Sexualidade em Michel Foucault
Para aqueles que ainda não conhecem ou não tiveram acesso aos textos e obra de Michel Foucault, considerando a importância de seus estudos sobre a sexualidade, trazemos alguma citações para “acender o desejo” de nossos leitores em conhecer o que este autor têm a nos dizer sobre a sexualidade e a sociedade.

(…) a civilização ocidental, em todo caso, há séculos, quase nada conheceu da arte erótica; ela amarrou as relações de poder, do prazer e da verdade, sobre uma outra forma: uma “ciência do sexo”. Tipo de saber onde o que é analisado é menos o prazer do que o desejo, onde o mestre não tem a função de iniciar, mas de interrogar, de escutar, de decifrar, onde o processo não tem por fim uma majoração do prazer, mas uma modificação do sujeito (que se encontra perdoado ou reconciliado, curado ou liberto). (Michel Foucault - “L’Occident et la vérité du sexe”, Le Monde, n. 9885, 5 novembre 1976, p. 24, Traduzido por Wanderson Flor do Nascimento.)
(…) o jogo do S/M é muito interessante porque, enquanto relação estratégica, é sempre fluida. Há papeis, é claro, mas qualquer um sabe bem que esses papéis podem ser invertidos. Às vezes, quando o jogo começa, um é o mestre e, no fim, este que é escravo pode tornar-se mestre. Ou mesmo quando os papéis são estáveis, os protagonistas sabem muito bem que isso se trata de um jogo: ou as regras são transgredidas ou há um acordo, explícito ou tácito, que define certas fronteiras. Este jogo é muito interessante enquanto fonte de prazer físico. Mas eu não diria que ele reproduz, no interior da relação erótica, a estrutura do poder. É uma encenação de estruturas do poder em um jogo estratégico, capaz de procurar um prazer sexual ou físico. (Michel Foucault, an Interview: Sex, Power and the Politics of Identity; entrevista com B. Gallagher e A. Wilson, Toronto, junho de 1982; The Advocate, n. 400, 7 de agosto de 1984, pp. 26-30 e 58. Esta entrevista estava destinada à revista canadense Body Politic. Tradução de wanderson flor do nascimento.)
“O comportamento sexual não é, como muito se costuma supor, a superposição, por um lado de desejos oriundos de instintos naturais e, por outro, de leis permissivas e restritivas que ditam o que se deve e o que não se deve fazer. O comportamento sexual é mais que isso. É também a consciência do que se faz, a maneira que se vê a experiência, o valor que se a atribui. É, neste sentido, creio eu, que o conceito de gay contribui para uma apreciação positiva – mais que puramente negativa – de uma consciência na qual o afeto, o amor, o desejo, as relações sexuais são valorizadas.” (Michel Foucault - Escolha sexual, ato sexual , 1982)
Como não tenho conhecimento das obras de Michel Foucault, tendo lido coisas aqui e ali, não posso fazer um relato seguro a cerca do que este autor fala em sua “História da Sexualidade”. Finalizo então com trecho final da leitura de Lara Haje:
“Michel Foucault constrói, portanto, uma nova hipótese acerca da sexualidade humana, segundo a qual esta não deve ser concebida como um dado da natureza que o poder tenta reprimir. Deve, sim, ser encarada como produto do encadeamento da estimulação dos corpos, da intensificação dos prazeres, da incitação ao discurso, da formação dos conhecimentos, do reforço dos controles e das resistências. As sexualidades são, assim, socialmente construídas. Assim como a hipótese repressiva, é uma explicação que funciona. Cada um que aceite a verdade que mais lhe convém. Ou invente novas verdades.”
Referências:
Artigos completos, e conhecer um pouco da obra de Michel Foucault em português visite Espaço Michel Foucault
Em inglês há também um site bastante completo sobre o autor The Foucault Pages at CSUN
Lara Haje. Foucault, Michel. A História da Sexualidade.
História da Sexualidade: a vontade de saber. vol. 1
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Ter um orgasmo ou gozar? eis a questão! (parte 1)
Em seu último post, Agnés Giard aborda as discussões que envolvem os diferentes lados da questão em torno do prazer sexual feminino.

Segundo a autora, alguns sexólogos afirmam que o orgasmo não é necessário em toda relação (talvez para tranquilizar algumas mulheres que não conseguem nunca desfrutar deste prazer). É um discurso tranquilizador, mas é verdadeiro?

Segundo a autora, o sexólogo Pascal Sutter salienta que para algumas pessoas a alegria está vinculada ao prazer sexual. Para serem felizes elas precisam se satisfazer sexualmente sempre, nesse caso a abstinência sexual aumentaria o risco de depressão, já que não é possível obter um ”orgasmo” sempre.
Existe uma explicação neuroquímica para que alguns associem sexo e alegria que está ligada a produção de endorfinas: estas substâncias contribuem para proporcionar uma sensação de bem-estar e tem efeito tranquilizador semelhante ao produzido por algumas drogas como o Valium, por exemplo.
Mas, para se eximir talvez de um discurso de culpa, o sexólogo dirá que o desempenho sexual não é sinônimo de felicidade. E, todos podem respirar aliviados!
Mas, será possível ser feliz sem colocar o orgasmo na lista de obrigações ?
A autora apresenta em seu texto a tese central do livro do ergo terapeuta francês Jean-Claude Piquard, intitulado “Les deux êxtases sexuelles” (os dois prazeres sexuais), no qual o autor explica a diferença entre o orgasmo e o gozo “com uma precisão luminosa”.
“Enfim, gozo e orgasmo explicados!” pela literatura.
Para Piquard, quando algumas mulheres dizem que nunca tiveram a experiência do orgasmo, elas não sabem exatamente do que falam.
“Se soubessem, talvez, o teriam com mais facilidade? o grande problema neste momento é que os discursos sobre a sexualidade carecem de maior precisão”.
O livro coloca ainda que há um discurso dominante que aponta que “falamos demais sobre sexo”, “que o sexo está todo o tempo nos cartazes, na televisão, nas revistas”, “que existe uma ditadura do sexo”. Mas, o autor dirá que isto evidentemente não é verdade. Existe apenas um conteúdo vazio sobre a sexualidade que circula para satisfazer (de maneira não muito boa aliás) a demanda da sociedade por este tema.
O problema atual não é, portanto, que só falamos em sexo (como dizem alguns), mas justamente que falamos muito mal: “nós temos a impressão que falamos muito, talvez porque falamos mal, criticando ou vulgarizando com obscenidades, sem procurar as palavras certas, ou mais justas, ou mais explicativas.
O autor salienta, ainda, que após um longo período de interdição em torno de assuntos como a masturbação, por exemplo, criou-se um imaginário coletivo que dissocia o coito e o orgasmo de carícias íntimas. Assim, sexo sem carícias resulta em muitas mulheres insatisfeitas sexualmente e desconhecedoras do que é, realmente, “gozar” ou se satisfazer sexualmente.
Conclusão: Fala-se muito e mal da sexualidade. Nós nem sequer conhecemos o verdadeiro sentido da palavra orgasmo. Não é, portanto, admirável que não saibamos como obter um, diz o autor.
A definição de orgasmo é vaga e subjetiva, completamente batida….
Obs: Devido ao tamanho do texto e o meu tempo hoje, continuaremos a tradução deste post interessantíssimo amanhã, acompanhem a continuaçao que irá estabelecer as diferenças entre o orgasmo feminino e masculino de modo bastante diferente e peculiar…
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