Tag Archives: Sexo e Cinema

Cabaret Desire: 4 histórias do desejo feminino

Erika Lust, aclamada escritora e diretora de filmes eróticos, lança no mercado europeu seu novo filme: Cabaret Desire. O filme não será exibido nos cinemas. Está disponível apenas em DVD e para download na Internet.

Em um lugar mágico e boêmio homens e mulheres se encontram para contar histórias eróticas. Bordel, poesia, encantamento e palavras que produzem uma inesquecível viagem poética. Quatro contos são contados pelos narradores do filme revelando lugares luxuosos e ocultos desejos femininos:

Os dois Alex:
Uma atendente de bar que tem uma aventura com dois clientes, dois Alex, um homem e uma mulher, que não suportam a ligação com o outro.

Minha mãe:
Uma pintora, mulher e acima de tudo uma mulher livre, que ama invadir como uma ladra a casa dos outros para roubar um pouco de amor, segundo suas fantasias.

No país das maravilhas:
Uma mulher de trinta anos, sem amantes regulares que tenta todos os serviços possíveis na internet, oferecendo uma noite inesquecível como uma bela Adonis.

As folhas molhadas:
Durante um ano, ele não conseguiu esquecer como sua boca e seus beijos eram intensos. Tocar outras peles não o faziam esquecer como suas carícias eram únicas.

Sex e cult, não?

Compre e assista!

O sexo ao redor do mundo: nova série documentário

Neste ano de 2011 fomos presenteados com uma ótima série documentário, exibida pela TV5, que fala/falará sobre as diferentes práticas sexuais e dos sentimentos amorosos em oito países diferentes: Reino-Unido, Argentina, China, França, Itália, Índia, Japão, Ruanda e Suécia.

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A série começou a ser exibida neste mês de janeiro e seguirá com as exibições até o dia 24 de fevereiro.

Já foram exibidos os episódios sobre Suécia e Ruanda e os demais países terão as exibições nos seguintes dias: - Reino Unido:  18/01 (21h) e 20/01 (22h);  Argentina: 25/01 (21h) e 22/01 (22h);  Índia: 01/02 (21h) e 03/02 (22h);  França: 08/02 (21h)  e  10/02 (22h); China: 15/02 (21h) e 17 (22h) e  Japão: 22/02 (21h) e 24/02 (22h).

Para nossa felicidade, há um  site na Internet, com vídeos, textos e curiosidades, bem como a programação completa dos episódios. Tudo em língua francesa, infelizmente, mas há alguns vídeos em inglês.

Considerando o rico material e os temas abordados, farei alguns posts para falar de alguns episódios já veiculados e para compartilhar e prolongar o debate por aqui,  em português.

Então, acompanhem os próximos posts e participem das discussões tratadas no documentário-série, aqui no sexocult.

Fica o vídeo de divulgação da série (em francês, désolé!)


PLUS
:  Em março de 2011, a TV5 irá exibir a série “Le sexe autour du monde – nos Estados Unidos”, uma série de webepisódios disponibilizados exclusivamente na TV5.ca e depois no site  www.sexeautourdumonde.com.

Sexo explícito no cinema? não póóóde!

Repercute na França o caso do filme Histories de Sexe (s) , que foi rebaixado para a categoria de filme pornô.

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Para os puritanos a ação pode até parecer correta, mas não passa de uma medida imprópria para o filme em questão.

Histories de Sexe(s) é uma comédia leve que trata de sexualidade, inspirada no declínio do império americano. É a história de quatro amigas que se encontram para falar de suas últimas aventuras e de seus problemas amorosos. Paralelamente, quatro homens se encontram também para falar de sexo e conferem uma nova versão à história: homens e mulheres tem visões diferentes sobre o temas, obviamente. A “dupla” visão do filme é garantida por que seus diretos são um homem e uma mulher.

Segundo relatos de quem assistiu ao filme (eu ainda não vi, infelizmente), ele contém algumas cenas hilariantes e outras extremamente pedagógicas que abordam o tema do orgasmo, dos sextoys, da ejaculação feminina (parece ótimo né??).

Sendo considerado uma mistura de documentário, ficção e curso de sexologia, o filme certamente não merece a classificação X.

Os diretores do filme, Ovidie e Jack Tyler, protestam (aqui) contra a decisão afirmando que o filme tem a “ambição de superar as regras da indústria pornô” e que eles esperavam que com o filme sairiam das ruas (do gueto)”.

No entanto, eles foram reenviados secamente para a margem do cinema com esta decisão. Segundo os diretores

“um filme é considerado pornô quando apresenta qualquer script, não tem trabalho de preparo, por ser distante de uma sexualidade realista e, na maioria das vezes, degradar a mulher. Com este filme, dizem os diretores, encarou-se o desafio de apresentar uma sexualidade não caricatural e de colocar em cena a complexidade da relação do casal. Habitualmente, os cenários dos filmes pornôs servem apenas para introduzir as cenas de sexo que são a razão principal dos filmes pornográficos. Em Históries de Sexe(s), as curtas passagens explicitas não são mais do que ilustração das declarações feitas pelos próprios protagonistas. 95% de diálogos e 5% de sexo, e não o inverso. Claramente, não se trata de um filme masturbatório. Com este filme, nós atendemos a emergência de um novo gênero: um filme que trata abertamente da sexualidade, livre dos códigos da pornografia e de sua cota de ejaculações faciais. Nosso desejo não era que passasse para menores, porque estávamos exigindo a proibição para menores de 18 anos.”

Acredita-se, portanto, que a comissão CNC classificou o filme como pornô porque seria impensável para os puritanos, que parecem ser sempre a maioria, que um filme possa falar abertamente de sexo. Podemos falar de morte, de assassinatos em série, do fim do mundo, de guerra (principalmente de guerra), mas não podemos falar de sexo. A classificação do filme como pornô é uma forma perversa de censura. Ela vem acompanhada de um sistema de taxas e impostos que desestimula as pessoas a movimentarem dinheiro e, consequentemente, condenam os filmes sobre o tema a produções de baixa qualidade, amadorismo, diálogos irreais. Assim, totalmente estigmatizado os “bons” diretores não se arriscam nessas produções, pelo risco de sofrerem a censura no interior do mercado cinematográfico.

Segundo afirma Agnes Giard

…na França a classificação dos filmes como pornôs (ou como filmes X) foi uma tentativa de originalmente voltada para a liberdade, que visava permitir o uso de imagens de sexo nos filmes, mas rapidamente esta classificação passou a ser acompanhada por duras medidas fiscais que acabaram “matando no ninho um gênero cinematográfico nascente”. Sem recursos, esta categoria de filmes torna-se uma indústria que acumula genitálias em grande plano e atos sexuais como norma fundamental. Os filmes precursores do gênero anunciavam o glorisoso futuro da categoria: O último tango em Paris, O império dos sentidos, Mistress, O love Max, GOing Places, The mother and the wore, The Nigth Porter…poderia ter se tornado tao importante quanto os filmes de artes marciais ou as comédias musicais. No entanto ele foi assassinado. Cortaram-se seus recursos e ele foi condenado a mediocridade.

Proibições como a sofrida pelo Histoires de Sexe(s), somadas à força da TV, DVD, e da Internet, acabam por condenar de vez as ambições de quem desejava fazer arte com sexo…Afinal, quem vai querer fazer um filme de 3 milhões de reais (o valor mínimo de uma produção) se as produções da Internet, por exemplo, podem ser realizadas (sem sofrer censura da indústria) com apenas 3 mil euros?.

Para Ovidie o pornô agora é “a merda”. No lugar de mostrar o sexo como um espaço de liberdade e felicidade, o pornô mostra performances surrealistas e caricaturais.” Para o diretor, voltar às salas de cinema permitiria ao gênero sua saída do “gueto”, mas o CNC “desde 1975, como se os meios não tivessem evoluído, continua a classificar como pornô tudo o que ultrapassa o limiar de sua tolerância: um orgasmo vá lá. Dois orgasmos, prejuízo.

- Visite o site do filme e assista o trailer oficial:  Histoires de Sexe(s)
-
Adaptação livre do artigo de Agnès Giard.


Hump 5! Festival de pornô amador

Nos dias 9 e 10 de Outubro, ocorrerá em Seattle um Festival de cinema dedicado ao pornô amador. O Hump 5!, festival dedicado aos amantes de filmes pornôs:  são eles que criam seus filmes, escolhem os atores e atrizes, montam e apresentam no festival o seu curta-metragem pornô, de 5 minutos no máximo.

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O “must” do festival é que todos os filmes (bobinas) são destruídos depois da projeção, prova de que todos podem criar um pornô sem consequências, amar e aproveitar, independente da indústria pornográfica.

Alguns temas e locais são determinados para constar no filme e ganhar créditos, como por exemplo: botas de motociclistas, roupas íntimas de mormons, e/ou filmagens feitas em locações como a estátua da liberdade …Yes! Entre outras indicações.  E, ainda, o primeiro e segundo lugar ganham prêmio em dinheiro.

A origem do festival: Dan Savage, grande especialista de sexo americano,  afirmou em entrevista que “Há sete anos, com a explosão da internet, quando qualquer um passou a ter oportunidade de se lançar no pornô com uma webcam, nós queríamos fazer um tributo a esse gênero, dando oportunidade para que os participantes pudessem ir mais longe em suas produções. Levamos dois anos para convencer todo mundo de que a idéia não era maluca. Depois disso, cada ano aumenta o número de participantes, e nós somos sempre completamos as seleções públicas. A idéia é encontrar a atmosfera dos anos 70, quando íamos ao cinema para assistir  um filme pornô”

Alguém aí está “podendo” pegar um avião para Seattle nos próximos dias?! eu não, shit!

Irã: presa por quebrar o tabu da sexualidade

Pintora e cineasta que vive em Paris, Mitra Farahani foi detida esta semana ao descer do avião em Teerã. Ela saltou na boca do bolo ao regressar a seu país.  Sua culpa perante os religiosos? ter produzido o filme Tabous, em 2004.

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Tabous é um filme sobre o desejo sexual e as frustrações da sociedade iraniana, que teve um enorme sucesso no Irã. Sucesso clandestino, claro.

Em uma entrevista publicada na imprensa, por ocasião do lançamento do filme Mitra declarou:

“Absolutamente todo mundo tem uma vida dupla em Teerão. E todos sabem que todo mundo tem uma vida dupla. “

Depois de muitos anos a intimidade sexual dos iranianos é revelada por esta artista de 34 anos. Ela fala da sexualidade em seu país em suas pinturas de Arte Déco, arte que a levou a Paris em 1998.  E, também, em seus filmes. O tema foi abordado desde o seu primeiro  documentário “Juste une Femme” (Apenas uma mulher), que conta os primeiros passos na vida de um homem que se tornou mulher.

Ela diz que, numa sociedade onde é impossível viver a sua homossexualidade, a mudança de sexo às vezes é a solução mais simples, adotada por muitos gays iranianos, sem que ninguém fale desse assunto. Elogiado pelos críticos, o documentário “Juste une Femme” lhe permitiu realizar seu primeiro longa metragem aos 28 anos de idade. ”A maior parte dos cineastas se autocensuram”, diz ela.

Tabous tem a particularidade de ser um documentário que mescla realidade com cenas de ficção. Ao final, os atores franceses (incluindo Coralie Revel) reproduzem um conto erótico, um poema do século XIX de Iraj Mirza.

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Ter ousado filmar uma mulher nua sobre a terra sagrada do Teerã é, sem dúvida, um dos motivos que levou à prisão de Mitra. Uma vez que nenhum cineasta foi tão longe na transgressão.

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Mitra  foi presa ao descer do avião, assim que mostrou seu passaporte. Foi conduzida ao escritório da polícia, onde permaneceu por dois dias.  Em seguida, ela foi transferida para a prisão de Evin, onde se encontra um grande número de presos políticos, como o jornalista amerciano-iraniano Roxana Saberi, recentemente libertado.

O caso de Mitra pode ser mais delicado aos olhos dos mulás, porque com seu filme, mesmo que ela tenha dado voz aos religiosos, ela revela tabus mais atuais do que nunca. O seu destino dependerá da revolta e dos protestos em curso no país.

Fonte: Le Post