Spencer Tunick fotografa na Gay and Lesbian Parade
O fotógrafo Spencer Tunick, conhecido mundialmente por suas fotos de nudez, realizou seu último feito na Gay and Lesbian Parade Mardi Gras da Austrália, que este ano começou no dia 19 de fevereiro e terminará dia 7 de março, com cerca de 5.000 modelos nus, em frente a Ópera de Sydney.

Spencer é convidado, frequentemente, para participar de causas humanísticas (Greenpeace, combate à AIDS) e agora exerceu o seu talento na Parada Gay e Lésbica australiana.
Segundo o fotógrafo, “Os homossexuais estavam deitados lado a lado, nus. Isso mostra ao mundo que os australianos estão fortemente empenhados na construção de uma sociedade livre e igualitária.”
Tunick é americano, nasceu em Nova Iorque, em 1967. No início de sua carreira seus modelos eram os amigos, que posavam para as fotos de madrugada, para evitar problemas com a justiça.

Ele afirma que a nudez em suas obras não tem por objetivo excitar ou provocar uma emoção erótica no espectador, embora alguns possam sentir algum tipo de excitação. Os modelos são geralmente muito diferentes, pequenos, grandes, gordos e magros e não oferecem, geralmente, nenhuma beleza particular.

Tunick busca com suas imagens mostrar, antes de tudo, uma espécie de arquitetura humana, expondo a fragilidade do homem diante da natureza (como nas fotos do Greenpeace), ou enfatizando o contraste entre o homem e seu entorno…
Para conhecer algumas das obras de Spencer Tunick acesse sua Web Gallery em www.artnet.com, ou visite o site do fotógrafo www.spencertunick.com
Dirty Diários: pornografia que celebra a sexualidade feminina
Um grupo de suecas, artistas e feministas engajadas, acaba de lançar um DVD de doze curtas-metragens pornô. Será que as feministas estão se reconciliando com a indústria pornô?

O fato é que o DVD que as feministas suécas produziram, intitulado Dirty Diaries, está fazendo o maior barulho. Ele foi considerado “demasiado lésbico” na Suécia e, por isso, será lançado e distribuído na França. E, esperamos, que não se esqueçam de distribuir no Brasil, não é!?
Dirty Diaries é uma coleção de doze curtas-metragens. Doze filmes para adultos, filmado com um celular com câmera para “libertar a sexualidade feminina”, diz Åsa Sandzén. Ela é a diretora de Dildoman (ver vídeo): um filme de animação, que mostra duas mulheres gigantes brincando com um homem pequeno em um clube de strip-gigante, jogando com um homem pequeno que foi transformado em um sextoy, que elas acabam quebrando. Todos os filmes estão longe de serem tão políticos. Alguns são muito conceitual, outros usam regras tradicionais da indústria pornô. Mas em cada um deles as atrizes parecem gostar do que fazem.
Pornô ”para deixar as mulheres mais fortes”?
Para Mia Engberg iniciadora do projeto, o objetivo é fazer pornô para mulheres. “Se elas podem consumir o pornô livremente, sem culpa, elas serão mais fortes. Elas poderão dizer não para o que elas nao querem. Uma vez que o sexo consiste muito em satisfazer o desejo do homem. ”
Na Suécia, o DVD está longe de ser unânime. Ele é criticado por ter uma orientação “fortemente lésbica” (5 dos 12 filmes são lésbicos). Mas a principal crítica visa o Instituto de filmes suécos, que conferiu ao projeto cerca de 35.000 euros. Segundo Mia Engberg, no entanto, uma empresa de produção francesa já se ofereceu para comprar os direitos do DVD para a França.
Para quem desejar adquirir O DVD é de distribuição da Njutafilms, mas não sei se enviam para o Brasil.
O retorno das lésbicas românticas
Laura, 31 anos, vive em São Francisco (Califórnia), onde produz vídeos de lésbicas que se abraçam, se tocam, se acariciam, se olham e se amam… Nostalgia de um paraíso perdido?
Laura criou o site twilightwomen.com em 2005, com o único objetivo de mostrar as primeiras emoções de jovens mulheres e o amor lesbiano “romântico”.

“Tudo começou a partir de um filme de vampiros com cenas de nudez”, explica ela.
“Ele me chamou tanto a atenção que decidi fazer o mesmo. O estilo de sexo que nós mostramos é explicito mas corresponde a uma fórmula específica (e muito rentável financeiramente), que não tem nada a ver com a pornografia. Nós não nos mostramos da mesma forma que certos vídeos. Mas Certamente, produzimos o mesmo efeito. Nossos vídeos são feitos para excitar, mas de uma maneira diferente. Nos esforçamos para mostrar o desejo, a resistência de uma mulher submissa que sucumbe. Nós mostramos o conflito, o flerte, a estratégia, o jogo da sedução e tudo o que precede o ato sexual propriamente dito, e que lhe dá realmente valor. Pessoalmente, eu acho que este momento é o mais excitante.”
Seus vídeos se inscrevem na contra-corrente da produção lésbica atual. Ainda que, em todo o mundo, as mulheres portem uma camêra para filmar cenas de sexo extremamente enérgicas, o site perpetua o mito de uma sexualidade feminina doce e gentil, da qual o vibrador está totalmente excluído.
“O vibrador é muito agressivo” (direto), diz Laura. “Nós usamos apenas os dedos, boca, carinhos, porque queremos deixar falar os sentimentos: quando uma mulher tem medo e quero tocá-la, quando ela espera, quando ela tem vergonha e seu coração bate.”
As atrizes do twilightwomen.com são exclusivamente classificadas na categoria “beleza natural e amadora” (nada contra as damas experientes ou as estudantes).

Nada de piercing e – se possível – nada de tatuagens. Quanto ao vestuário, eles são dignos de uma série dos anos 70. A decoração em si é deliberadamente “démodé” (para não dizer nostálgica), para recordar “a bendita” época em que as mulheres ainda tinham cabelos e seios naturais e tabus.
“Nosso produtor e câmera número 1, Div For´e, tem quase 70 anos”, explica Laura. “É um historiador americano que cultiva uma verdadeira paixão pelos primeiros filmes do gênero, quando era ilegal filmar a nudez… Em homenagem a este período do pós-guerra, Div For´e, realiza muitas coberturas de livro e de fotos dos anos 40 e 50. Elas guardam uma espécie de tensão dramática, ligada a uma atmosfera de segredo e culpa que marcam as imagens eróticas destes anos. Após a revolução sexual, quando as jovens têm maior liberdade de costumes, perde-se esta noção de “drama”. Não tenho nada contra a corrente cultural que gera uma vida sexual muito melhor do que antes, mas isso não corresponde às minhas fantasias.”
Laura cresceu assistindo Little House na televisão. A imagem que ela tem da sexualidade lésbica corresponde certamente a de muitas outras mulheres, ainda nos dias de hoje… as mulheres que amam a doçura de seus corpos e seus sentimentos. Mulheres que acham que os homens são brutos, opostos delas que sã tão delicadas e suaves… Mas é também uma imagem construída para (e pelos) héteros. Tal como um espelho refletor, o site atrai principalmente os homens: a maioria de seus assinantes são, de fato, do sexo masculino. O tipo de homem que toma as mulheres por obscuras e misteriosas criaturas, somente capazes de serem tocadas com músicas afetuosas e românticas.
Texto de Agnés Giard, traduzido livremente do francês por Julia Tenório. In: La lesbienne gentille est de retour.
Imagens do site: Twilightwomen.
