Meredith Chivers é professora de psicologia da Queen’s University de Kingston, Canadá. É profundamente feminista, mas não há ponto de duvidar que o desejo de uma mulher seja como uma floresta obscura que ninguém jamais conseguiu penetrar.

Convencida de que esse é um tema de pesquisa muito forte para os estudos do século XXI, ela conduz experimentos estranhos, que têm como objetivo refletir sobre o desejo feminino.
Uma das experiências: homens e mulheres: héteros, gays e lésbicas, sao ligados à um aparelho chamado pletismografia, para verificar os níveis sanguíneos. Cada um deles recebe, igualmente, um teclado para que eles indiquem o grau de excitação. Pouco a pouco são passados filmes eróticos: de sexo hetero, homo, de mulheres se masturbando, homens transando, e, por fim, um homem e uma mulher completamente nus.
Como seria de se esperar os homens héteros mostraram excitação frente ao filme hétero, de lésbicas ou de mulheres se masturbando. Os homo preferiram o oposto: o sexo gay, de homens se masturbando e nus masculinos. E, para muitos homens, os filmes de sexo com animais não foram excitantes. Mas para as mulheres, os resutlados são completamente diferentes. Sejam elas lésbicas ou hétero, a grande maioria mostrou sinais de excitação com filmes héteros, mas também com os gays e lésbicos. E mesmo com os filmes de animais! Resultado que ninguém compreendeu, porque os resultados da pletismografia não tinham nada a ver com os resultados que elas anotaram nos teclados. Ou seja, o que as mulheres indicaram no teclado pareciam msotrar uma divergência entre o seu desejo mental e seu desejo físico.
Curiosa com os resultados Meredith Chivers procurou apronfundar a investigação, confrontando os resutlados com outros estudos na América do norte. Descobriu, finalmente, que em matéria de sexualidade humana, existem poucos estudos sobre o desejo feminino. O assunto é completamente novo, a medida que se interroga cada vez mais sobre a viabilidade de um viagra feminino. Mesmo assim, Meredith Chivers encontrou 130 estudos, embora todos terminem com um ponto de interrogação.
Na realidade, um dos maiores problemas é que pelo menos 30% das mulheres sofrem de falta de desejo nos EUA, e ninguém sabe como tratá-las. Meredith, tem pelo menos uma teoria para explicar essa discrepância entre a excitação fisiológica e psicológica. A lubrificação vaginal seria, segundo ela, uma necessidade corporal, uma forma de instinto feminino para evitar o desconforto, a dor. Ela não teria, por fim, muita coisa a ver com o desejo de fazer amor.
Outros teóricos dizem que a diferença fundamental entre o desejo masculino e o feminino é provocado pela oxitocina. Um neurotransmissor que apresenta elevados índices nas mulheres com relação aos homens, a oxitocina causa efeitos como o relacionado ao fato de as mulheres terem um maior compromisso com seus filhos, mas mais importante ainda, a ligaçao que as mulheres fazem entre sexo e amor (!). Efeitos que não existem para os homens, porque o hormônio masculino é intrinsecamente ligado ao estrogênio.
Se a oxitocina pode, portanto, estar relacionado com o desejo da mulher, ela não explica tudo. Marta Meana, uma professora da Universidade de Las Vegas, acredita que as necessidades das mulheres permanecem profundamente ambivalentes: “As mulheres querem ser jogadas contra um muro, sem estar em perigo. Elas querem um homem das cavernas que possam cuidar delas “.
Agora, tudo ainda é tema de pesquisas e demonstraçoes, porque resta-nos até agora uma única certeza: o desejo feminino é floresta escura e difícil de ser penetrada.
