O nome da coisa: sobre xoxotas, xerecas e perseguidas
A psicóloga, sexóloga e professora Eliane Maio, da cidade de Maringá-PR, publicou em 2011 um livro intitulado “O nome da coisa”. Resultado de sua pesquisa de doutorado sobre os nomes “jocosos” que homens e mulheres atribuem aos órgãos sexuais feminino e masculino.
A pesquisa foi desenvolvida pela autora em seis estados brasileiros e ouviu mais de 4.900 homens e mulheres, revelando a irreverência e repressão com a qual o assunto é tratado.
Como na literatura e na sociedade brasileira de forma geral, o pênis, segundo a autora, tem apelidos que demonstram conotações de força, virilidade e violência. Por outro lado, a vulva tem muitos nomes que simbolizam desprezo e diminutivos. O que não é de espantar, já que a repressão sexual também se fez pela forma como se “chama a coisa”.
A autora deu uma agradável entrevista ao Jô Soares, em maio deste ano. Assista, leia e confesse: qual é o nome da tua/teu? O da minha é “inconfessável”.
O livro foi publicado pela Editora Unicorpore e pode ser adquirido no site da editora: O Nome da Coisa
Quatro pênis e uma vagina em campanha contra DST
Cartaz de prevenção contra DSTs de Taïwan . Nele 3 Pênis, protegidos por camisinha, zombam de um quarto pênis que entrou em uma vagina sem proteção, saindo de lá doente…
Um pouco estranha essa campanha, já que “pênis” saudáveis não deveriam zombar do “colega” em má situação… mas até que é original, aliás uma pergunta que não quer calar: o que fazem 4 pênis em torno de uma única vagina?

Admito que a vagina está bem representada, por uma porta cuja campanhia se localiza no lugar do clitóris. Interessante essa representação: ao toque do clitóris (campanhia) a vagina (porta) se abre!
Só temo que as portas estejam se abrindo por aí por motivos não tão naturais. Afinal, temos chaves convencionais, chaves especiais e, infelizmente, muitas portas arrombadas.
Lógico, o foco da campanha não é a problemática das portas (vaginas), e sim daqueles que aí adentram sem proteção. De uma forma um pouco zombeteira demais para um tema bastante sério, a campanha dá o seu recado.
Fonte: Whip It Out Comedy
Amor – pois que é palavra essencial
Considerando o interesse geral de nossos leitores por poemas eróticos, dedicamos o artigo de hoje a um dos mais ilustres poetas brasileiros: Carlos Drummond de Andrade, e sua lindíssima obra O amor Natural .
Abaixo alguns recortes (escrever todos os poemas é sacanagem – mas não sacanagem boa) desta obra que vale muito ser lida por inteiro, ser guardada, vigiada, relida, emprestada e resgatada para garantia de gozos literários futuros.

Amor – pois que é palavra essencial
(…)
Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.
A Bunda, que engraçada
A bunda, que engraçada
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
Pela frente do corpo. A bunda basta-se.
(…)
À meia-noite, pelo telefone,
conta-me que é fulva a mata do seu púbis.
Outras notícias do corpo não quer dar, nem de seus gostos.
Fecha-se em copas:
“Se você não vem depressa até aqui
nem eu posso correr à sua casa,
que seria de mim até o amanhecer?”
Concordo, calo-me.
Certamente o livro tem outros poemas e se dedica a transformar práticas sexuais orais, anais, e outras mais românticas, em um livre exercício de desprendimento literário. Para facilitar a aquisição listamos abaixo alguns sebos onde pode-se encontrar a obra. A primeira edição é mais cara, mas contém ilustrações de Milton DaCosta.
Estante Virtual
Sebo do Marcao
Obs: As imagens deste artigo foram retiradas do site Sex In Art.
Retratos de mulheres e suas vulvas?
Fotos de mulheres em close tem sempre alguma coisa de frustrante. Gostaríamos de ver a “outra cara”. Agora é possível vermos a “outra face” com o livro intitulado: Pussy Portraits: a pequena conversa das mulheres e o sorriso que vai junto.

Frannie Adams, americana de 27 anos de idade, ganha a sua vida fotografando mulheres e, por vezes, sua vulva em close. Ela acaba de publicar pelas edições Reuss publicou uma galeria de retratos inéditos: da parte inferior e superior. Num fascinante diálogo visual entre o sexo e rosto. Pegamos-nos olhando para as dobras e tampas das ninfas com a mesma atenção que olhamos bocas, pupilas… à procura de uma lógica.
É possível adivinhar como pode ser sexo de uma mulher vendo apenas seu rosto? E o contrário? Frannie Adams responde: Faz um ano que eu faço esses retratos duplos e, pessoalmente, eu sempre me surpreendo quando uma mulher tira a calcinha. Cada vez é uma surpresa. Pode ser que alguns consigam estabelecer conexões, ou “ler” as vulvas com a mesma capacidade que os psicólogos lêem as expressões faciais…Mas este não é o meu caso.”

As modelos que concordaram em posar para este livro histórico são geralmente “tímidas mas orgulhosas de seu corpo”, assegura Frannie. Algumas são exibicionistas e amam ser fotografadas. É evidente que elas amam isso: você pode ver a olho nu o sexo que carrega. Tiradas sob o efeito do flash, a maior parte dos sexos brilham, mucosas úmidas soltam ligeiramente um licor que, às vezes, parecem artificiais. “Não houve truques, assegura Frannie. Nada de gel, nada de lubrificante. As modelos estavam excitadas.
Isso ocorre porque – para poder fazer em grande plano – eu me aproximo muito delas. Eu sinto seu calor. Eu sinto seu cheiro. Elas sentem que eu sinto. Há uma verdadeira relação de proximidade.”
Se este livro devesse carregar alguma moral seria: “Cada vulva é única, e viva a diferença!”. Frannie Adams disse: “As mulheres são a mais completa obra da natureza.” Como uma americana ela sabe como é difícil para uma mulher amar o seu corpo plenamente: a nudez é um tabu muito mais forte nos EUA do que na França. O que faz de seu livro uma verdadeira obra de saúde pública.
Obs: Uma amiga me disse que no Brasil havia uma artista que também fazia retratos de “vaginas” , mas eu não encontrei nenhuma referência na Internet, quem souber por favor comunique.
Artigo traduzido livremente do francês por Julia Tenório. Original em: Les 400 Culs.



