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A psicóloga, sexóloga e professora Eliane Maio, da cidade de Maringá-PR, publicou em 2011 um livro intitulado “O nome da coisa”. Resultado de sua pesquisa de doutorado sobre os nomes “jocosos” que homens e mulheres atribuem aos órgãos sexuais feminino e masculino.
A pesquisa foi desenvolvida pela autora em seis estados brasileiros e ouviu mais de 4.900 homens e mulheres, revelando a irreverência e repressão com a qual o assunto é tratado.
Como na literatura e na sociedade brasileira de forma geral, o pênis, segundo a autora, tem apelidos que demonstram conotações de força, virilidade e violência. Por outro lado, a vulva tem muitos nomes que simbolizam desprezo e diminutivos. O que não é de espantar, já que a repressão sexual também se fez pela forma como se “chama a coisa”.
A autora deu uma agradável entrevista ao Jô Soares, em maio deste ano. Assista, leia e confesse: qual é o nome da tua/teu? O da minha é “inconfessável”.
O livro foi publicado pela Editora Unicorpore e pode ser adquirido no site da editora: O Nome da Coisa

Por reação a oposição binária corpo-alma o artista francês Pascal Lièvre teve a ideia de fabricar cuecas bordadas com nome de filósofos famosos. Após a confecção das peças as cuecas foram tema de desfiles e de ensaio fotográfico, feito pelo artista. No ensaio os modelos posaram com as cuecas bordadas e um livro do filósofo na mão.
“ Eu quis pôr em cena uma nova geração de homens que gostam da filosofia. Eu fotografei homens com ereção lendo um livro do mesmo filósofo bordado em sua cueca. As fotos foram expostas na La Flatland Gallery d’Utretch. Depois eu decidi, com minha curadora Vanessa Quang, enquadrar as cuecas que haviam sido utilizadas para a série fotográfica e vendê-las. “
Muitas pessoas me contataram para saber onde poderiam achar as cuecas, porque elas queriam comprá-las. Eu decidi que deveria responder à demanda, mas gostaria de guardar o trabalho artístico e não apenas me lançar a uma superprodução, já que não sou um fabricante de cuecas, mas sim um artista…”
A coleção possui cerca de 100 cuecas, e é vendida pela Internet. Mas, não consta entre os filósofos o nome de Platão, por exemplo. O artista prefere filósofos como Deleuze, Freud, Foucault e principalmente Nietzsche que, para ele, marca uma verdadeira mudança na história da filosofia. Para ele tudo começa com Nietzsche e com esta declaração em Zaratustra:
“Eu sou um corpo completo e não outra coisa; a alma não é uma palavra para uma parcela do corpo”. Nietzsche me parece ser o filósofo da ruptura, ele coloca em questão a descontrução da metafísica , que põe fim a esta separação do corpo com alma ou espírito.”
Em homenagem à Nietzsche, Pascal Lièvre lança posteriormente várias atividades artísticas que consistem, com humor, em usar seu corpo para melhor pensar na relação dos corpos: em 2010, ele criou uma performance intitulada Aeróbica Nietzsche em salto, que consiste em colocar sapatos femininos para fazer ginástica em sob salto agulha. Titubeando um pouco na ponta dos pés, eles sincronizam seus movimentos aos de Pascal Lièvre, disfarçado de professor de ginástica… E um, e dois! Eles executam os gestos com muita dedicação, suando nas lindas camisetes rosas que deixam a performance bem humorada.
Você deseja a filosofia? Você deve beber sua essência, responde Pascal Lièvre, que passa sua mensagem:
“…pode até existir corpos que não pensam (muitos), mas não existe pensamento sem corpo. Sem corpo, não pensamos mais, estamos mortos.”
Descobri recentemente um livro maravilhoso que, mesmo não sendo especificamente uma leitura sobre sexo ou sexualidade, indico – para os casados e não casados : “A História da esposa: da Virgem Maria a Madonna”, de Marilyn Yalom.
O livro oferece uma leitura importante e muito reveladora sobre as leis, práticas e costumes sociais que afetam e direcionam a vida de diferentes gerações de esposas. O mais interessante do livro é que através dele temos contato com nomes femininos que, através de suas incríveis experiências, se rebelaram contra as tradições de suas épocas. Para tanto utiliza-se de citações de diários, memórias, cartas.
Entre tais mulheres encontramos algumas famosas, outras anônimas e comuns, que, de diferentes maneiras lutaram contra as amarras de seu tempo e mudaram os rumos da instituição do casamento.
Como não poderia deixar de ser, contar a história das esposas não seria possível sem passar pela questão do sexo e da sexualidade na sociedade organizada, já que, como descreve muito bem Michel Foucault em sua obra sobre a História da Sexualidade, “o sexo é a causa de todos os fenômenos de nossa vida e também comanda o conjunto da existência social”.
Vale a pena ler os dois autores…
Para saber mais sobre a História da Sexualidade de Michel Foucault leia mais aqui
Os homens sempre se preocuparam com o tamanho do pênis. É fato! O mistério é saber a razão dessa “preocupação”. Por que as mulheres gostam? Por que dá mais prazer? Mais “poder”? …
O livro Big Penis Book 3D (publicado pela Taschen, com óculos 3D), promete dar algumas respostas, pelo menos parciais.
Segundo o livro, quanto maior é o tamanho do pênis maior a segurança do seu “portador”. E ainda afirma que, no fundo, as mulheres não desejam nada além disso. Um predador!
Seria uma espécie de síndrome de Chapeuzinho Vermelho? Para Agnés Giard
“as mulheres não são complicadas ou racionais, ou insuportavelmente românticas, como alguns querem fazer parecer. As mulheres são de uma simplicidade sublime. Basta pressionar um botão para fazê-las gemer e gozar. E, para isso, existem dois tipos de botão. O primeiro botão é clitóris (que inclui a área dentro da vagina). O segundo é de ordem psicológica: o desejo de ser ”comida”. Somos todas chapeuzinhos vermelho. Todas nós sonhamos com o lobo mau. ”Lobo, onde está você? Esperamos pelo estranho, pelo desconhecido, que nos levará…é o sonho, a selvageria latente que nos faz mulheres bruxas prontas para entregar-nos ao diabo. E que faz dos homens monstros noturnos que chamamos e esperamos, desesperadamente… Queremos o lobisomem, o homem que mora do lado escuro. Nós desejamos esta forma de estranhamento radical, que consiste em não reconhecer aquele que amamos: a visão muda, ele não é nosso marido ou nosso companheiro. Ele é bruscamente qualquer coisa que possui a força. Ele retirou sua pele de homem. Ele deslocou seus ossos na noite. Ele substituiu a palavra pelo grito. Tal é o lobo: símbolo de uma fecundação violenta que introduz as jovens mulheres num universo de sangue, de escuridão noturna, de vida e de volúpia…sim, nós desejamos a predação. Sim, a sexualidade é algo violento.”
Há alguns dias uma amiga me indicou o Twitter de Regina Navarro. Em sua bio ela escreve:
“Psicanalista e escritora, autora de A Cama na Varanda e mais nove livros sobre relacionamento amoroso. Colunista do IG e do jornal O Dia.”
Eu, particularmente, achei tudo o que ela escreve sensacional. Sensível e com uma visão bastante singular sobre relacionamento e sexo, Regina é autora do livro ” A cama na varanda“.

Um livro extraodrinário, que nos conta coisas como a história da sexualidade, o período paleolítico, o início do “culto ao falo”, casamentos, a influência da religião, Eva, Lilith (a primeira mulher de Adão), o grande perigo da Vagina, gays, lésbicas etc.
Uma leitura imperdível para aqueles que desejam conhecer a origem dos relacionamentos e compreender alguns conflitos atuais.
Além do livro recomendo a leitura da coluna da autora no IG, e mais especificamente o artigo O Prazer na dor, em que Regina entrevista Flávio Braga, autor de Sob Masoch – livro da editora Best Seller inspirado em Leopold Franz Johann Ferdinand Maria Sacher – Masoch, aristocrata e escritor austríaco (1836-1895). Masoch tornou-se célebre ao emprestar seu nome a uma perversão: o masoquismo.
Vale a pena ler.