Tag Archives: história_da_sexualidade

Sexo e Literatura

Sexo, Sexualidade e História

Descobri recentemente um livro maravilhoso que, mesmo não sendo especificamente uma leitura sobre sexo ou sexualidade,  indico – para os casados e não casados :  “A História da esposa: da Virgem Maria a Madonna”, de Marilyn Yalom.

O livro oferece uma leitura importante e muito reveladora sobre as leis, práticas e costumes sociais que afetam e direcionam a vida de diferentes gerações de esposas. O mais interessante do livro é que através dele temos contato com nomes femininos que, através de suas incríveis experiências, se rebelaram contra as tradições de suas épocas. Para tanto utiliza-se de citações de diários, memórias, cartas.

Entre tais mulheres encontramos algumas famosas, outras anônimas e comuns, que, de diferentes maneiras lutaram contra as amarras de seu tempo e mudaram os rumos da instituição do casamento.

Como não poderia deixar de ser, contar a história das esposas não seria possível sem passar pela questão do sexo e da sexualidade na sociedade organizada, já que, como descreve muito bem Michel Foucault em sua obra sobre a História da Sexualidade, “o sexo é a causa de todos os fenômenos de nossa vida e também comanda o conjunto da existência social”.

Vale a pena ler os dois autores…

Para saber mais sobre a História da Sexualidade de Michel Foucault leia  mais aqui

Sexo e Literatura

Sexualidade em Michel Foucault

Para aqueles que ainda não conhecem ou não tiveram acesso aos textos e obra de Michel Foucault, considerando a importância de seus estudos sobre a sexualidade, trazemos alguma citações para “acender o desejo” de nossos leitores em conhecer o que este autor têm a nos dizer sobre a sexualidade e a sociedade.

foucault

 (…) a civilização ocidental, em todo caso, há séculos, quase nada conheceu da arte erótica; ela amarrou as relações de poder, do prazer e da verdade, sobre uma outra forma: uma “ciência do sexo”. Tipo de saber onde o que é analisado é menos o prazer do que o desejo, onde o mestre não tem a função de iniciar, mas de interrogar, de escutar, de decifrar, onde o processo não tem por fim uma majoração do prazer, mas uma modificação do sujeito (que se encontra perdoado ou reconciliado, curado ou liberto). (Michel Foucault – “L’Occident et la vérité du sexe”, Le Monde, n. 9885, 5 novembre 1976, p. 24, Traduzido por Wanderson Flor do Nascimento.)

(…) o jogo do S/M é muito interessante porque, enquanto relação estratégica, é sempre fluida. Há papeis, é claro, mas qualquer um sabe bem que esses papéis podem ser invertidos. Às vezes, quando o jogo começa, um é o mestre e, no fim, este que é escravo pode tornar-se mestre. Ou mesmo quando os papéis são estáveis, os protagonistas sabem muito bem que isso se trata de um jogo: ou as regras são transgredidas ou há um acordo, explícito ou tácito, que define certas fronteiras. Este jogo é muito interessante enquanto fonte de prazer físico. Mas eu não diria que ele reproduz, no interior da relação erótica, a estrutura do poder. É uma encenação de estruturas do poder em um jogo estratégico, capaz de procurar um prazer sexual ou físico. (Michel Foucault, an Interview: Sex, Power and the Politics of Identity; entrevista com B. Gallagher e A. Wilson, Toronto, junho de 1982; The Advocate, n. 400, 7 de agosto de 1984, pp. 26-30 e 58. Esta entrevista estava destinada à revista canadense Body Politic. Tradução de wanderson flor do nascimento.) 

“O comportamento sexual não é, como muito se costuma supor, a superposição, por um lado de desejos oriundos de instintos naturais e, por outro, de leis permissivas e restritivas que ditam o que se deve e o que não se deve fazer. O comportamento sexual é mais que isso. É também a consciência do que se faz, a maneira que se vê a experiência, o valor que se a atribui. É, neste sentido, creio eu, que o conceito de gay contribui para uma apreciação positiva – mais que puramente negativa – de uma consciência na qual o afeto, o amor, o desejo, as relações sexuais são valorizadas.” (Michel Foucault – Escolha sexual, ato sexual , 1982)

Como não tenho conhecimento das obras de Michel Foucault, tendo lido coisas aqui e ali, não posso fazer um relato seguro a cerca do que este autor fala em sua “História da Sexualidade”. Finalizo então com trecho final da leitura de  Lara Haje:

“Michel Foucault constrói, portanto, uma nova hipótese acerca da sexualidade humana, segundo a qual esta não deve ser concebida como um dado da natureza que o poder tenta reprimir. Deve, sim, ser encarada como produto do encadeamento da estimulação dos corpos, da intensificação dos prazeres, da incitação ao discurso, da formação dos conhecimentos, do reforço dos controles e das resistências. As sexualidades são, assim, socialmente construídas. Assim como a hipótese repressiva, é uma explicação que funciona. Cada um que aceite a verdade que mais lhe convém. Ou invente novas verdades.”
 

Referências:
Artigos completos, e conhecer um pouco da obra de Michel Foucault em português visite Espaço Michel Foucault
Em inglês há também um site bastante completo sobre o autor  The Foucault Pages at CSUN 
Lara Haje. Foucault, Michel. A História da Sexualidade
História da Sexualidade: a vontade de saber. vol. 1 

  • Publicidade