O nome da coisa: sobre xoxotas, xerecas e perseguidas
A psicóloga, sexóloga e professora Eliane Maio, da cidade de Maringá-PR, publicou em 2011 um livro intitulado “O nome da coisa”. Resultado de sua pesquisa de doutorado sobre os nomes “jocosos” que homens e mulheres atribuem aos órgãos sexuais feminino e masculino.
A pesquisa foi desenvolvida pela autora em seis estados brasileiros e ouviu mais de 4.900 homens e mulheres, revelando a irreverência e repressão com a qual o assunto é tratado.
Como na literatura e na sociedade brasileira de forma geral, o pênis, segundo a autora, tem apelidos que demonstram conotações de força, virilidade e violência. Por outro lado, a vulva tem muitos nomes que simbolizam desprezo e diminutivos. O que não é de espantar, já que a repressão sexual também se fez pela forma como se “chama a coisa”.
A autora deu uma agradável entrevista ao Jô Soares, em maio deste ano. Assista, leia e confesse: qual é o nome da tua/teu? O da minha é “inconfessável”.
O livro foi publicado pela Editora Unicorpore e pode ser adquirido no site da editora: O Nome da Coisa
Hysteria e final de 2011
Enquanto o último dia de 2011 não acaba vou deixar a última dica do ano. O trailer do filme Hysteria, que estreou em Dezembro no Reino Unido e na Europa (e no Brasil ? Não sei…). Na Europa o título circula com o apropriado nome de Oh My God!
Inspirado em uma história real, Oh my god! (Hysteria em Inglês), narra a história do homem que inventou o primeiro vibrador oficialmente registrado na história: Mortimer Granville.
Segundo conta o filme: “Na Inglaterra vitoriana, Mortimer Granville, um médico jovem e atraente começa a trabalhar com o Dr. Dalrymple, um especialista em histeria feminina. O tratamento recomendado é simples, mas extremamente eficaz: o prazer que dá para aliviar os problemas femininos! Dr. Mortimer assume seu ofício com todo o fervor, mas logo uma cãibra desagradável na mão o impediu de praticar sua profissão. Com a ajuda de seu melhor amigo, um amante das novas tecnologias, ele desenvolveu um objeto revolucionário, o primeiro vibrador …. ”
A história é engraçada, bem filmada e descreve uma prática médica que foi gratificante, no século 19, para os médicos que puderam desfrutar de suas pacientes, sob o pretexto de tratá-las. No filme, Mortimer Granville é apresentado como um verdadeiro libertador que, por amor de uma sufragista, adota a causa das mulheres.
No entanto, parece que na realidade, Mortimer foi muito menos revolucionário do que aquilo que o filme quer nos fazer acreditar. Seu vibrador, na verdade, foi criado exclusivamente para o uso masculino e não era destinado a tratar a histeria feminina. Mortimer Granville, desencorajava firmemente que ele fosse usado em mulheres, que segundo ele eram incapazes de suportar o tremor causado pelas vibrações da máquina …
Talvez ele, como muitos médicos e homens da era vitoriana temesse o prazer que as mulheres podem se dar?
Mesmo hoje ouvimos bem intencionados psicólogos alegarem que os brinquedos eróticos podem ser prejudiciais para “alguns segmentos da sociedade”, leia-se: mulheres casadas, pois pode atrapalhar a sintonia do casal etc.
Mesmo não sendo tão fiel ao “cerco” masculino que as mulheres sofrem contra a liberação de todos os seus prazeres, vale a pena ver o trailer e, se possível, ver o filme.
Por este ano é só! Feliz 2012 para todos vocês!
O ano de 2011 acaba hoje e eu, apesar de não ter atualizado decentemente este blog , não podia deixar de deixar o meu abraço a todos os fiéis leitores deste blog e também a promessa de que em 2012 o Sexocult voltará com força total. Espero ardentemente (em todos os sentidos) que no ano que vem eu possa me dedicar mais e trazer artigos com maior frequencia e maior qualidade. Paciência!
“Tô ficando atoladinha”: liberdade ou alienação?
A fala de Tom Zé no programa do Jô nos faz abandonar (mesmo que a contragosto) os pré-conceitos musicais, muitas vezes baseados em gosto, preferência etc, e nos leva a refletir sobre o modo como os temas sobre sexualidade “podem” ou “não podem” circular em nossa sociedade.
Na entrevista, concedida ao programa do Jô, o músico se defende da crítica que sofreu ao defender a música e a letra do funk carioca “Tô ficando atoladinha”. Obviamente porque muitos defendem que é uma letra “pobre” , “depreciativa” etc…
O que me pergunto é se ele sofreu críticas por questões referentes ao aspecto musical (o que é ou não é música, por exemplo) ou por questões referentes ao tema da sexualidade (o que é “bonito” dizer ou não sobre sexo, por exemplo.)
A verdade é que a poesia e a música estiveram sempre repletas de erudição e belas palavras, assim como de nomes feios e palavrões, gostemos deles ou não (e sempre há quem goste mais de uma coisa que de outra).
O grande lance de “tô ficando atoladinha” é a possível identificação entre a letra e acontecimentos, sentimentos e sensações que fazem parte do cotidiano sexual da grande maioria dos brasileiros. Numa linguagem simples e repetitiva e, se considerarmos a análise do Tom Zé, musicalmente plurisemiótica, a “coisa” pega e pega todo mundo.
O mesmo acontece com músicas mais atuais, como o sucesso do cantor Michel Teló, cujo refrão “delícia, delícia, assim você me mata, ai se eu te pego!” domina cabeças e mentes nas “festinhas” brasileiras (de ricos e de pobres). Afinal, quem é que ainda não se surpreendeu no meio do dia repetindo algo como “delícia, delícia, assim você me mata!”?
Sem contar nas impagáveis oportunidades que tais músicas proporcionam quando você vê aquela irmã mais tímida, mãe ou tia dançando, animadíssima, uma “tô ficando atoladinha…” (depois de tomar “uns bons drinks”, é claro!). Que bela oportunidade !
A análise de muitas músicas nos permitiria dizer que, independente do estilo e gênero musical, música é música e se fala sobre sexualidade de forma franca, objetiva e sem floreios tanto melhor. Já citamos neste blog várias músicas consideradas “cult”, que falam de sexo e sexualidade e que, inclusive, falam de forma explícita e com forte carga sexual.
Enfim, se faz sentido para alguém então tá tudo bem! E, principalmente, se ajuda na reflexão sobre a sexualidade, sobre o desejo, sobre as diferentes possibilidades de ser feliz e se entregar, está melhor ainda.
Cada um com sua música! Dancemos, relaxemos e gozemos. “Façamos, vamos amar!”
Em busca da vulva ideal
E…para os que sabem inglês, nesta segunda-feira, dia das bruxas, nada melhor que um divertido documentário sobre o mercado da vulva ideal.
Sexo, suor e filosofia!

Por reação a oposição binária corpo-alma o artista francês Pascal Lièvre teve a ideia de fabricar cuecas bordadas com nome de filósofos famosos. Após a confecção das peças as cuecas foram tema de desfiles e de ensaio fotográfico, feito pelo artista. No ensaio os modelos posaram com as cuecas bordadas e um livro do filósofo na mão.
“ Eu quis pôr em cena uma nova geração de homens que gostam da filosofia. Eu fotografei homens com ereção lendo um livro do mesmo filósofo bordado em sua cueca. As fotos foram expostas na La Flatland Gallery d’Utretch. Depois eu decidi, com minha curadora Vanessa Quang, enquadrar as cuecas que haviam sido utilizadas para a série fotográfica e vendê-las. “
Muitas pessoas me contataram para saber onde poderiam achar as cuecas, porque elas queriam comprá-las. Eu decidi que deveria responder à demanda, mas gostaria de guardar o trabalho artístico e não apenas me lançar a uma superprodução, já que não sou um fabricante de cuecas, mas sim um artista…”
A coleção possui cerca de 100 cuecas, e é vendida pela Internet. Mas, não consta entre os filósofos o nome de Platão, por exemplo. O artista prefere filósofos como Deleuze, Freud, Foucault e principalmente Nietzsche que, para ele, marca uma verdadeira mudança na história da filosofia. Para ele tudo começa com Nietzsche e com esta declaração em Zaratustra:
“Eu sou um corpo completo e não outra coisa; a alma não é uma palavra para uma parcela do corpo”. Nietzsche me parece ser o filósofo da ruptura, ele coloca em questão a descontrução da metafísica , que põe fim a esta separação do corpo com alma ou espírito.”
Em homenagem à Nietzsche, Pascal Lièvre lança posteriormente várias atividades artísticas que consistem, com humor, em usar seu corpo para melhor pensar na relação dos corpos: em 2010, ele criou uma performance intitulada Aeróbica Nietzsche em salto, que consiste em colocar sapatos femininos para fazer ginástica em sob salto agulha. Titubeando um pouco na ponta dos pés, eles sincronizam seus movimentos aos de Pascal Lièvre, disfarçado de professor de ginástica… E um, e dois! Eles executam os gestos com muita dedicação, suando nas lindas camisetes rosas que deixam a performance bem humorada.
Você deseja a filosofia? Você deve beber sua essência, responde Pascal Lièvre, que passa sua mensagem:
“…pode até existir corpos que não pensam (muitos), mas não existe pensamento sem corpo. Sem corpo, não pensamos mais, estamos mortos.”





