orgone existe ainda hoje. Dezenas de pessoas ainda estão trabalhando nisso. A maior parte dessas pessoas são gurus manipuladores. O resto são artistas. Paul Laffoley por exemplo. Paul Laffoley nasceu em uma família irlandesa em Massachusetts em 1940. Ele disse sua primeira palavra <<Constantinopla>> com seis meses de idade e depois ficou em silêncio até os 4 anos – diagnosticado como autista leve. Adolescente, para tratar uma tendência para a catatonia, recebeu oito tratamentos de eletro choque. Um mês depois, em Julho de 1961, realizou seu primeiro sonho lúcido. Um sonho com cores incríveis, que ele repetirá sempre em suas pinturas.

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Música e sexualidade – Chico Buarque

Não poderia deixar de falar do Chico Buarque, principalmente porque este cantor – com suas mulheres – sabe, como ninguém, falar de sexo de um ponto de vista feminino. Missão nada fácil. O pensamento feminino e o sentir feminino neste campo é muito diferente do masculino.  Um exemplar dessa sensibilidade do Chico é a  música

O MEU AMOR 
Chico Buarque/1977-1978 - Para a peça Ópera do malandro, de Chico Buarque

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Na cena do sexo eu me lanço mascarada!

Revestidas de seus vestuários de trabalho, muitas mulheres tornam-se involuntariamente objetos de um desejo irresitível. Enfermeiras, advogadas, freiras ou atendentes… O uniforme torna-as anônimas. Logo, excitantes.
A seguir apresentamos um pequeno tour no horizonte de fantasias relacionadas aos “uniformes eróticos” femininos.

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Em 1887, o francês Alfred Binet dedicou  um capítulo aos amantes do vestuário, que ele nomeia poéticamente de “amantes do costume”, ou, “amantes da fantasia”. Em seu livro “O Fetichismo do amor” Biner expõe uma ideia simples: ninguém escapa ao fetichismo, ele é justamente o que há de mais interessante na sexualidade humana. Mais do que do próprio coito, somos capazes de nos satisfazer ou nos excitar com qualquer outra coisa, explica ele.

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Os enditofilistas (endytophiles) - aqueles que preferem ver os outros vestidos do que nú – podem se excitar permanentemente. Por uma feliz conicidência, afigura-se que a maioria das pessoas que encontramos na vida estao vestidas. Na rua, no metrô, em toda parte, a cada passo, desde que se esteja vestindo um simples uniforme ou um traje típico, a pessoa poderá se transformar em um herói (ou heroína) imaginária.

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No pequeno jogo dos disfarces eróticos, oito grandes clássicos disputam o primeiro lugar, sendo eles:

1 – A enfermeira
O médico é a voz do pai. Ele ordena, comanda, decide e, por vezes, tranqüiliza, diz o analista Alain Héril (Dicionário das fantasias). Quando o médico está ausente reina a lei da enfermeira, a mae erotizada.  ”Ela nos trata, persuade, nos rejeita. As vezes, nos trata com afeto. Ajuda-nos a nos vestir, auxilia em nossa reabilitação.” Esta fêmea maternal, atenciosa e sensual possui um forte potencial erótico de cura: muitos se refugia nela para encontrar consolo, e ao mesmo tempo, se livrar de seus toques humilhantes. Dominadora, ela viola os ânus com seu termômetro, pica os braços com suas agulhas…Consoladora, ela alimenta, aquece, e tranquiliza…infatiliza. Com ela os homens retornam à infância.
fantasia semelhante: a babá.

2- a motociclista
Sobre a terrível máquina que vibra entre suas pernas abertas, a BB (biker Bandante) produz muitaz fantasias. Por quê?  Porque ela “não precisa de ninguém”. Porque ela se veste de couro, um material que simboliza o poder. A dorafilia (doraphilie)-  excitação sexual causada pelo contato da pele, couro e peles – está ligada ao culto do poder. As motociclistas, com suas calças de couro, se exibem no uniforme dos marginais, dos rebeldes, dos indóceis. O couro evoca a selvageria: aquele que se reveste dele adquire de um golpe suas qualidades (…). Usar o couro, é também afirmar a brutalidade de seus instintos sexuais.  (…). A cor negra, mais utilizada para o couro, simboliza a morte e o poder.
fantasia semelhante: a guerreira futurista, (estilo Mad Max, Underworld, Matrix, etc)

3 – A Freira
Ligada à castidade, a religião é símbolo de um tabu. Logo, de uma transgressão. Em termos técnicos, este fetiche se chama hierofilia (hiérophilie) – é a atração por coisas sagradas e, mais especificamente, pelo sacrilégio. Sexo e religião encerram e estreitam relações especiais,  se a igreja baniu o prazer provocou, por reação, atos de vingança e profanação. É um pouco como a burguesa e suas pérolas, quanto mais ela é esnobe, mais temos vontade de roubá-la. Talvez porque muitos associem o prazer à noção de falta (para aumentar o prazer, eles deverão, portanto, amentar a falta). Talvez, também, porque é simplesmente gratificante “converter” as freiras para o sexo, por uma espécie de inversão irônica. O que é mais satisfatório para um Dom Juan do que transformar uma religiosa assexuada em seu joguete sexual?
fantasia semelhante: a grande burguesa.

4 – A policial
A policial represetna a lei. Fazer amor com elas é beijar a autoridade:  um contraste sagrado aos homens em busca doproíbido. Sem contar que com a policial eles tem muitas afinidades: ela possui uma arma, o que a torna bastante perigosa. É uma mulher falo, masculinizada, capaz de ficar cara-a-cara com um homem, de o prender, de colocá-lo no calabouço, de submetê-lo à interrogatório… Munida de algemas, sua figura dominante evoca o cenário carcerário. Ela desperta no homem uma excitação sexual viragofilista (viragophilie): o amor de Virago, ou seja, das mulheres que possuem a coragem de um homem.
fantasia semelhante:

5 – A prostituta
Reconhecida por seus saltos altos e suas roupas minúsculas, a prostituta é sinônimo de luxúria. A maior parte dos maridos proíbem suas mulheres de se vestirem com seus modos ultrajantes”. Mas alguns ao contrário, ao exercerem o papel dos gigôlos abusados ou clientes exigentes,  pedem às suas companheiras para fazerem de conta que aceitam dinheiro para fazer sexo com eles… O ato de pagar para obter prazer nas relações sexuais é chamado de crematitosfilia (chrematitosphilie). É quando o homem procura a sensaçao de poder, a prostituta tem que lhe dar em troca de dinheiro.  A prostituta evoca assim a idéia da fêmea-objeto. Ligada ao seu enorme apetite por todos os homens, o sexo com ela tem sabor de orgia… se você pensar em todos aqueles que a possuíram antes e que ainda irao possuí-la. fantasia semelhante: a secretária.

6 – A Colegial
Derivada da ninfofilia (nymphophilie) – o amor pelas jovens, e da partenofilia (parthénophilie) – gosto pelas virgens, a preferência pela colegial é extremamente prevalecente em nossa sociedade, sob a influência musical do pop-rock. “Com o desenvolvimento da cultura juvenil, a criação de novas necessidades, falas ou verdadeiras, pouco importa, porque a sociedade do espetáculo e do mercado constroem para elas um pedestal, multiplicando as imagens da Lolita na moda, na música, no cinema “, diz Patrice Lamare, autor de As Lolitas.  (…)  Tal como Lolita de Nabokov, estas meninas não são vítimas. Mas, em seus uniformes de colegiais, sinônimo de inocência, elas oferecem a ilusão da segurança emocional. Face a estas pseudo-filhas, os homens tem a impressão de poder controlar a situação, impressao falsa na maioria das vezes.
fantasia semelhante: a garota de torcida (pom-pom girl).

7 –  A aeromoça
Como a enfermeira, ela é, de acordo com Alain HERIL, uma mãe erótica e sensual: “Neste lugar fechado do vôo, vinda de um corredor uterino, a aeromoça vêm tranquilizar-nos mostrando gestos e açoes para evitar um acidente, para em seguida nos fazer beber, comer e saber se vai tudo bem(…). Em seu uniforme ela é toda sorrisos, todo charme, como que desencarnada e, portanto, terrivelmente sexual. A aeromoça nos impede de ter medo, nos embala com sua voz, nos vigia olhando acima de nós. Ela carrega a beleza das nuvens e a erosão do éter.
fantasia semelhante: a recepcionista.

8 – A Professora
Símbolo da lei, a professora dita as regras e se exprime em público de maneira autoritária: só ela tem o direito de falar. Os outros devem escutar e aprender. Como os grandes oradores que provocam emoções ferventes, as professoras subjugam seu auditório, principalmente quando, diante do quadro negro, sua saia curta se desenha com aspectos espetaculares. Para os adeptos da escola, do interrogatório, da retribuição e da punição, a professora é a mulher ideal.
fantasia semelhante: da  advogada.

Artigo de Agnès Giard, traduzido livremente do francês por Julia Tenório.
Imagens de Electric Blue Gallery

Ter um orgasmo ou gozar? eis a questão! (parte 1)

Em seu último post,  Agnés Giard aborda as discussões que envolvem os diferentes lados da questão em torno do prazer sexual feminino.

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Segundo a autora, alguns sexólogos afirmam que o orgasmo não é necessário em toda relação (talvez para tranquilizar algumas mulheres que não conseguem nunca desfrutar deste prazer).  É um discurso tranquilizador, mas é verdadeiro?

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Segundo a autora, o sexólogo Pascal Sutter salienta que para algumas pessoas a alegria está vinculada ao prazer sexual.  Para serem felizes elas precisam se satisfazer sexualmente sempre, nesse caso a abstinência sexual aumentaria o risco de depressão, já que não é possível obter um ”orgasmo” sempre.

Existe uma explicação neuroquímica para que alguns associem sexo e alegria que está ligada a produção de endorfinas: estas substâncias contribuem para proporcionar uma sensação de bem-estar e tem efeito tranquilizador semelhante ao produzido por algumas drogas como o Valium, por exemplo.

Mas, para se eximir talvez de um discurso de culpa, o sexólogo dirá que o desempenho sexual não é sinônimo de felicidade. E, todos podem respirar aliviados!

Mas, será possível ser feliz sem colocar o orgasmo na lista de obrigações ?

A autora apresenta em seu texto a  tese central do livro do ergo terapeuta francês Jean-Claude Piquard, intitulado “Les deux êxtases sexuelles” (os dois prazeres sexuais), no qual o autor  explica a diferença entre o orgasmo e o gozo “com uma precisão luminosa”.

“Enfim, gozo e orgasmo explicados!” pela literatura.

Para Piquard, quando algumas mulheres dizem que nunca tiveram a experiência do orgasmo, elas não sabem exatamente do que falam.

“Se soubessem, talvez, o teriam com mais facilidade? o grande problema neste momento é que os discursos sobre a sexualidade carecem de maior precisão”.

O livro coloca ainda que há um discurso dominante que aponta que “falamos demais sobre sexo”, “que o sexo está todo o tempo nos cartazes, na televisão, nas revistas”, “que existe uma ditadura do sexo”.  Mas, o autor dirá que isto evidentemente não é verdade. Existe apenas um conteúdo vazio sobre a sexualidade que circula para satisfazer (de maneira não muito boa aliás)  a demanda da sociedade por este tema.

O problema atual não é, portanto, que só falamos em sexo (como dizem alguns), mas justamente que falamos muito mal:  “nós temos a impressão que falamos muito, talvez porque falamos mal, criticando ou vulgarizando com obscenidades, sem procurar as palavras certas, ou mais justas, ou mais explicativas.

O autor salienta, ainda, que após um longo período de interdição em torno de assuntos como a masturbação, por exemplo, criou-se um imaginário coletivo que dissocia o coito e o orgasmo de carícias íntimas. Assim, sexo sem carícias resulta em muitas mulheres insatisfeitas sexualmente e desconhecedoras do que é, realmente,  “gozar” ou se satisfazer sexualmente.

Conclusão: Fala-se muito e mal da sexualidade.  Nós nem sequer conhecemos o verdadeiro sentido da palavra orgasmo. Não é, portanto, admirável que não saibamos como obter um, diz o autor.

A definição de orgasmo é vaga e subjetiva, completamente batida….

Obs: Devido ao tamanho do texto e o meu tempo hoje,  continuaremos a tradução deste post interessantíssimo amanhã, acompanhem a continuaçao que irá estabelecer as diferenças entre o orgasmo feminino e masculino de modo bastante diferente e peculiar…

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