Irã: presa por quebrar o tabu da sexualidade

Pintora e cineasta que vive em Paris, Mitra Farahani foi detida esta semana ao descer do avião em Teerã. Ela saltou na boca do bolo ao regressar a seu país.  Sua culpa perante os religiosos? ter produzido o filme Tabous, em 2004.

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Tabous é um filme sobre o desejo sexual e as frustrações da sociedade iraniana, que teve um enorme sucesso no Irã. Sucesso clandestino, claro.

Em uma entrevista publicada na imprensa, por ocasião do lançamento do filme Mitra declarou:

“Absolutamente todo mundo tem uma vida dupla em Teerão. E todos sabem que todo mundo tem uma vida dupla. “

Depois de muitos anos a intimidade sexual dos iranianos é revelada por esta artista de 34 anos. Ela fala da sexualidade em seu país em suas pinturas de Arte Déco, arte que a levou a Paris em 1998.  E, também, em seus filmes. O tema foi abordado desde o seu primeiro  documentário “Juste une Femme” (Apenas uma mulher), que conta os primeiros passos na vida de um homem que se tornou mulher.

Ela diz que, numa sociedade onde é impossível viver a sua homossexualidade, a mudança de sexo às vezes é a solução mais simples, adotada por muitos gays iranianos, sem que ninguém fale desse assunto. Elogiado pelos críticos, o documentário “Juste une Femme” lhe permitiu realizar seu primeiro longa metragem aos 28 anos de idade. “A maior parte dos cineastas se autocensuram”, diz ela.

Tabous tem a particularidade de ser um documentário que mescla realidade com cenas de ficção. Ao final, os atores franceses (incluindo Coralie Revel) reproduzem um conto erótico, um poema do século XIX de Iraj Mirza.

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Ter ousado filmar uma mulher nua sobre a terra sagrada do Teerã é, sem dúvida, um dos motivos que levou à prisão de Mitra. Uma vez que nenhum cineasta foi tão longe na transgressão.

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Mitra  foi presa ao descer do avião, assim que mostrou seu passaporte. Foi conduzida ao escritório da polícia, onde permaneceu por dois dias.  Em seguida, ela foi transferida para a prisão de Evin, onde se encontra um grande número de presos políticos, como o jornalista amerciano-iraniano Roxana Saberi, recentemente libertado.

O caso de Mitra pode ser mais delicado aos olhos dos mulás, porque com seu filme, mesmo que ela tenha dado voz aos religiosos, ela revela tabus mais atuais do que nunca. O seu destino dependerá da revolta e dos protestos em curso no país.

Fonte: Le Post

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