Category Archives: Sexo e Literatura

Sexo, suor e filosofia!


Por reação a oposição binária corpo-alma o artista francês Pascal Lièvre teve a ideia de fabricar cuecas bordadas com nome de filósofos famosos. Após a confecção das peças as cuecas foram tema de desfiles e de ensaio fotográfico, feito pelo artista. No ensaio os modelos posaram com as cuecas bordadas e um livro do filósofo na mão.

Eu quis pôr em cena uma nova geração de homens que gostam da filosofia. Eu fotografei homens com ereção lendo um livro do mesmo filósofo bordado em sua cueca. As fotos foram expostas na La Flatland Gallery d’Utretch.  Depois eu decidi, com minha curadora Vanessa Quang, enquadrar as cuecas que haviam sido utilizadas para a série fotográfica e vendê-las. “

Muitas pessoas me contataram para saber onde poderiam achar as cuecas, porque elas queriam  comprá-las. Eu decidi que deveria responder à demanda, mas gostaria de guardar o trabalho artístico e não apenas me lançar a uma superprodução, já que não sou um fabricante de cuecas, mas sim um artista…”

A coleção possui cerca de 100 cuecas, e é vendida pela Internet. Mas, não consta entre os filósofos o nome de Platão, por exemplo. O artista prefere filósofos como Deleuze, Freud, Foucault e principalmente Nietzsche que, para ele, marca uma verdadeira mudança na história da filosofia. Para ele tudo começa com Nietzsche e com esta declaração em Zaratustra:

“Eu sou um corpo completo e não outra coisa; a alma não é uma palavra para uma parcela do corpo”. Nietzsche me parece ser o filósofo da ruptura, ele coloca em questão a descontrução da metafísica , que põe fim a esta separação do corpo com alma ou espírito.”

Em homenagem à Nietzsche, Pascal Lièvre lança posteriormente várias atividades artísticas que consistem, com humor, em usar seu corpo para melhor pensar na relação dos corpos: em 2010, ele criou uma performance intitulada Aeróbica Nietzsche em salto, que consiste em colocar sapatos femininos para fazer ginástica em sob salto agulha.  Titubeando um pouco na ponta dos pés, eles sincronizam seus movimentos aos de Pascal Lièvre, disfarçado de professor de ginástica… E um, e dois! Eles executam os gestos com muita dedicação, suando nas lindas camisetes rosas que deixam a performance bem humorada.

Você deseja a filosofia? Você deve beber sua essência, responde Pascal Lièvre, que passa sua mensagem:

“…pode até existir corpos que não pensam (muitos), mas não existe pensamento sem corpo. Sem corpo, não pensamos mais, estamos mortos.”

Sexo, Sexualidade e História

Descobri recentemente um livro maravilhoso que, mesmo não sendo especificamente uma leitura sobre sexo ou sexualidade,  indico – para os casados e não casados :  “A História da esposa: da Virgem Maria a Madonna”, de Marilyn Yalom.

O livro oferece uma leitura importante e muito reveladora sobre as leis, práticas e costumes sociais que afetam e direcionam a vida de diferentes gerações de esposas. O mais interessante do livro é que através dele temos contato com nomes femininos que, através de suas incríveis experiências, se rebelaram contra as tradições de suas épocas. Para tanto utiliza-se de citações de diários, memórias, cartas.

Entre tais mulheres encontramos algumas famosas, outras anônimas e comuns, que, de diferentes maneiras lutaram contra as amarras de seu tempo e mudaram os rumos da instituição do casamento.

Como não poderia deixar de ser, contar a história das esposas não seria possível sem passar pela questão do sexo e da sexualidade na sociedade organizada, já que, como descreve muito bem Michel Foucault em sua obra sobre a História da Sexualidade, “o sexo é a causa de todos os fenômenos de nossa vida e também comanda o conjunto da existência social”.

Vale a pena ler os dois autores…

Para saber mais sobre a História da Sexualidade de Michel Foucault leia  mais aqui

Para que um pênis tão grande? É para comer melhor!?

Os homens sempre se preocuparam com o tamanho do pênis. É fato! O mistério é saber a razão dessa “preocupação”. Por que as mulheres gostam? Por que dá mais prazer? Mais “poder”? …

O livro Big Penis Book 3D (publicado pela Taschen, com óculos 3D), promete dar algumas respostas, pelo menos parciais.

Segundo o livro, quanto maior é o tamanho do pênis maior a segurança do seu “portador”. E ainda afirma que, no fundo, as mulheres não desejam nada além disso. Um predador!

Relatam que, nos seres humanos o pênis é considerado como um canal que serve para o esperma, no entanto, o que conta mesmo é a sua aparência, já que seu tamanho é desproporcional à sua função. Um pênis de 4 cm, provavelmente, responderia a sua “missão”. Em termos de prazer, se compararmos os demais órgão humanos (dedos, língua, olhos, voz) e outros fatores (cenários e perversão) o pênis é o único cujo tamanho é  considerado importante. Não é necessário ter uma língua “avantajada” para fazer sexo oral ou um dedo gigante  etc. Portanto, ter um pênis grande virou/é uma espécie de lei geral.

Segundo pesquisas destacadas no livro,  os homens de pênis grandes são mais seguros, mais pegadores, mais sedutores. Enquanto as mulheres são mais sensíveis à sedução do que ao tamanho do pênis. Se o homem tem poses masculinas, agressividade, confiança, determinação … então BINGO. As meninas cairão aos seus pés!

Seria uma espécie de  síndrome de Chapeuzinho Vermelho? Para Agnés Giard

“as mulheres não são complicadas ou racionais, ou insuportavelmente românticas, como alguns querem fazer parecer. As mulheres são de uma simplicidade sublime. Basta pressionar um botão para fazê-las gemer e gozar. E, para isso, existem dois tipos de botão. O primeiro botão é clitóris (que inclui a área dentro da vagina). O segundo é de ordem psicológica: o desejo de ser ”comida”.  Somos todas chapeuzinhos vermelho. Todas nós sonhamos com o lobo mau. ”Lobo, onde está você? Esperamos pelo estranho, pelo desconhecido, que nos levará…é o sonho, a selvageria latente que nos faz mulheres bruxas prontas para entregar-nos ao diabo. E que faz dos homens monstros noturnos que chamamos e esperamos, desesperadamente… Queremos o lobisomem, o homem que mora do lado escuro.  Nós desejamos esta forma de estranhamento radical, que consiste em não reconhecer aquele que amamos: a visão muda, ele não é nosso marido ou nosso companheiro. Ele é bruscamente qualquer coisa que possui a força. Ele retirou sua pele de homem. Ele deslocou seus ossos na noite. Ele substituiu a palavra pelo grito. Tal é o lobo: símbolo de uma fecundação violenta que introduz as jovens mulheres num universo de sangue, de escuridão noturna, de vida e de volúpia…sim, nós desejamos a predação. Sim, a sexualidade é algo violento.”
Mesmo sendo assim, mais uma vez é uma questão de confiança em si mesmo.
E se…
…se os homens tivessem mais confiança neles, eles não se sentiriam obrigados a possuírem grandes pênis, criar compensações como armas, comprar relógios caros, dirigir carros vermelhos e fazer a guerra…
…se  o tamanho do pênis contasse menos…
… se as mulheres tomassem consciência que o seu sexo é também poderoso, mesmo medindo menos…
… se descobríssemos que, para “comer” melhor, outras grandezas são muito mais necessárias?

A Cama na varanda: sexo e relacionamentos

Há alguns dias uma amiga me indicou o Twitter de Regina Navarro.  Em sua bio ela escreve:

“Psicanalista e escritora, autora de A Cama na Varanda e mais nove livros sobre relacionamento amoroso. Colunista do IG e do jornal O Dia.”

Eu, particularmente, achei tudo o que ela escreve sensacional.  Sensível e com uma visão bastante singular sobre relacionamento e sexo, Regina é autora do livro ” A cama na varanda“.

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Um livro extraodrinário, que nos conta coisas como a história da sexualidade, o período paleolítico, o início do “culto ao falo”, casamentos, a influência da religião, Eva, Lilith (a primeira mulher de Adão), o grande perigo da Vagina, gays, lésbicas etc.

Uma leitura imperdível para aqueles que desejam conhecer a origem dos relacionamentos e compreender alguns conflitos atuais.

Além do livro recomendo a leitura da coluna da autora no IG, e mais especificamente o artigo O Prazer na dor, em que Regina entrevista Flávio Braga, autor de Sob Masoch – livro da editora Best Seller inspirado em Leopold Franz Johann Ferdinand Maria Sacher – Masoch, aristocrata e escritor austríaco (1836-1895). Masoch tornou-se célebre ao emprestar seu nome a uma perversão: o masoquismo.

Vale a pena ler.

Autobiografia de uma pulga: obra erótica e (nada) católica

Acabo de concluir a leitura do maravilhoso livro Autobiografia de uma pulga, que ganhei de presente da editora  Tipos Móveis (empresa pioneira no ramo editorial, idealizada por Camila Kintzel, profissional que, como eu, tem um pé na Análise do Discurso).
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A leitura é fascinante e excitante, capaz de prender o bom leitor até o final. Toda a história é repleta de práticas sexuais variadas, que são originalmente narradas da perspectiva de uma pulga.  Perspectiva interessante, pois permite ao autor detalhar os fatos de uma forma bastante diferente e minuciosa.

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Em sua magnífica narração, a pulga, que no livro demonstra ter talentos e capacidades humanas como as do “pensamento e observação”, irá descrever as cenas da qual foi testemunha, iniciando o seu percurso erótico ao se “infiltrar” na saia de uma jovem de 14 anos, que inicia sua vida sexual bastante acalorada…

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Com uma trama nada católica, ou católica demais para os dias atuais (com tantos escândalos sobre pedofilia), a obra descreve cenas de sexo – em detalhes que só uma pulga poderia testemunhar – que, com toda a razão, a igreja não gostaria que fossem divulgadas por aí nos dias atuais.

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A obra, no entanto, não foi escrita hoje.  Trata-se de um título inédito em português, considerado um clássico da pornografia vitoriana. Publicada em 1885, anonimamente, sua autoria foi atribuída a um advogado inglês, chamado Stanislas de Rhodes.

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Segundo informações contidas no próprio livro, que traz em detalhes as condições de circulação e interdição da obra no período vitoriano (que reprimia fortemente a leitura de obras consideradas eróticas, embora tenha sido um período de fértil produção do gênero) o romance ocupou, “por suas peculiaridades e pela originalidade de sua narrativa”

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(…) uma posição ímpar em meio ao grande volume das obras que constituem a literatura libertina vitoriana. A obra é narrada em primeira pessoa por uma pulga que, por seu íntimo contato com a pele humana, consegue testemunhar atos praticados no mais absoluto segredo. (…) elenca uma grande variedade de práticas sexuais consideradas tabu pela rígida sociedade vitoriana a partir de uma perspectiva anticlerical. Tais características conferiram grande popularidade ao romance, que teve várias reedições, ao menos três continuações apócrifas e acabou por se tornar um clássico da literatura libertina. A tradução de Francisco Innocêncio transpõe com maestria as descrições explícitas, o humor anticlerical e o refinamento do estilo vitoriano. (Editora Hedra)

O livro é o sexto título de uma  série erótica da editora Hedra, que está montando um catálogo de literatura erótica e pornográfica em língua portuguesa, ainda pouco editada e conhecida pelo público brasileiro.

Os outros títulos da série erótica, para quem quiser acompanhar,  são: Sacher-Masoch A vênus das pelesOscar WildeTeleny, ou o reverso da medalhaAdolfo CaminhaBom criouloFrançois de Sade – O corno de si próprio e outros contos , SwinburneFlossie, a vênus de 15 anos.

Desejo uma excitante leitura para você também!