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Eles moram no Afeganistão, no Iemen, na Malásia ou na Jamaica… Eles pertencem a diferentes religiões: evangélicos, mulçumanos, católicos ou ateus…
O que eles tem em comum? São gays e são, igualmente, vítimas e testemunhas da discriminação.

Graças a ajuda de alguns sites de encontros, Philippe Castetbon recolheu os testemunhos e as fotos de homens gays de 51 países (de A como Afeganistão a Z como Zimbabue), onde a homosexualidade é proibida por lei.
Condenados, excluídos, violentados, humilhados e, muitas vezes, mortos, eles falam sobre seus medos, sobre mentira e sobre as humilhação.
Cada um produziu um autoretrato original de sua vida no país, publicando, anonimamente, sua visão sobre a situação. A internet, nesse sentido, os ajuda a realizar as denúncias sem medo do reconhecimento e da punição.
Uma exposição sobre a liberdade de ser e de amar, que virou livro.
“Les condamnés” (Os condenados), publicado pelas Edições H&O, estará nas livrarias européias a partir de 5 de fevereiro de 2010.
Ao reler algumas páginas de minha agenda do ano passado encontrei um texto de Carina de Luca, que escreveu alguns poemas para a agenda da Tribos em 2009. Achei interessante e resolvi compartilhar. Aí está.

Sexo casual sincero pode ser mais digno do que um suposto amor pra sempre - do véu e grinalda ao ódio preso entre agulhas de crochê e uma cadeira de balanço. Pode ser feito com respeito. Ao menos, mais consideração do que a que (não) há pelos aniversários de casamento, de namoro, de filhos. Pode ser epifânico. Enquanto isso, onde os alumbramentos com a convivência? Pode ser amor - ainda que instantâneo e rapidamente findo. Melhor que sentimento cheirando a guardado em algum fundo de gaveta. (Carina de Luca - Livro da Tribos, 23 Ago 2009)
C´est vrai!
Queridos leitores, peço desculpa pela ausência, novamente fui “devorada” pelos deveres acadêmicos…
E, aproveitando os “ares” acadêmicos, trago para vocês um delicioso poema “garimpado” de sites locais, mais precisamente do blog do professor Marciano Lopes e Silva, o MetAArte.
O poema é do colega- do mundo das Letras da UEM (Universidade Estadual de Maringá) - Fábio Freitas (Sansão) e foi apresentado no II Sarau Outras Palavras (clique aqui para saber do próximo evento Outras Palavras) por Nívea Martins.

Felação
essa lisa bela face
nessa pura pele-seda
esse vem-de-sobrancelha
nessa afago-olhar que queima
esse toque tanto tenta
nesse tato lacuna-seio
essa louca língua ao falo
dessa boca-forno-abrigo
esse grande lábio à glande
esse sorve-beija-lambe
nesse silvo-sortilégio
desse ereto rito heregeapnéia-me
derrama-me
enfarta-me
mata-meessa faro-fome come
esse couro-nervo-carne
esse curvo cerne duro
e essa boca-guloseima
lambuza mucosas-seivas
deglute figos suor-azeite
sorri madrepérola-leite
torna tênues tabus-recatos
nessa pura pele-seda
dessa lisa bela facepoema: Fábio Freitas ( Sansão)
intérprete: Duda (Nívea Martins)
www.nomeiodocaminho.com.br
Para pensarmos…uma epígrafe
“Por que tudo gira assim em torno do sexo?
Porque o sexo é um objeto desconsiderado, que está se transformando num outro. Nós resolvemos experimentar este outro, e decidimos ficar com ele. “ Antonin ARTAUD
Considerando o interesse geral de nossos leitores por poemas eróticos, dedicamos o artigo de hoje a um dos mais ilustres poetas brasileiros: Carlos Drummond de Andrade, e sua lindíssima obra O amor Natural .
Abaixo alguns recortes (escrever todos os poemas é sacanagem - mas não sacanagem boa) desta obra que vale muito ser lida por inteiro, ser guardada, vigiada, relida, emprestada e resgatada para garantia de gozos literários futuros.

Amor - pois que é palavra essencial
(…)
Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.
A Bunda, que engraçada
A bunda, que engraçada
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
Pela frente do corpo. A bunda basta-se.
(…)
À meia-noite, pelo telefone,
conta-me que é fulva a mata do seu púbis.
Outras notícias do corpo não quer dar, nem de seus gostos.
Fecha-se em copas:
“Se você não vem depressa até aqui
nem eu posso correr à sua casa,
que seria de mim até o amanhecer?”
Concordo, calo-me.
Certamente o livro tem outros poemas e se dedica a transformar práticas sexuais orais, anais, e outras mais românticas, em um livre exercício de desprendimento literário. Para facilitar a aquisição listamos abaixo alguns sebos onde pode-se encontrar a obra. A primeira edição é mais cara, mas contém ilustrações de Milton DaCosta.
Estante Virtual
Sebo do Marcao
Obs: As imagens deste artigo foram retiradas do site Sex In Art.