Category Archives: Sexo e Cinema

Entre a santa e as prostitutas

Por Renée S. , nova colaboradora do Sexocult

Estabilidade, organização, controle. Essas palavras regem a vida da maioria dos indivíduos no seio social, nas mais diversas situações, em áreas que acreditamos ser completamente bem resolvidas. Para alguns, até o sexo, o que se pensa, o que se faz, já está estabelecido, é algo transparente e bem entendido no cotidiano social, ouvimos com frequência, “entre quatro paredes, vale tudo”. Mas, quais os limites para esse “tudo”. Ao nos questionar, podemos nos deparar com situações que colocam em cheque nossas crenças mais profundas e, assim, todo controle que acreditamos possuir torna-se algo imaginário. Essa situação é retratada no filme Elles (Imovision, 2012), da diretora Malgorzata Szumowska. Nessa produção, Anne (Juliette Binoche), jornalista de uma revista francesa de prestígio, se encontra completamente envolvida em uma matéria sobre prostituição estudantil. Para esse trabalho, ela conta com a ajuda de duas estudantes Alicja (Joanna Kulig) e Charlotte (Anais Demoustier) que falam abertamente sobre suas experiências com diversos clientes.

Uma questão bastante enfatizada pelas duas jovens refere-se ao fato de a maioria dos homens que elas atendem serem casados e as procurar para realizar determinadas práticas proibidas de serem feitas com as esposas. Com a convivência e diante das confissões das duas garotas, as crenças de Anne são desestabilizadas, fato que reflete em sua vida e seu relacionamento.

O filme é uma ótima reflexão sobre os limites que nos impomos, sem perceber, na ilusão de sermos livres de qualquer tabu e liberais no que se refere à vida e, principalmente, ao sexo. Trata-se de uma provocação sobre os limites que estabelecemos ao “vale tudo” e, podemos acrescentar ainda, sobre até que ponto superamos a metáfora “a santa e a prostituta” relacionada à imagem da mulher em sociedade.

Elles: França/ Polônia/ Alemanha, 2011 – 110 min.
Direção: Malgorzata Szumowska
Roteiro: Malgorzata Szumowska, Tine Byrckel
Elenco: Juliette Binoche, Anaïs Demoustier, Joanna Kulig, Louis-Do de Lencquesaing, Krystyna Janda, Andrzej Chyra, Ali Marhyar, Jean-Marie Binoche, François Civil, Pablo Beugnet

O teu marido? Ele não te chupa não?

Um diálogo (incomum?). Um filmaço. Um vídeo de alunos do design.

Tipografia Cinética e uma interessante forma de imprimir vida à tipografia, ao som e… aos diálogos cotidianos.

O cinema contra a homofobia: “Bye Bye, Blonde”

Em Março estréia no cinema europeu o filme Bye, Bye, Blonde, de Virginie Despentes. Pelo filme, a escritora e diretora foi homenageada com o prêmio Pierre Guénin de 2012.

Pierre Guénin  é um artista escritor e militante da causa homossexual que luta, desde os anos 60, para visibilizar a luta LGBT na mídia e na sociedade. Seu nome foi dado ao prêmio Pierre Guenin, criado em 2009, para homenagear as personalidade que lutam contra a homofobia.

Por isso, o prêmio deste ano foi para Virginie Despentes e seu interessante filme “Bye Bye, Blonde”.

Bye Bye, Blonde, conta a história de duas garotas, Gloria e Frances, que se encontram nos anos 80 e se amam “como se ama aos dezesseis anos: droga, sexo e rock and roll”. As duas são separadas pela vida e seguem caminhos diferentes, reencontrando-se vinte anos depois.

Virginie Despentes escreve em um estilo que une oralidade brutal e realidade crua e suas obras fazem dela o símbolo de uma literatura “trash”. Crônica social, exploração do melhor da prostituição e a da pornografia. Sua obra testemunha um mundo de diferentes vidas ou desigualdades sociais que são discriminadas. Ela é conhecida por sua capacidade de observar as pessoas e as coisas. Transformando vidas e relações sociais em histórias picantes e prazerosas.

Para aqueles que não conhecem Despentes, resta dizer que ela é famosa por seus escritos crus, realistas e cheios de audácia. Uma escrita que agrada muito e que já recebeu muitos outros prêmios:

1998: Prêmio Flore
1999: Prêmio Saint-Valentin
2010: Prêmio “Trop Virilio” e “Renaudot”

E, este ano, o prêmio Pierre Guénin, uma homenagem por sua luta em favor da homossexualidade e contra a homofobia.

Cabaret Desire: 4 histórias do desejo feminino

Erika Lust, aclamada escritora e diretora de filmes eróticos, lança no mercado europeu seu novo filme: Cabaret Desire. O filme não será exibido nos cinemas. Está disponível apenas em DVD e para download na Internet.

Em um lugar mágico e boêmio homens e mulheres se encontram para contar histórias eróticas. Bordel, poesia, encantamento e palavras que produzem uma inesquecível viagem poética. Quatro contos são contados pelos narradores do filme revelando lugares luxuosos e ocultos desejos femininos:

Os dois Alex:
Uma atendente de bar que tem uma aventura com dois clientes, dois Alex, um homem e uma mulher, que não suportam a ligação com o outro.

Minha mãe:
Uma pintora, mulher e acima de tudo uma mulher livre, que ama invadir como uma ladra a casa dos outros para roubar um pouco de amor, segundo suas fantasias.

No país das maravilhas:
Uma mulher de trinta anos, sem amantes regulares que tenta todos os serviços possíveis na internet, oferecendo uma noite inesquecível como uma bela Adonis.

As folhas molhadas:
Durante um ano, ele não conseguiu esquecer como sua boca e seus beijos eram intensos. Tocar outras peles não o faziam esquecer como suas carícias eram únicas.

Sex e cult, não?

Compre e assista!

Hysteria e final de 2011

Enquanto o último dia de 2011 não acaba vou deixar a última dica do ano. O trailer do filme Hysteria, que estreou em Dezembro no Reino Unido e na Europa (e no Brasil ? Não sei…). Na Europa o título circula com o apropriado nome de Oh My God!

Inspirado em uma história real, Oh my god! (Hysteria em Inglês), narra a história do homem que inventou o primeiro vibrador oficialmente registrado na história: Mortimer Granville.

Segundo conta o filme: “Na Inglaterra vitoriana, Mortimer Granville, um médico jovem e atraente começa a trabalhar com o Dr. Dalrymple, um especialista em histeria feminina. O tratamento recomendado é simples, mas extremamente eficaz: o prazer que dá para aliviar os problemas femininos! Dr. Mortimer assume seu ofício com todo o fervor, mas logo uma cãibra desagradável na mão o impediu de praticar sua profissão. Com a ajuda de seu melhor amigo, um amante das novas tecnologias, ele desenvolveu um objeto revolucionário, o primeiro vibrador …. ”

A história é engraçada, bem filmada e descreve uma prática médica que foi gratificante, no século 19, para os médicos que puderam desfrutar de suas pacientes, sob o pretexto de tratá-las. No filme, Mortimer Granville é apresentado como um verdadeiro libertador que, por amor de uma sufragista, adota a causa das mulheres.

No entanto, parece que na realidade, Mortimer foi muito menos revolucionário do que aquilo que o filme quer nos fazer acreditar. Seu vibrador, na verdade, foi criado exclusivamente para o uso masculino e não era destinado a tratar a histeria feminina. Mortimer Granville, desencorajava firmemente que ele fosse usado em mulheres, que segundo ele eram incapazes de suportar o tremor causado pelas vibrações da máquina …

Talvez ele, como muitos médicos e homens da era vitoriana temesse o prazer que as mulheres podem se dar?
Mesmo hoje ouvimos bem intencionados psicólogos alegarem que os brinquedos eróticos podem ser prejudiciais para “alguns segmentos da sociedade”, leia-se: mulheres casadas, pois pode atrapalhar a sintonia do casal etc.

Mesmo não sendo tão fiel ao “cerco” masculino que as mulheres sofrem contra a liberação de todos os seus prazeres, vale a pena ver o trailer e, se possível, ver o filme.

Por este ano é só! Feliz 2012 para todos vocês!

O ano de 2011 acaba hoje e eu, apesar de não ter atualizado decentemente este blog , não podia deixar de deixar o meu abraço a todos os fiéis leitores deste blog e também a promessa de que em 2012 o Sexocult voltará com força total. Espero ardentemente (em todos os sentidos) que no ano que vem eu possa me dedicar mais e trazer artigos com maior frequencia e maior qualidade. Paciência!