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16 nov 2009

último tango em paris, por emanuelle arsan

Voltando para minha leitura de Hipótese de Eros, de Emanuelle Arsan, me deparei com uma passagem que me fez querer rever o filme Último Tango em Paris. A análise da autora me fez repensar o modo como eu mesma havia entendido o filme, sobretudo no que diz respeito ao cumprimento de regras sociais que, como adverte a autora, não servem mais para os casais atuais. Reescrevo abaixo um trecho do livro…

ultimo_tango_em_paris

(…) Alguns [homens e mulheres], os mais numerosos, é claro, pedem às velhas regras “absolutas” - constância, fidelidade, sacrifício - a segurança que dá a dependência. Mas estas receitas, que eram válidas talvez para um tempo em que as dimensões eram outras, são de agora em diante inúteis: da mesma forma que em astronomia, as leis de Einstein.

Para aqueles, então, que se agarram às ilusões de truques externos, a existência, o futuro e o casamento mesmo se tornam inexplicáveis e fatais, como o governo e a artrite [ótima comparação! rss]. Eles morrerão mais tarde do que antigamente [antigamente a média de vida não ultrapassava os 35 anos], mas não terão vivido mais por causa disto.

Outros, ao contrário, procuram reduzir em sua vida a parte da ficção. Algumas vezes fazendo de seus sonhos a realidade. Então o seu comportamento provoca escândalos. Aos olhos da moral, com efeito, não é a ficção como ficção que aparece indecente, escabrosa, obscena. O que ofende o “senso comum do pudor” é a paixão do real. Ninguém diz que o impudor é uma mentira: o que lhe repreendem é ser uma verdade nua.

(…)

A vida verdadeira, a vida que alguns inventam, por gosto de serem humanos, é o tempo durante o qual sabe-se que o amor é um jogo. Esta vida pode começar tarde; não importa quando; nunca. Durar pouco: o espaço de um encontro e de um riso. Ou então a eternidade das bodas de ouro. E recomeçar sempre, enquanto tiver oportunidade. Os homens não morrem de velhice: eles morrem quando deixam de acreditar no amor possível.

Eu creio que Bertolucci teve esta idéia (e muitas outras, é claro) em seu Último Tango em Paris. O filme mostra que o amor é uma vitória, não importa qual seja o contexto, quais sejam as formas ou falta de formas, enquanto ele só quiser ser a felicidade do instante, um jogo livre, um prazer sem leis. A tragédia acontece quando um dos parceiros tenta voltar às regras “absolutas”: a banalidade dos sentimentos e dos projetos, reminiscências, oferta de casamento e de domicílio conjugal. A negação do jogo. O erro. A imbecilidade.

Paul era jovem, podia viver, já era feliz, enquanto jogava com Rosa, sua mulher. Rosa, sendo a primeira a se matar, trai o espírito do jogo. Jeanne oferece a este homem a oportunidade de uma nova partida. Mas é ele, desta vez, quem recua, envelhece, diz tolices. Ele não procura, obscuramente, a morte física (embora assim tenham compreendido alguns críticos freudianos), mas somente a morte da imaginação, a senilidade prematura do espírito de aventura que acarretam as normas burguesas. A bala disparada por Jeanne faz apenas com que ele economize alguns anos de agonia voluntária.

Por suas figuras grotescas e triste de morrer, que substitui ao possível prazer da dança, o tango simboliza este mundo suicida. As contorsões (sic) conformistas dos casais simulam as contorsões (sic) do amor permitido: as caretas de arrogância, a dignidade posada, a decência enfática, exibidas para os outros, para ganhar um preço, para ser “classificado”. É a ficção tipo, a dança-fé, é o reflexo do estrago dos deuses. (…)

Jeanne não mata Paul porque ele fez amor com ela fora dos hábitos estabelecidos, mas porque ela compreende que o jogo acabou, e que, colocando fim ao jogo, Paul fez com que ela envelhecesse. Observemos que a jovem poderia também desembaraçar-se de seu noivo que acabava de lhe falar de conduta “adulta”, de futuro “calmo e sério”. Assim, mesmo em sua lógica trágica ela prova que a recusa também é relativa.

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16 novembro, 2009 em 19:21 porJulia Tenório

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12 nov 2009

Sexo explícito no cinema? não póóóde!

Repercute na França o caso do filme Histories de Sexe (s) , que foi rebaixado para a categoria de filme pornô.

histoiresdesexes

Para os puritanos a ação pode até parecer correta, mas não passa de uma medida imprópria para o filme em questão.

Histories de Sexe(s) é uma comédia leve que trata de sexualidade, inspirada no declínio do império americano. É a história de quatro amigas que se encontram para falar de suas últimas aventuras e de seus problemas amorosos. Paralelamente, quatro homens se encontram também para falar de sexo e conferem uma nova versão à história: homens e mulheres tem visões diferentes sobre o temas, obviamente. A “dupla” visão do filme é garantida por que seus diretos são um homem e uma mulher.

Segundo relatos de quem assistiu ao filme (eu ainda não vi, infelizmente), ele contém algumas cenas hilariantes e outras extremamente pedagógicas que abordam o tema do orgasmo, dos sextoys, da ejaculação feminina (parece ótimo né??).

Sendo considerado uma mistura de documentário, ficção e curso de sexologia, o filme certamente não merece a classificação X.

Os diretores do filme, Ovidie e Jack Tyler, protestam (aqui) contra a decisão afirmando que o filme tem a “ambição de superar as regras da indústria pornô” e que eles esperavam que com o filme sairiam das ruas (do gueto)”.

No entanto, eles foram reenviados secamente para a margem do cinema com esta decisão. Segundo os diretores

“um filme é considerado pornô quando apresenta qualquer script, não tem trabalho de preparo, por ser distante de uma sexualidade realista e, na maioria das vezes, degradar a mulher. Com este filme, dizem os diretores, encarou-se o desafio de apresentar uma sexualidade não caricatural e de colocar em cena a complexidade da relação do casal. Habitualmente, os cenários dos filmes pornôs servem apenas para introduzir as cenas de sexo que são a razão principal dos filmes pornográficos. Em Históries de Sexe(s), as curtas passagens explicitas não são mais do que ilustração das declarações feitas pelos próprios protagonistas. 95% de diálogos e 5% de sexo, e não o inverso. Claramente, não se trata de um filme masturbatório. Com este filme, nós atendemos a emergência de um novo gênero: um filme que trata abertamente da sexualidade, livre dos códigos da pornografia e de sua cota de ejaculações faciais. Nosso desejo não era que passasse para menores, porque estávamos exigindo a proibição para menores de 18 anos.”

Acredita-se, portanto, que a comissão CNC classificou o filme como pornô porque seria impensável para os puritanos, que parecem ser sempre a maioria, que um filme possa falar abertamente de sexo. Podemos falar de morte, de assassinatos em série, do fim do mundo, de guerra (principalmente de guerra), mas não podemos falar de sexo. A classificação do filme como pornô é uma forma perversa de censura. Ela vem acompanhada de um sistema de taxas e impostos que desestimula as pessoas a movimentarem dinheiro e, consequentemente, condenam os filmes sobre o tema a produções de baixa qualidade, amadorismo, diálogos irreais. Assim, totalmente estigmatizado os “bons” diretores não se arriscam nessas produções, pelo risco de sofrerem a censura no interior do mercado cinematográfico.

Segundo afirma Agnes Giard

…na França a classificação dos filmes como pornôs (ou como filmes X) foi uma tentativa de originalmente voltada para a liberdade, que visava permitir o uso de imagens de sexo nos filmes, mas rapidamente esta classificação passou a ser acompanhada por duras medidas fiscais que acabaram “matando no ninho um gênero cinematográfico nascente”. Sem recursos, esta categoria de filmes torna-se uma indústria que acumula genitálias em grande plano e atos sexuais como norma fundamental. Os filmes precursores do gênero anunciavam o glorisoso futuro da categoria: O último tango em Paris, O império dos sentidos, Mistress, O love Max, GOing Places, The mother and the wore, The Nigth Porter…poderia ter se tornado tao importante quanto os filmes de artes marciais ou as comédias musicais. No entanto ele foi assassinado. Cortaram-se seus recursos e ele foi condenado a mediocridade.

Proibições como a sofrida pelo Histoires de Sexe(s), somadas à força da TV, DVD, e da Internet, acabam por condenar de vez as ambições de quem desejava fazer arte com sexo…Afinal, quem vai querer fazer um filme de 3 milhões de reais (o valor mínimo de uma produção) se as produções da Internet, por exemplo, podem ser realizadas (sem sofrer censura da indústria) com apenas 3 mil euros?.

Para Ovidie o pornô agora é “a merda”. No lugar de mostrar o sexo como um espaço de liberdade e felicidade, o pornô mostra performances surrealistas e caricaturais.” Para o diretor, voltar às salas de cinema permitiria ao gênero sua saída do “gueto”, mas o CNC “desde 1975, como se os meios não tivessem evoluído, continua a classificar como pornô tudo o que ultrapassa o limiar de sua tolerância: um orgasmo vá lá. Dois orgasmos, prejuízo.

- Visite o site do filme e assista o trailer oficial:  Histoires de Sexe(s)
-
Adaptação livre do artigo de Agnès Giard.


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12 novembro, 2009 em 22:35 porJulia Tenório

Tags: filme_pornô, histories_de_sexes, Sexo e Cinema
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18 set 2009

Dirty Diários: pornografia que celebra a sexualidade feminina

Um grupo de suecas, artistas e feministas engajadas, acaba de lançar um DVD de doze curtas-metragens pornô. Será que as feministas estão se reconciliando com a indústria pornô?

dirty_diaries

O fato é que o DVD que as feministas suécas produziram, intitulado Dirty Diaries, está fazendo o maior barulho. Ele foi considerado “demasiado lésbico” na Suécia e, por isso, será lançado e distribuído na França. E, esperamos, que não se esqueçam de distribuir no Brasil, não é!?

Dirty Diaries é uma coleção de doze curtas-metragens. Doze filmes para adultos, filmado com um celular com câmera para “libertar a sexualidade feminina”, diz Åsa Sandzén. Ela é a diretora de Dildoman (ver vídeo): um filme de animação, que mostra duas mulheres gigantes brincando com um homem pequeno em um clube de strip-gigante, jogando com um homem pequeno que foi transformado em um sextoy,  que elas acabam quebrando. Todos os filmes estão longe de serem tão políticos.  Alguns são muito conceitual, outros usam regras tradicionais da indústria pornô. Mas em cada um deles as atrizes parecem gostar do que fazem.

Pornô  ”para deixar as mulheres mais fortes”?

Para Mia Engberg iniciadora do projeto, o objetivo é fazer pornô para mulheres. “Se elas podem consumir o pornô livremente, sem culpa, elas serão mais fortes.  Elas poderão dizer não para o que elas nao querem.  Uma vez que o sexo consiste muito em satisfazer o desejo do homem. ”

Na Suécia, o DVD está longe de ser unânime.  Ele é criticado por ter uma orientação “fortemente  lésbica” (5 dos 12 filmes são lésbicos). Mas a principal crítica visa o Instituto de filmes suécos, que conferiu ao projeto cerca de 35.000 euros.  Segundo Mia Engberg, no entanto, uma empresa de produção francesa já se ofereceu para comprar os direitos do DVD para a França.

Para quem desejar adquirir O DVD é de distribuição da Njutafilms, mas não sei se enviam para o Brasil.

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18 setembro, 2009 em 14:12 porJulia Tenório

Tags: dirty_diaries, filmes, filmes x, lésbicas, lésbicos, pornô, strip
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20 jun 2009

Deu no Jornal

Um ótimo curta de Yanko del Pino, simples, criativo e com uma ótima idéia por trás: um ato cotidiano. Afinal, quem nunca leu, se excitou ou retirou algum tipo de prazer (mesmo que cômico) dos anúncios de garotas em jornais? Esse fala especificamente do universo masculino. Está no PortaCurtas, mas também está no YouTube no canal de Yanko del Pino.

Ficha Técnica
Fotografia: Yanko del Pino Roteiro Yanko del Pino; Direção de Arte: Yanko del Pino; Empresa produtora: Rodando Filmes; Edição de som: Yanko del Pino; Produção Executiva: Yanko del Pino; Montagem: Yanko del Pino; Informações cedidas por: Kinoforum

Mais informações sobre o curta: PortaCurtas

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20 junho, 2009 em 13:56 porJulia Tenório

Tags: anúncio_putas, curta_metragem, deu_no_jornal, garotas, jornal, porta_curtas, Yanko_del_pino
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23 mai 2009

Almodóvar faz sexo oral durante filmagens

Almodóvar diz ter feito sexo oral em uma atriz durante filmagem. Segundo ele, se for necessário ele desempenha todos os papéis durante as filmagens para mostrar aos atores como eles devem fazer. O mais importante é que os atores desempenhem os papéis como ele deseja e com o máximo de realidade.

almodóvar


“O cineasta espanhol Pedro Almodóvar explicou nesta terça-feira (19) que já chegou a fazer sexo oral em uma atriz para mostrar como queria que a cena fosse feita. “Interpreto todos os papeis no set”, disse no Festival de Cannes, onde apresentou seu mais novo filme, “Los abrazos rotos”.” (O GLOBO)

Para ver o vídeo desta entrevista: Les Cunnillingus d´Almodóvar*

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23 maio, 2009 em 0:30 porJulia Tenório

Tags: cunnillingus, los_abrazos_rotos, pedro_almodóvar, penélope_cruz, sexo oral
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