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Enquanto o último dia de 2011 não acaba vou deixar a última dica do ano. O trailer do filme Hysteria, que estreou em Dezembro no Reino Unido e na Europa (e no Brasil ? Não sei…). Na Europa o título circula com o apropriado nome de Oh My God!
Inspirado em uma história real, Oh my god! (Hysteria em Inglês), narra a história do homem que inventou o primeiro vibrador oficialmente registrado na história: Mortimer Granville.
Segundo conta o filme: “Na Inglaterra vitoriana, Mortimer Granville, um médico jovem e atraente começa a trabalhar com o Dr. Dalrymple, um especialista em histeria feminina. O tratamento recomendado é simples, mas extremamente eficaz: o prazer que dá para aliviar os problemas femininos! Dr. Mortimer assume seu ofício com todo o fervor, mas logo uma cãibra desagradável na mão o impediu de praticar sua profissão. Com a ajuda de seu melhor amigo, um amante das novas tecnologias, ele desenvolveu um objeto revolucionário, o primeiro vibrador …. ”
A história é engraçada, bem filmada e descreve uma prática médica que foi gratificante, no século 19, para os médicos que puderam desfrutar de suas pacientes, sob o pretexto de tratá-las. No filme, Mortimer Granville é apresentado como um verdadeiro libertador que, por amor de uma sufragista, adota a causa das mulheres.
No entanto, parece que na realidade, Mortimer foi muito menos revolucionário do que aquilo que o filme quer nos fazer acreditar. Seu vibrador, na verdade, foi criado exclusivamente para o uso masculino e não era destinado a tratar a histeria feminina. Mortimer Granville, desencorajava firmemente que ele fosse usado em mulheres, que segundo ele eram incapazes de suportar o tremor causado pelas vibrações da máquina …
Talvez ele, como muitos médicos e homens da era vitoriana temesse o prazer que as mulheres podem se dar?
Mesmo hoje ouvimos bem intencionados psicólogos alegarem que os brinquedos eróticos podem ser prejudiciais para “alguns segmentos da sociedade”, leia-se: mulheres casadas, pois pode atrapalhar a sintonia do casal etc.
Mesmo não sendo tão fiel ao “cerco” masculino que as mulheres sofrem contra a liberação de todos os seus prazeres, vale a pena ver o trailer e, se possível, ver o filme.
Por este ano é só! Feliz 2012 para todos vocês!
O ano de 2011 acaba hoje e eu, apesar de não ter atualizado decentemente este blog , não podia deixar de deixar o meu abraço a todos os fiéis leitores deste blog e também a promessa de que em 2012 o Sexocult voltará com força total. Espero ardentemente (em todos os sentidos) que no ano que vem eu possa me dedicar mais e trazer artigos com maior frequencia e maior qualidade. Paciência!
Em homenagem à gloriosa atriz Maria Schneider que faleceu nesta quinta-feira aos 58 anos, vítima de uma “longa doença”, coloco o link de um artigo que já fiz sobre a cena memorável que Maria Schneider protagoniza ao lado do não menos glorioso Marlon Brando. É só clicar na figura para reler o artigo.
Beijos!
** Como prometido, iniciarei hoje os artigos sobre o documentário “Le sex au tour du monde”. As imagens e informações deste artigo foram retiradas do 2º episódio do documentário, exibido pela TV5 e disponível no site www.sexautourdumonde.com
Para o segundo episódio de “Sex Au tour du monde”, exibido pela TV5, o jornalista Philippe Desrosiers fez uma parada em Ruanda. O país famoso pelo genocídio de 1994 revela práticas sexuais surpreendentes, que buscam principalmente estimular o prazer feminino.
Entre as práticas e segredos sexuais dos ruandeses para proporcionar o prazer feminino estão a Kunyaza e o Gukuna. Se você é homem e nunca ouviu falar de tais práticas talvez seja o momento ideal para “aprender a amar”, como dizem os africanos.
No documentário da TV5, o jornalista fala com um ruandês sobre a técnica do Kunyaza que, segundo estudos, teve origem na região do Burundi, Ruanda, e da República Democrática do Congo. Com base em levantamentos realizados entre 1986 e 1993, através de testemunhos de homens e mulheres desta região, a prática da Kunyaza existe há pelo menos 150 anos, sendo uma tradição preservada pela cultura oral.
O Kunyaza, é uma técnica sexual praticada durante a relação sexual (heterossexual) para desencadear o orgasmo feminino. Segundo relatos, os homens aprendem a, usando o pênis, estimular quase todas as zonas erógenas do genital feminino, vertical ou horizontalmente e em diferentes posições, permitindo que o homem passe, quase sem interrupção, de estímulos internos a estímulos externos e vice-versa.
Pelo que se vê, a técnica garante que as mulheres do país sejam sexualmente mais felizes que as demais mulheres do mundo. A parte chata da história é que a técnica, apesar de antiga, não é muito conhecida ou praticada fora dos limites da Ruanda. É, portanto, um segredo muito bem guardado, como sugere o título do documentário sobre o tema. Mas, para aqueles que desejam conhecer a arte Kunyaza, existem livros do país que ensinam a prática passo-a-passo (como cartilhas didáticas). Na língua deles, é lógico!
Outra técnica sexual praticada no país, é o Gukuna, que consiste em uma tradição milenar entre as mulheres, capaz de garantir orgasmos “inacreditáveis”, segundo o documentário.
A arte do Gukuna consiste em alongar/esticar os pequenos lábios, até que obtenham tamanho convidativo e toquem as coxas.
De acordo com as informações – escassas – sobre essa tradição, as mulheres, quando atingem a idade próxima dos dez anos, são orientadas por uma tia, ou mulher mais velha da família, a esticar os lábios vaginais com a ajuda de uma flor medicinal que “amacia a pele”.
Aprender o Gukuna, é, para elas, como uma passagem para a idade adulta – mais ou menos como ganhar o primeiro sutiã ou menstruar pela primeira vez para uma mulher ocidental, só que – parece – com mais prazer.
Teoricamente, os lábios maiores aumentam a superfície de atrito contra o pênis, aumentando o prazer sexual. Além do que, estimulam a secreção vaginal, provocando uma ejaculação feminina que – segundo o médico e o ruandês entrevistados no documentário – não é encontrada em nenhuma outra cultura.
De acordo com um dos entrevistados, a ejaculação feminina por lá, chamada de Kunyara, não tem semelhança com a ejaculação feminina de caráter mais “urinário”, ou o “squirting” para os americanos, ou o fênomeno das “femmes fontaine”, como chamam os franceses. Nas palavras do entrevistado a substância “ejaculada” pelas ruandesas – que praticaram o Gukuna e/ou foram estimuladas pelas técnicas do Kunyaza – é uma substância pastosa, encorpada, bem semelhante à ejaculação masculina. Afirma, ainda, que “é um fenômeno que ele não observou em nenhum outro lugar”.
Alguns cientistas Marian Koster e Lisa Preço da Universidade de Wageningen, investigaram a vida sexual na Ruanda e concluiram que “as mulheres e homens entrevistados foram claros em sua opinião, afirmando que todas as mulheres da Ruanda são capazes de ejacular ou alcançar o que eles chamam de Kunyara.
O alongamento dos lábios genitais, como é chamado fora da Ruanda, é, no entanto, um tipo de modificação corporal praticada em todo o mundo, existem inclusive sites inteiros dedicados à arte, dizem.
Você já viu? Eu ”nunca vi, nem comi, eu só ouvi falar !”
Neste ano de 2011 fomos presenteados com uma ótima série documentário, exibida pela TV5, que fala/falará sobre as diferentes práticas sexuais e dos sentimentos amorosos em oito países diferentes: Reino-Unido, Argentina, China, França, Itália, Índia, Japão, Ruanda e Suécia.

A série começou a ser exibida neste mês de janeiro e seguirá com as exibições até o dia 24 de fevereiro.
Já foram exibidos os episódios sobre Suécia e Ruanda e os demais países terão as exibições nos seguintes dias: - Reino Unido: 18/01 (21h) e 20/01 (22h); Argentina: 25/01 (21h) e 22/01 (22h); Índia: 01/02 (21h) e 03/02 (22h); França: 08/02 (21h) e 10/02 (22h); China: 15/02 (21h) e 17 (22h) e Japão: 22/02 (21h) e 24/02 (22h).
Para nossa felicidade, há um site na Internet, com vídeos, textos e curiosidades, bem como a programação completa dos episódios. Tudo em língua francesa, infelizmente, mas há alguns vídeos em inglês.
Considerando o rico material e os temas abordados, farei alguns posts para falar de alguns episódios já veiculados e para compartilhar e prolongar o debate por aqui, em português.
Então, acompanhem os próximos posts e participem das discussões tratadas no documentário-série, aqui no sexocult.
Fica o vídeo de divulgação da série (em francês, désolé!)
PLUS: Em março de 2011, a TV5 irá exibir a série “Le sexe autour du monde – nos Estados Unidos”, uma série de webepisódios disponibilizados exclusivamente na TV5.ca e depois no site www.sexeautourdumonde.com.
Voltando para minha leitura de Hipótese de Eros, de Emanuelle Arsan, me deparei com uma passagem que me fez querer rever o filme Último Tango em Paris. A análise da autora me fez repensar o modo como eu mesma havia entendido o filme, sobretudo no que diz respeito ao cumprimento de regras sociais que, como adverte a autora, não servem mais para os casais atuais. Reescrevo abaixo um trecho do livro…

(…) Alguns [homens e mulheres], os mais numerosos, é claro, pedem às velhas regras “absolutas” – constância, fidelidade, sacrifício – a segurança que dá a dependência. Mas estas receitas, que eram válidas talvez para um tempo em que as dimensões eram outras, são de agora em diante inúteis: da mesma forma que em astronomia, as leis de Einstein.
Para aqueles, então, que se agarram às ilusões de truques externos, a existência, o futuro e o casamento mesmo se tornam inexplicáveis e fatais, como o governo e a artrite [ótima comparação! rss]. Eles morrerão mais tarde do que antigamente [antigamente a média de vida não ultrapassava os 35 anos], mas não terão vivido mais por causa disto.
Outros, ao contrário, procuram reduzir em sua vida a parte da ficção. Algumas vezes fazendo de seus sonhos a realidade. Então o seu comportamento provoca escândalos. Aos olhos da moral, com efeito, não é a ficção como ficção que aparece indecente, escabrosa, obscena. O que ofende o “senso comum do pudor” é a paixão do real. Ninguém diz que o impudor é uma mentira: o que lhe repreendem é ser uma verdade nua.
(…)
A vida verdadeira, a vida que alguns inventam, por gosto de serem humanos, é o tempo durante o qual sabe-se que o amor é um jogo. Esta vida pode começar tarde; não importa quando; nunca. Durar pouco: o espaço de um encontro e de um riso. Ou então a eternidade das bodas de ouro. E recomeçar sempre, enquanto tiver oportunidade. Os homens não morrem de velhice: eles morrem quando deixam de acreditar no amor possível.
Eu creio que Bertolucci teve esta idéia (e muitas outras, é claro) em seu Último Tango em Paris. O filme mostra que o amor é uma vitória, não importa qual seja o contexto, quais sejam as formas ou falta de formas, enquanto ele só quiser ser a felicidade do instante, um jogo livre, um prazer sem leis. A tragédia acontece quando um dos parceiros tenta voltar às regras “absolutas”: a banalidade dos sentimentos e dos projetos, reminiscências, oferta de casamento e de domicílio conjugal. A negação do jogo. O erro. A imbecilidade.
Paul era jovem, podia viver, já era feliz, enquanto jogava com Rosa, sua mulher. Rosa, sendo a primeira a se matar, trai o espírito do jogo. Jeanne oferece a este homem a oportunidade de uma nova partida. Mas é ele, desta vez, quem recua, envelhece, diz tolices. Ele não procura, obscuramente, a morte física (embora assim tenham compreendido alguns críticos freudianos), mas somente a morte da imaginação, a senilidade prematura do espírito de aventura que acarretam as normas burguesas. A bala disparada por Jeanne faz apenas com que ele economize alguns anos de agonia voluntária.
Por suas figuras grotescas e triste de morrer, que substitui ao possível prazer da dança, o tango simboliza este mundo suicida. As contorsões (sic) conformistas dos casais simulam as contorsões (sic) do amor permitido: as caretas de arrogância, a dignidade posada, a decência enfática, exibidas para os outros, para ganhar um preço, para ser “classificado”. É a ficção tipo, a dança-fé, é o reflexo do estrago dos deuses. (…)
Jeanne não mata Paul porque ele fez amor com ela fora dos hábitos estabelecidos, mas porque ela compreende que o jogo acabou, e que, colocando fim ao jogo, Paul fez com que ela envelhecesse. Observemos que a jovem poderia também desembaraçar-se de seu noivo que acabava de lhe falar de conduta “adulta”, de futuro “calmo e sério”. Assim, mesmo em sua lógica trágica ela prova que a recusa também é relativa.