O retorno das lésbicas românticas
Laura, 31 anos, vive em São Francisco (Califórnia), onde produz vídeos de lésbicas que se abraçam, se tocam, se acariciam, se olham e se amam… Nostalgia de um paraíso perdido?
Laura criou o site twilightwomen.com em 2005, com o único objetivo de mostrar as primeiras emoções de jovens mulheres e o amor lesbiano “romântico”.

“Tudo começou a partir de um filme de vampiros com cenas de nudez”, explica ela.
“Ele me chamou tanto a atenção que decidi fazer o mesmo. O estilo de sexo que nós mostramos é explicito mas corresponde a uma fórmula específica (e muito rentável financeiramente), que não tem nada a ver com a pornografia. Nós não nos mostramos da mesma forma que certos vídeos. Mas Certamente, produzimos o mesmo efeito. Nossos vídeos são feitos para excitar, mas de uma maneira diferente. Nos esforçamos para mostrar o desejo, a resistência de uma mulher submissa que sucumbe. Nós mostramos o conflito, o flerte, a estratégia, o jogo da sedução e tudo o que precede o ato sexual propriamente dito, e que lhe dá realmente valor. Pessoalmente, eu acho que este momento é o mais excitante.”
Seus vídeos se inscrevem na contra-corrente da produção lésbica atual. Ainda que, em todo o mundo, as mulheres portem uma camêra para filmar cenas de sexo extremamente enérgicas, o site perpetua o mito de uma sexualidade feminina doce e gentil, da qual o vibrador está totalmente excluído.
“O vibrador é muito agressivo” (direto), diz Laura. “Nós usamos apenas os dedos, boca, carinhos, porque queremos deixar falar os sentimentos: quando uma mulher tem medo e quero tocá-la, quando ela espera, quando ela tem vergonha e seu coração bate.”
As atrizes do twilightwomen.com são exclusivamente classificadas na categoria “beleza natural e amadora” (nada contra as damas experientes ou as estudantes).

Nada de piercing e – se possível – nada de tatuagens. Quanto ao vestuário, eles são dignos de uma série dos anos 70. A decoração em si é deliberadamente “démodé” (para não dizer nostálgica), para recordar “a bendita” época em que as mulheres ainda tinham cabelos e seios naturais e tabus.
“Nosso produtor e câmera número 1, Div For´e, tem quase 70 anos”, explica Laura. “É um historiador americano que cultiva uma verdadeira paixão pelos primeiros filmes do gênero, quando era ilegal filmar a nudez… Em homenagem a este período do pós-guerra, Div For´e, realiza muitas coberturas de livro e de fotos dos anos 40 e 50. Elas guardam uma espécie de tensão dramática, ligada a uma atmosfera de segredo e culpa que marcam as imagens eróticas destes anos. Após a revolução sexual, quando as jovens têm maior liberdade de costumes, perde-se esta noção de “drama”. Não tenho nada contra a corrente cultural que gera uma vida sexual muito melhor do que antes, mas isso não corresponde às minhas fantasias.”
Laura cresceu assistindo Little House na televisão. A imagem que ela tem da sexualidade lésbica corresponde certamente a de muitas outras mulheres, ainda nos dias de hoje… as mulheres que amam a doçura de seus corpos e seus sentimentos. Mulheres que acham que os homens são brutos, opostos delas que sã tão delicadas e suaves… Mas é também uma imagem construída para (e pelos) héteros. Tal como um espelho refletor, o site atrai principalmente os homens: a maioria de seus assinantes são, de fato, do sexo masculino. O tipo de homem que toma as mulheres por obscuras e misteriosas criaturas, somente capazes de serem tocadas com músicas afetuosas e românticas.
Texto de Agnés Giard, traduzido livremente do francês por Julia Tenório. In: La lesbienne gentille est de retour.
Imagens do site: Twilightwomen.
